7 de jul de 2009

João Henrique Areias fala dos bastidores do Flamengo

Depois de presidir o departamento de esportes olímpicos do Flamengo, o especialista de marketing esportivo João Henrique Areias, resolveu pedir demissão do cargo. Agora, Areias parece disposto a mostrar o que se passa nos bastidores do time da Gávea e promete publicar uma série de artigos sobre o tema! No último artigo, Areias fala do modelo de gestão arcaico do time que tem a maior torcida do país! Acompanhe....
"A partir deste mês de Julho a política aquecerá o Flamengo. De 3 em 3 anos é a mesma coisa. O clube praticamente pára. Acusações de todos os lados tornam a imagem do clube mais negativa e dificulta a busca de parcerias com empresas, governo e com os torcedores.Voltando ainda ao caso Patrícia Amorim x Márcio Braga. No final de janeiro deste ano, Márcio pediu o cargo à ex vice presidente de esportes olímpicos, porque ela declarou públicamente que ia se candidatar à presidência do clube. Por ser um cargo de confiança, não remunerado, contrariando o protocolo, ela não entregou e o Márcio a destituiu, criando um mal estar na sua saída.Por compromissos eleitorais anteriores, Márcio deverá apoiar o atual vice presidente geral (eleito) Delair Dumbrosck. Daí a atitude política do Márcio, na final do basquete, ser incompreensível.Outro momento que mostra que a política se sobrepõe aos interesses do clube, foi quando o governador Sérgio Cabral recebeu a equipe de basquete logo após a conquista do Sul Americano. Num jogo no Maracanãzinho, pedi à secretária de esportes Márcia Lins que agendasse a visita. Na véspera, soube que a Patrícia iria e o Delair, então na presidência substituindo o presidente licenciado, não gostou. Liguei prá Patrícia, já afastada de qualquer cargo no clube, e falei da minha preocupação com algum possível constrangimento entre ela e o Delair. Ela me tranquilizou, mas disse que era um momento político, num ambiente político e que como política ela deveria estar presente.A meu ver, este modelo do dirigente voluntário caducou. Até os anos 70, quando este dirigente lidava apenas com sócios e torcedores, funcionou bem e criou grandes marcas como Flamengo e outros grandes clubes do esporte brasileiro. A partir dos anos 80, com a entrada em cena da TV e dos anunciantes, os clubes já deveriam ter buscado um novo modelo, mais adequado ao profissionalismo que a indústria do entretenimento exigia. Nos anos 90, surgiram os agentes de jogadores licenciados pela FIFA e os investidores como ISL (Flamengo e Grêmio), Nations Bank (Vasco) Banco Excel (Botafogo), Octagon (Atético-MG), Hicks Muse (Corinthians), etc, que investiram rios de dinheiro numa estrutura amadora. Não poderia dar certo, foram embora. Agora, estes agentes associados a investidores, são "donos" dos clubes, detendo a maior parte dos direitos econômicos dos atletas. Esta relação que poderia ser positiva, se os clubes fossem pró ativos, desenvolvendo seus próprios planos de negócios, tem sido desbalanceada e os clubes estão cada mais endividados. E este desequilíbrio não é só com estes "players". É também com a TV e anunciantes que negociam com dirigentes voluntários, despreparados, porque se dedicam a outras atividades e chegam nos clubes no final da tarde, porque não são remunerados."
Redação Sport Marketing