27 de nov de 2009

Governo assume exames antidoping

A Agência Mundial Antidoping (Wada) não descarta a possibilidade de o Laboratório de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico (Ladetec), na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro, o único credenciado no Brasil, perder pela o aval da entidade. Um dos motivos alegados seria burocracia, uma vez que a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) atrasa ou impede a entrada de material biológico ou de amostras vindas do exterior necessários para as análises em laboratório. A informação foi passada pelo médico Eduardo de Rose, membro do do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e da WADA. "Do que o laboratório precisa? Precisa importar muito reagente, incluindo cocaína, para detectar doping. Experimenta importar 1 miligrama de cocaína? Não vai conseguir". O médico explicou que, a cada três meses, o Ladetec é testado - recebe dez amostras enviadas pela WADA e precisa ter 100% de aproveitamento para se manter no primeiro nível de qualificação da agência. "Só que, quando a amostra vem, ela fica trancada na alfândega, na Anvisa. Uma semana depois é liberada, mas está estragada. E o laboratório erra o resultado e tem de explicar o motivo disso. É uma situação muito ingrata". As mudanças no sistema de exames foram anunciadas. O laboratório passa agora a ser controlado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e receberá verbas governamentais. "Sempre defendi que essa questão de combate ao doping fosse liderada pelo governo federal, como acontece em outros modelos", explicou Eduardo de Rose. "Com isso, os custos dos exames realizados pelo Ladetec deverão cair, já que o laboratório deverá passar a ser subsidiado através da UFRJ", complementou. A transferência de responsabilidade faz parte da transformação da Agência Brasileira Antidoping (ABA), criada pelo Comitê Olímpico Brasileiro, em Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD), controlada pelo governo federal, por intermédio do Ministério do Esporte.
Redação Sport Marketing