12 de jan de 2009

Ninho de Pássaro, mais um elefante branco olímpico?

Cinco meses após a cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos de Beijing, o Estádio Nacional popularmente conhecido como Ninho de Pássaro ainda não conseguiu colocar em prática o projeto de marketing desenvolvido para a manutenção da instalação (ler matéria arquivo Sport Marketing: Especial: Ninho de Pássaro tem projeto de ... ). O projeto de marketing da arena contempla naming rights por 30 anos e direitos para, cerca de 10 parcerias específicas. O consórcio guiado pelo Citic Group, um conglomerado chinês, possui 42% do 'Ninho de Pássaro' e os direitos para operação por 30 anos, o resto é posse do governo chinês, que, inclusive, participará da escolha e aprovação da futura empresa que batizar a arena, cuja construção foi estimada em, aproximadamente, US$500 milhões. Vale ressaltar que, apesar do sucesso de marketing do programa local dos Jogos Olímpicos de Beijing, o marketing esportivo ainda é uma novidade na China. Hoje, o Estádio Nacional um projeto ousado de engenharia transformou-se em um museu gigante que recebe mais ou menos 10 mil turistas por dia, principalmente chineses, que pagam 50 yuan (mais ou menos US$7) para andar na pista do estádio, subir nos camarotes, comprar produtos na cara loja de souvenirs. A grande pergunta que paira no mercado é se, depois da crise financeira mundial, o governpo chinês conseguirá reaver o investimento. A possibilidade de receber mega eventos no Ninho de Pássaro também não está caminhando como o desejado e apenas uma data foi anunciada para este ano - a ópera de Puccini "Turandot,'' dirigido por Zhang, marcada para o dia 8 de agosto, aniversário de um ano da cerimônia de abertura dos Jogos. Apesar da preocupação a longo prazo, a companhia que administra o estádio está otimista e acredita que a arena pode gerar renda anual de US$30 milhões. É fato também que em menos de um ano de vida, o Ninho de Pássaro já está com a pintura descascando, é um lugar triste, no morto do inverno. Assim como o estádio, uma réplica metálica da arena custa caro - cerca de 4,800 yuan (mais ou menos US$700). Como não poderia deixar de ser, você pode encontrar produtos mais baratos nas mãos de vendedores ambulantes fora do estádio -falsificados é claro. Do lado de dentro, o público é avisado para não comprar produtos piratas enquanto pagam até 200 yuan (mais ou menos US$30) para tirar fotografias vestido com os uniformes oficiais dos Jogos, em cima do pódio, segurando um buquê de rosas em um mão e acenando com uma tocha olímpica com a outra. O Cubo da Água, local onde o nadador americano Michael Phelps fez história ao ganhar oito medalhas de ouro, será convertido em um parque aquático e centro de natação e muitos assentos serão removidos. O estádio de tênis hospedará o China Open e depois o lucrativo evento da WTA-ATP. Dennis Howard, professor de negócios da Universidade de Oregon e especialista em marketing esportivo, disse que estádios importantes nos Estados Unidos não se pagam e sugeriu que não seria diferente na China. "O único caminho para construir um justificação econômica está na habilidade da instalação ... de organizar eventos capazes de que atrair novo dinheiro para a economia de Beijing ou da China'' - disse Howard à Associated Press. "Estes teriam que ser eventos internacionais capazes de atrair milhares de turistas estrangeiros. A pergunta chave é se um plano foi formulado para hospedar vários eventos desta magnitude.'' Aparentemente existe tal plano. Mas, até agora, ainda não funcionou. De acordo com a empresa que faz a gestão do Estádio, o plano de operação pede renda anual de 200 milhões de yuan (mais ou menos US$30 milhões) para cobrir gastos com manutenção e outras despesas, produzindo um lucro mínimo. "É um estimativa otimista que o investimento seja recuperado em 30 anos''- disse um porta-voz da Citic que também realçou o fato de que as negociações de naming rights não estão sendo levadas adiante, em parte, devido à diminuição da velocidade da economia chinesa pós crise e, por causa, da natureza icônica do estádio. "Muitas companhias mostraram interesse em nomear o Estádio, mas nós não aceitaremos ofertas, pois acreditamos que o público chinês se oporia. Porém, é possível que nós possamos ainda buscar patrocínio individual para jogos, eventos, apresentações ou áreas dentro do estádio. Estes patrocínios não excluiriam companhias estrangeiras. Nós devemos considerar o sentimentos da população chinesa e procurar caminhos para explorar o valor da marca e preservar o espírito e legado do Jogos. O estádio é sem igual comaprado a outros estádios olímpicos. O segredo será a habilidade de explorar este recurso intangível. O Ninho do Pássaro é especial, porque não é simplesmente um estádio para uma edição olímpica, mas também um símbolo de orgulho nacional e esperança'' - disse a empresa. Em outros países, o Ninho do Pássaro poderia ser classificado como um elefante branco - um possessão cara com valor comercial pequeno. Mas na China, o governo e a mídia não vão anunciar este fato e os cidadãos nunca saberão o custo real das despesas mensais do Ninho de Pássaro. "É claro o IOC não quer elefantes brancos. Nós pagamos um preço por isto. Nosso produto é imagem. Você tem que cortar tudo que for negativo para a imagem do Movimento Olímpico. "Eu não sei se isto é algo que custará aos chineses muito dinheiro ou não. A China deve ter calculado os risco de uma construção daquela mafnitude antecipadamente, porque eu não encontrei nenhum pequeno detalhe que os chineses não tenham calculado ou pensado'' - disse Hein Verbruggen, que encabeçou a Comissão do Comitê Olímpico Internacional para o Jogos de Beijing, em entrevista à Associated Press.

Redação Sport Marketing