13 de nov de 2008

Mercado: Crocs fecha fábrica no Brasil

A fabricante das sandálias coloridas Crocs anunciou um prejuízo de US$ 148 milhões (US$ 1,79 por ação) no terceiro trimestre deste ano, contra um lucro de US$ 56,5 milhões (US$ 0,66 por ação) no mesmo período do ano passado. Entre as decisões da empresa para se ajustar à queda de desempenho está a de fechar a fábrica no Brasil no quarto trimestre. "Nosso desempenho ficou abaixo das expectativas e continuou a sentir o impacto das condições extremamente difíceis do varejo nos EUA e na Europa no terceiro trimestre" - disse o presidente e executivo-chefe da empresa, Ron Snyder. O realinhamento planejado pela empresa para se adequar às condições difíceis que enfrenta envolverá um esforço para consolidar os centros de armazenagem e distribuição,a redução de estoques e o fechamento da unidade de produção no Brasil, diz um comunicado da empresa. Em julho de 2007, a Crocs montou uma fábrica em Sorocaba (SP). Por aqui, o modelo mais básico custa cerca de R$ 70. A receita da empresa no trimestre até setembro ficou em US$ 174,2 milhões, contra US$ 256,3 milhões no mesmo trimestre do ano passado. Para o quarto trimestre deste ano, a expectativa da Crocs é de receitas entre US$ 100 milhões e US$ 120 milhões e de uma perda por ação de US$ 0,50 a US$ 0,65. Nos Estados Unidos, onde o calçado foi lançado oficialmente, os criadores do modelo imaginavam, inicialmente, desenvolver um sapato para ser usado em barcos, por velejadores, devido ao seu solado antiderrapante (feito em resina) e que não marcava o deck. Mesmo voltados para esse mercado específico, os tamancos de plástico colorido logo viraram moda nos EUA e em 2003 já eram vendidos ao redor do mundo. Atores de Hollywood e celebridades, aliás, ajudaram a impulsionar a moda, se declarando fã do produto cheio de furinhos, preso na parte de trás do pé por uma alça, que deixa o calcanhar de fora. A marca também virou moda entre os atletas de vôlei de praia (ler matéria arquivo Sport Marketing: Crocs fecha contrato de naming rigths com AVP).

Redação Sport Marketing

Ministro apresentará propostas para esporte olímpico

O ministro do Esporte, Orlando Silva, entregará ao presidente Lula, em dezembro, propostas para aperfeiçoar o esporte olímpico. O anúncio foi feito na Câmara dos Deputados, onde o ministro participaria de audiência pública para fazer o balanço sobre o desempenho brasileiro nos Jogos Olímpicos de Beijing. "Foi o próprio presidente Lula quem pediu o estudo. Pretendemos estabelecer, por exemplo, metas para reforçar as gestões das federações esportivas, incentivar a contratação de técnicos qualificados para a preparação dos atletas; queremos incentivar a participação e os bons resultados em outras competições, sejam nacionais ou mundias" - antecipou o ministro. Segundo Orlando Silva, as metas serão pontuadas, de acordo com o cumprimento de cada uma, ganha-se mais ou menos investimentos. "É uma forma justa de premiar aqueles que alcançam bons resultados e valorizar as conquistas, sejam elas traduzidos em medalhas olímpicas ou em vitórias em outras competições", acrescentou. Com as propostas executadas, Orlando Silva acredita que em 2016 o Brasil possa estar entre os 10 países com melhor desempenho nas olimpíadas. Este ano o Brasil ficou na 23º colocação. A audiência na Comissão de Turismo e Desporto, entretanto, não aconteceu porque a Ordem do Dia começou mais cedo. O debate, com a presença também do presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Nuzman, foi adiado para o dia 26 de novembro.

Redação Sport Marketing

Nike fecha acordo com Universidade de Memphis

A Universidade de Memphis anunciou que o departamento atlético fechou um concordo de 5 anos com a Nike. O contrato com a fabricante americana de materiais esportivos foi de US$11.3 milhões. A Nike proverá tênis, vestuários e equipamentos para todos times da universidades. O diretor do departamento de esportes da Universidade, R.C. Johnson disse que dadas as condições econômicas atuais e o custo crescente para operar departamentos atléticos, é imperativo ter companheiros corporativos como Nike. A Universidade sempre foi responsável pelos uniformes e equipamentos dos times que, agora, serão equipados pela Nike, livrando a Universidade dos altos custos.

Redação Sport Marketing

A 'sorte' olímpica de Londres

Em 2012, Londres entrará para a história olímpica como a única cidade na sediar três edições dos Jogos. Mas, também é verdade, que em todas as vezes, a capital da Inglaterra sofreu com problemas externos e internos para realizar o evento. O livro Ouro Olímpico - a história do marketing dos aros (selo COB-Cultural), escrito pelo Superintendente Executivo do COB, Marcus Vinicius Freire e pela jornalista Deborah Ribeiro, destaca que em 1908, "Londres estabeleceu padrões de organização e produção dos Jogos futuros, abrindo um novo capítulo na história olímpica. Londres não tinha dinheiro, mas o Comitê Organizador dos Jogos persuadiu as autoridades da Feira Franco-British Exhibition a construírem um estádio completo com pistas de ciclismo e atletismo, piscina, vestiários e arquibancadas. A Feira pagaria por tudo isso, a um custo de não menos que £44,000, sendo £2,000 referentes aos custos preliminares seriam sob a responsabilidade da Associação Olímpica britânica. Em contra-partida a Franco-British Exhibition receberia 75% da arrecadação de bilheteria. Este notável contrato – do ponto de vista Olímpico - foi assinado por ambas as partes em 14 de janeiro 1907. Algumas fontes sugerem que o custo real de construção das instalações do estádio de Shepherds Bush subiu, tempos depois para £60,000 e, posteriormente, para £220,000 e que a parte da Associação Olímpica britânica ficou em £20,000. O problema seguinte a ser enfrentado foi conseguir capital para as despesas do dia a dia dos Jogos. Uma promoção pública foi lançada, mas ao final de junho só £2,840 haviam sido recolhidos graças a 200 assinantes, a maior parte deles amigos pessoais de Lord Desborough um intelectual da época que tinha forte influência no Comitê Organizador. Faltando duas semanas para o começo dos Jogos, £10,000 faltavam no orçamento para prover as acomodações apropriadas para os competidores. Lord Northcliffe, dono do Daily Mail, um jornal da época, foi abordado por Lord Desborough e relutantemente concordou que seu grupo de jornais patrocinasse um apelo final. A resposta foi fenomenal e doações de todos os cantos da Inglaterra, assim como do exterior chegaram. O Príncipe do País de Gales, o Maharajah Cooch Behar, e o milionário Americano, Cornelius Vanderbilt enviaram doações. Eugen Sandow, deu £1,500, o Governo francês enviou £680, o dançarino clássico Maud Allan fez uma apresentação especial e doou a quantia arrecadada e centenas de doações de valores menores vieram dos leitores dos jornais de Lord Northcliffe. Em uma semana mais de £12,000 foram arrecadadas e os jornais tiveram que implorar aos leitores para não enviar mais dinheiro. A arrecadação total foi de £21,500, sendo que as doações chegaram a um total de £16,000. A despesa incorrida pelos Jogos de 1908 foi de aproximadamente £15,000. Quando os Jogos retornaram a Londres em 1948, a cidade se recuperava das desvastações da guerra. O Comitê Organizador não teve que construir nenhuma obra ou arena. A guerra também trouxe uma mudança completa de valores, acentuada por faltas de materiais e altos custos. A comida fornecida para os atletas veio de variadas fontes. Algumas nações trouxeram comida para o próprio consumo, mas tiveram também muitas doações de nações para o consumo de todos, além de presentes de organizações ou firmas da Grã-Bretanha. Trinta e seis países enviaram comida para os Jogos de Londres, chegando a 160 toneladas. Os artigos eram variados, mas consistiam principalmente de carne, ovos, gorduras e açúcar. O total de comida importada pelas seleções nacionais para uso próprio foi de aproximadamente 300 toneladas. Depois dos Jogos, cerca de 80 toneladas de comestíveis sobraram nos depósitos e foram distribuídas nos hospitais londrinos. Pela primeira vez na história dos Jogos foi assinado um seguro contra o risco dos Jogos serem adiados a qualquer momento e outros seguros com relação a coberturas contra danos de pessoal, riscos, públicos e de terceiros, perda ou dano para equipamento, iates e mortes de cavalos. Anos mais tarde grandes empresas seguradoras como a John Hancock e posteriormente a Manulife fariam parte do programa de marketing do International Olympic Committee - Comitê Olímpico Internacional (COI). A renda estimada foi baseada na venda de ingressos, venda de direitos de tv, programas, concessões de comércio, venda de equipamentos depois dos Jogos etc. Entre as despesas gerais se considerou bilheteria, contabilidade, honorários de advogados, revezamento da tocha, equipamentos técnicos, transportes para o Comitê Organizador, impressão e estacionamentos, serviços médicos, telefones e instalações, trabalhos temporários e substituições, compensação para o Estádio de Wembley, salário de pessoal, manutenção das arenas, seguro, recepção e entretenimento do Comitê Organizador, equipamentos do time britânico, contribuição para o Comitê Olímpico Internacional e uma quantia marginal para despesas diversas, além de um orçamento independente preparado relativo à hospedagem, alimentação e transporte das delegações. A empresa Messrs. Kemp Chatteris & Cia., que tinha sido contratada para fazer a auditoria dos Jogos, trabalhou próximo ao Comitê Organizador e cuidou de toda a contabilidade. Em 1948, despesa dos Jogos totalizou aproximadamente £732,000 e incluíram o custo de hospedagem, alimentação e transportes das delegações que foram à Inglaterra. A arrecadação foi de aproximadamente £762,000. Respeitando as regras do COI, muitas formas de se conseguir recursos não foram permissíveis, por exemplo, a inclusão de anúncios nos panfletos e programas dos Jogos. Deve-se lembrar que o Comitê Organizador não teve que construir nenhuma obra ou arena e pôde usar os locais de competições sem custos." A quatro anos de Londres receber os atletas de todo o mundo, a crise financeira que assola o planeta anuncia que o LOCOG - London Organizing Committee Olympic Games - Comitê Organizador dos Jogos de Londres terá pela frente a difícil missão de tornar os Jogos viáveis, contornar as questões econômicas e não decepcionar a comunidade olímpica, já que Beijing pode ser considerado um exemplo de organização e retorno financeiro positivo. Não é à toa que a ministra britânica,Tessa Jowell, que recentemente esteve no Brasil, reconheceu à imprensa inglesa que o Reino Unido não se teria candidatado aos Jogos Olímpicos de 2012 se tivesse podido prever a atual crise financeira. "Se tivéssemos sabido o que sabemos hoje, teríamos candidatado aos Jogos Olímpicos? É quase certo que não" - declarou Jowell durante um jantar, afirma a edição de hoje do “Telegraph”. Responsáveis do Banco de Inglaterra disseram ontem que a economia britânica já terá entrado em recessão, apesar dos economistas não poderem confirmar esta suspeita antes do início de 2009. O reflexo disso já se sente na organização dos Jogos. O governo britânico reduziu algumas despesas para assegurar que o projeto cumpra o orçamento previsto. Apesar desta situação, vários ministros, como Tessa Jowell, defendem que os investimentos ligados aos Jogos Olímpicos ajudarão a economia nacional. Na sequência da notícia do “Telegraph”, a ministra divulgou um comunicado onde garante ter previamente, em vários momentos, "observado que 2012 foi postulado num dado clima econômico e que hoje se vive outro". "Se a amplitude da degradação pudesse ter sido antecipada, estou certa de que se teria estimado que este não seria o momento para assumir importantes despesas públicas num projecto como os JO" - acrescentou. Boris Johnson, prefeito de Londres, rebateu as declarações da ministra insistindo que os Jogos de 2012 vão "suavizar o impacto da crise, já que Londres será o lugar em toda a Inglaterra que mais sofrerá". "No clima econômico atual, eu creio que Londres é extremamente afortunada por hospedar os Jogos em 2012" - disse Johnson. Ken Livingstone, ex-prefeito londrino, que em 2005 ganhou a candidatura acredita que os Jogos podem protelar o "impacto catastrófico da crise". Já Andrew Boff, porta-voz do grupo da Assembléia Conservadora, solicitou que a ministra renuncie e volte atrás nas declarações. "Em um clima econômico onde o trabalho do governo em atrair investimento privado para financiar os Jogos já é duro, a ministra declarar, publicamente, que a candidatura foi um engano é totalmente irresponsável. Por que o setor privado deve, então, investir milhões nas instalações olímpicas se a ministra responsável não tem nenhuma confiança na viabilidade em longo prazo? Se Tessa Jowell não crê nos Jogos Olímpicos, então ela devia renunciar." - desabafou indignado o membro da Olympic Delivery Authority (ODA). "O propósito fundamental de ter os Jogos em Londres é trazer regeneração para áreas que sofrem de declínio econômico a longo prazo." - comentou Jowell, ao jornal britânico The Guardian. "O que você pode ver é como os Jogos realmente estão operando a regeneração econômica para esta parte de Londres." - acrescentou. Os £9.3bn previstos para os Jogos triplicou com relação às estimativas iniciais e as pressões de uma baixa nos custos está apertando tanto o governo quanto as empresas privadas. “É potencialmente precioso um evento como este para a economia de um país em período de dificuldades econômicas." - concluiu a ministra.

Deborah Ribeiro - Diretora Sport Marketing