7 de abr de 2009

Diminuem ações de hospitalidade em marketing esportivo

Cerca de 15 dos 92 clubes profissionais da Inglaterra ainda estão à procura de patrocinadores principais para a próxima temporada. Tanto na Inglaterra, quanto na Itália e, porque não dizer no Brasil, várias equipes vão jogar os campeonatos nacionais, sem patrocinador principal nas camisas. Nos Estados Unidos, os patrocinadores estão se retirando do golfe, Nascar e até dos Jogos Olímpicos. Gareth Moore, diretor de vendas internacionais no Sport+Markt, uma empresa de patrocínio esportivo, acredita em um decréscimo de 5 a 10% nas despesas globais este ano em patrocínio esportivo. Analistas dizem que a queda poderá ser ainda mais acentuada, com exceção de contratos de patrocínio de longo prazo. As ações de hospitalidade em marketing esportivo, por exemplo, estão sofrendo o reflexo da crise financeira mundial. Em período de recessão, os gastos em hospitalidade estão recebendo fortes críticas. O "corporate hospitality", ação voltada para clientes VIP's que assistem aos jogos em camarotes de luxo não está sendo bem vista em um momento em que a população americana e mundial encontra-se revoltada com escândalos de regalias e privilégios. Em uma pesquisa realizada pela Performance Research, uma empresa de pesquisa e mecado em patrocínios, 69% dos americanos acham que as empresas que recebem apoio do governo deveriam ter os gastos em patrocínio restringidos. A pesquisa apontou que 37% dos entrevistados disseram que teriam menos confiança se os bancos onde têm conta, resolvessem patrocinar eventos esportivos e apenas 10% disse que teriam mais confiança. As ações em marketing esportivo compõem o grosso dos investimentos e os gastos em hospitalidade caíram cerca de 15% primeiro trimestre. "Nunca foi tão forte a pressão e tanto controle sobre este tipo de investimento"- disse Jan Katzoff, vice-presidente do Radiate Group, braço de marketing da gigante Omnicom Group Inc. A Radiate, teve um ano recorde de vendas em 2008. A empresa faz parte uma rede de agências que presta serviços de consultoria em planejamento de ações de hospitalidade para empresas como Visa, Procter & Gamble Co. e Adidas, oferecendo aos clientes ações especiais em eventos esportivos como Jogos Olímpicos, Copa do Mundo FIFA e Nascar. Outros clientes da Radiate incluem Bank of America Corp, Lowe's Cos Inc e a Hershey Co. A reação contra as despesas em hospitalidade tem sido intensa, com muitos executivos e políticos rotulando os gastos como desnecessários. O Citigroup, por exemplo, está sendo criticado pelo contrato, assinado em 2006, no valor de US$ 400 milhões pelo 'naming rights' do estádio de baseball do New York Mets pelos próximos 20 anos. A Morgan Stanley e Wells Fargo & Co recuou as ações de hospitalidade, planejadas para os eventos de golfe que patrocina. O Royal Bank of Scotland, banco em que o governo britânico tem uma participação maioritária, está sendo profundamente criticado pelos tablóides ingleses e alguns críticos que consideram absurdo o tratamento generoso dirigido às empresas e clientes em eventos patrocinados pelo banco, que gasta entre £ 200 milhões e US $ 300 milhões, anualmente, em patrocínio. Philip Hampton, o presidente do banco, disse, na reunião anual que o novo chefe, Stephen Hester, e outros executivos estarão se "movendo rapidamente para demonstrar que a empresa está mudando. "Será que podemos escolher patrocinar a F1 se estivéssemos começando a partir daqui? Não" - disse o presidente. Existem os que acham que o pessimismo tem sido exagerado. Kenneth Lewis, executivo do Bank of America disse no mês passado, que o banco gera US$10 dólares em receitas e US$ 3 em ganhos, para cada US$ 1 gasto em marketing esportivo. Embora os bancos americanos e europeus, marcas da indústria automobilísticas e outras empresas estejam recuando o envolvimento em patrocínio esportivo, o dinheiro está chegando a partir de novas fontes, principalmente de empresas do terceiro mundo, em desenvolvimento, que querem aumentar o perfil e reconhecimento da marca no Ocidente. A Tata Consultancy Services, especializada em tecnologia de informação, que faz parte do Grupo Tata da Índia, fechou patrocínio com a Ferrari e, nesta temporada, terá a marca no carro vermelho, ao lado de outros logotipos de tradição no evento como a Shell. Dada a expansão mundial do Grupo Tata, que pretende vender um novo carro pequeno, o Nano, na Europa e, finalmente, nos Estados Unidos - analistas especularam que o grupo poderia ser o substituto ideal para a AIG na camisa do Manchester United. Suresh Rangarajan, porta-voz da empresa, disse que os executivos da Tata se reuniram com os membros do Manchester United "como uma cortesia" e acrescentou que a empresa "não tem qualquer intenção de patrocina clubes de futebol neste momento". Jornais britânicos identificaram outras empresas da Ásia e do Médio Oriente como candidatos ao Manchester United, incluindo Arábia Telecom, AirAsia, Sahara Group da Malásia. Já o Manchester City está envolto em boatos de que estaria em conversações com a Etihad Airlines de Abu Dhabi sobre um acordo de patrocínio. O Manchester City é propriedade do Abu Dhabi United Group, uma empresa de privada. Muito mais dinheiro proveniente da Ásia e do Médio Oriente, tem sido investido em marketing esportivo. Já as empresas norte-americanas pretendem investir em esportes apenas 2,2% neste ano, o equivalente a quase US $ 17 bilhões. A estimativa é da empresa IEG, uma empresa de pesquisa de mercado ligada à WPP Plc. 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Sandra White - Correspondente Sport Marketing -Estados Unidos