16 de ago de 2008

Tyson Gay fracassa no Ninho de Pássaro

Para as provas de atletismo a Adidas apostou as fichas no norte-americano Tyson Gay que decepcionou logo nas semifinais, frustrando o esperado duelo com os jamaicanos Usain Bolt e Asafa Powell na final dos 100 metros rasos. Tyson Gay, que até então era o campeão mundial da prova e se recupera de contusão muscular, ficou fora da festa junto da prova mais nobre do atletismo, junto com a Adidas, que o patrocina desde 2005 e, por tabela, junto com a Nike, patrocinadora da delegação olímpica americana em Beijing. Além da Adidas, Tyson Gay, cuja carreira é administrada pela agência Global Athletics & Marketing (GAM), também conta com o patrocínio da Sega e Omega, desde 2007 e Alltel Wireless e McDonald's, desde 2008. Entre todos as empressas que assinaram contrato com Tyson Gay, a Adidas foi a que desenvolveu uma campanha diferenciada. A empresa alemã, desenvolveu um uniforme para um anúncio que era uma réplica do uniforme usado pelo velocista americano Jesse Owens nos anos 30. A Adidas, que nos Jogos de 1936, em Berlim, deu a Jesse sapatilhas que o ajudaram a ganhar o ouro olímpico em plena Alemanha nazista, fez um paralelo entre Tyson e Owens. Apenas endossos, ações publicitárias e patrocínio da Adidas, Tyson Gay irá ganhar mais de US$2 milhões neste ano olímpico. A Omega assinou um contrato mundial com o atleta americano e está elaborando uma campanha para incorporar a imagem do atleta no marketing da empresa. Já o contrato entre Tyson e o McDonald's é apenas para dentro dos Estados Unidos, com a opção de se tornar um patrocínio global. A rede de fast food, que também é patrocinadora do programa de marketing TOP do IOC- International Olympic Committee - Comitê Olímpico Internacional (COI), fechou o contrato com o atleta em junho e irá usar a imagem dele para promoções dos produtos da rede, como os sanduíches de frango. Gay irá aparecer em comerciais e anúncios ao lado de outro atleta patrocinado pela marca, o ginasta Shawn Johnson, a levantadora de peso Melanie Roach, o nadador Ryan Lochte, ciclista de BMX Donny Robinson. Resta saber, se após o decepcionante desempenho em Beijing, Tyson Gay continuará com a carteira cheia! Na disputa da prova mais rápida do atletismo, sem Tyson Gay em perfeitas condições, a Puma deixou para tráz Adidas e Nike. No Estádio Nacional, popularmente conhecido como 'Ninho de Pássaro', a fabricante de materiais esportivos patrocinadora da Jamaica Olympic Association (JOA) - Associação Olímpica Jamaicana, brilhou com Usain Bolt, recordista da prova com 9s69 (ler matéria arquivo Sport Marketing - Usain Bolt, o puma mais rápido do mundo).

Deborah Ribeiro - Diretora Redação Sport Marketing - Beijing 2008

O centésimo de glória da Omega em Beijing

O momento glorioso de Michael Phelps na história olímpica foi também o grande momento da Omega, empresa do Grupo Swatch, nos Jogos Olímpicos de Beijing, patrocinadora TOP do IOC - International Olympic Committee - Comitê Olímpico Internacional
(COI). Michael Phelps igualou o feito de Mark Spitz ao ganhar a sétima medalha de ouro conquistada em uma mesma edição olímpica, por um centésimo (0s01) à frente do sérvio Milorad Cavic, que teve que se conformar com a prata e desferiu o seguinte comentário: "Todos sabemos que a tecnologia é imperfeita, é possível que o sistema de cronometragem não tenha funcionado direito". A diferença de um centésimo na decisão dos 100 metros borboleta entrou para a história olímpica não apenas pelo feito de Michael Phelps ou pela falta de sorte do sérvio, mas por ter sido a menor margem de vitória dos registros da natação olímpica da era moderna. O centésimo mais cruel e mais brilhante da história dos Jogos Olímpicos. De acordo com o porta-voz da FINA, Cornel Marculescu, o vídeo foi revisado em até 10 milésimos de segundo e demonstra que Phelps venceu a prova, embora FINA tenha se negado a divulgar na imprensa a foto photo-finish do centésimo cruel.Apesar do depoimento do medalhista de prata, a precisão suíça da Omega e a tradição olímpica da marca é incontestável. Só mesmo a tecnologia suíça da Omega seria capaz de detectar tão sublime diferença. O grupo Swatch está envolvido com o desenvolvimento tecnológico dos Jogos Olímpicos desde os Jogos de 1932, em Los Angeles, quando a cronometragem semi-elétrica, precursora do atual sistema de medição de tempo eletrônico, foi utilizada pela primeira vez nos Jogos, embora, na época, ninguém acreditasse naqueles montes de fios e válvulas e, a cronometragem tenha sido manual mesmo. A empresa Omega iniciava então, a parceria com os Jogos Olímpicos, fornecendo cronômetros para todas as competições. Outra tentativa de inovação em Los Angeles foi o sistema de cronometragem semi-elétrico associado ao photo-finish. Nos Jogos de 52, a Omega tornou-se a primeira empresa a se utilizar do sistema eletrônico de cronometragem, que então foi homologado pela International Amateur Athletics Federation – Federação Internacional de Atletismo. Nos mesmos Jogos, a Omega ganhou a Cruz Olímpica de Honra ao Mérito pelos excepcionais serviços prestados ao mundo do esporte. A Cruz, com os aros olímpicos, seria amplamente utilizada como uma forte ferramenta de marketing e publicidade nos anos seguintes. O livro Ouro Olímpico - a história do marketing dos aros destaca a trajetória e a importância da marca para o desenvolvimento tecnológico dos Jogos Olímpicos. A Omega é tão respeitada dentro do IOC - International Olympic Committee - Comitê Olímpico Internacional (COI) que é a única marca, entre todos os doze patrociandores do programa de marketing do TOP do COI, que tem direito a deixar a marca nos sistemas de cronometragem de tempo dentro das arenas olímpicas como placares eletrônicos. A marca é visível nas transmissões de televisão nas raias das piscinas, nas pistas de atletismo, além de assinar os placares e resultados das telas de informações que ilustram as transmissões de tv. Quando os Jogos chegarem a Londres em 2012, a Omega estará completando 25 participações em edições dos Jogos Olímpicos prestando relevantes e importantes serviços ao Movimento Olímpico (ler matéria arquivo Sport Marketing - Omega lança edição limitada de relógios olímpicos; Omega inaugura pavilhão em Beijing).

Deborah Ribeiro - Diretora Sport Marketing - Beijing 2008

Depois do ouro, Cielo pensa em McDonald´s e em devorar títulos

Eu vou confessar que chorei também. Na minha trajetória como jornalista cobrindo mega eventos esportivos e Jogos Olímpicos desde 1992, Barcelona, esta foi uma das poucas vezes que a conquista de um atleta me emocionou profundamente. Nem as sete históricas medalhas de ouro olímpicas do fenômeno da natação Michael Phelps emocionou tanto quanto a única medalha de ouro de Cielo. Diga-se de passagem, nem o próprio Michael Phelps se emocionou com ele mesmo até agora! Mas, as lágrimas de Cesar Cielo, no lugar mais alto do pódio do Cubo D'água me transbordaram de alegria, de satisfação e de orgulho em ser brasileira, de felicidade e de esperança. O esporte tem essa força, o poder de transportar sentimentos, lembranças, transmutar sentimentos. Paulista, 21 anos, o anúncio do nome do nadador Cesar Cielo, instantes antes dele ocupar o merecido degrau mais alto do pódio, soou como música aos meus ouvidos e, certamente, aos ouvidos dos brasileiros! Um Cielo de ouro! Um céu dourado!Após uma semana de Jogos Olímpicos, finalmente, o Brasil subiu no lugar mais alto do pódio. Ele, que já havia conquistado medalha de bronze nos 100 metros nado livre (ler matéria arquivo Sport Marketing - Cielo agradece medalha aos patrocinadores e ao 'paitrocinador'), se esvaiu em lágrimas ao se tornar o primeiro nadador do país a ganhar o ouro olímpico e de quebra, ainda superou o recorde olímpico que ele mesmo batera na semifinal, ao marcar 21s30 na decisão. Cielo é, agora, o maior nadador olímpico do país, tendo superado os ídolos Gustavo Borges e Fernando Scherer, o Xuxa, que além de amigo, também o está agenciando (ler matéria arquivo Sport Marketing - Xuxa vira gestor de atletas). Cielo, que tornou-se o décimo campeão olímpico brasileiro, quebrou também um jejum da natação brasileira que não conquistava nenhuma medalha olímpica desde Sydney-2000, com o bronze do revezamento masculino 4x100 metros livre. Nem a medalha trocada, por um erro de protocolo entregaram a ele uma medalha correspondente à prova feminina, tirou o brilho e a emoção do momento máximo da vida deste atleta que já recebeu convites para nadar na Itália, Austrália, Miami, mas que ainda não se decidiu. Por hora ele volta para o Brasil e fica até dezembro. Cielo, nadador do Clube Pinheiros de São Paulo nos torneios nacionais, treina atualmente na Universidade Auburn, no Estado norte-americano de Alabama. "Queria agradecer aos meus técnicos, patrocinadores e minha família. Acredite que tudo é possível. Tem que desistir de muita coisa, mas vale a pena" - finalizou. Do 12° lugar, passando pelo quinto e chegando à vice-liderança do ranking de 50m de piscina longa da Federação Internacional de Natação. Essa foi a trajetória de César Cielo em apenas três dias de disputas em Beijing. "Eu quero passar no McDonald's agora" - disse Cielo, no estacionamento do Cubo D'água, ainda rodeado de jornalistas. Cielo, sem sombra de dúvidas, é um ótimo nome para a lista de patrocinados da rede de fast food McDonald´s, a marca que está no boca dos atletas de todo o mundo e a fome de Cielo por medalhas e por devorar títulos e marcas está apenas começando! Com o dinheiro da fabricante de eletroeletrônicos Samsung, mais o incentivo que recebe da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT), por meio da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, e o salário pago pelo Esporte Clube Pinheiros de São Paulo, onde treinou antes de ir para os Estados Unidos, há dois anos, Cielo somava R$ 30 mil mensais em patrocínios até o início dos Jogos Olímpicos.

Deborah Ribeiro - Diretora Sport Marketing - Beijing 2008

Usain Bolt, o puma mais rápido do mundo

Ágil, arisco, com grande capacidade de impulso, fortes e vigorosas pernas, excelente visão e audição. O desempenho de Usain Bolt no 'Ninho de Pássaro' foi de um genuíno puma. Não foi à toa que a marca alemã de materiais esportivos, a Puma, patrocinadora de Usain Bolt e da Jamaica Olympic Association (JOA) - Associação Olímpica Jamaicana, presentou o atleta com um par dourado de sapatilhas. Bolt fez por merecer, retribuiu o presente à altura, mostrando as sapatilhas mais rápidas do mundo para todas as emissoras de televisão do mundo, ao tornar-se o homem mais rápido do planeta. Na disputa dos 100m dos Jogos Olímpicos de Beijing contra o compatriota Asafa Powell, Usain marcou 9s69, pulverizando a marca anterior que era de 9s72. A medalha de prata ficou com Richard Thompson, de Trinidad e Tobago, lá atrás com 9s89. Em terceiro cruzou o norte-americano Walter Dix, marcando 9s91. Asafa Powell repetiu o decepcionante quinto lugar de Atenas-2004 com 9s95. Não fez questão de mostrar as sapatilhas Nike Zoom Aerofly desenvolvidas especialmente para ele correr em Beijing. Bolt tem como especialidade os 200m, prova que ainda vai disputar. Esta é a segunda participação olímpica dele. Em Atenas-2004, Bolt correu apenas os 200m, porém não passou nem das eliminatórias. De lá para cá, conquistou o vice-campeonato mundial dos 200m e surpreendeu o mundo, em maio, ao bater o recorde da prova mais veloz do atletismo, marcando 9s72, em Nova York. Já Powell fracassa em mais uma tentativa de título olímpico. Quatro anos atrás, ele chegou como favorito, mas também não subiu no pódio. Usain Bolt, com as sapatilhas douradas, foi o responsável pelo grande momento da Puma nos Jogos Olímpicos de Beijing, empresa rival da também alemã Adidas, patrocinadora oficial local dos Jogos e da norte-americana Nike, patrocinadora do USOC - United States Olympic Committee - Comitê Olímpico dos Estados Unidos (ler matéria arquivo Sport Marketing - Nike estende patrocínio com USOC; Nike apresenta uniformes da China; Nike lança PreCool Vest só para atletas; Nike lança nova linha alinhada com Jogos Olímpicos), cuja delegação sempre teve tradição nas provas de atletismo. Com a meta de não ficar do lado de fora do atletismo e do maior espetáculo do esporte do planeta, a Puma montou como estratégia de marketing, patrocinar as delegações olímpicas da Jamaica, Suécia e Marrocos. A primeira ação da marca foi lançar máscaras que evocam as máscaras da tradicional ópera de Beijing e usar a imagem de Usain Bolt nos anúncios e convites que foram enviados para jornalistas. Outra ação da fábrica alemã de materiais esportivos foi o lançamento de coleção de cinco 'mascotes' colecionáveis chamados "Beijing-Jian" Yokas (foto) que representam as nações patrocinadas pela Puma nos Jogos de Beijing. Além do patrocínio da Puma, a delegação jamaicana, composta por 57 atletas, também conta com o suporte da gigante empresa de telecomunicações Digicel, National Commercial Bank (NCB) e Singer. A Puma recentemente abriu 880 lojas na China e, como todas as marcas envolvidas com os Jogos Olímpicos, pretende que o mega evento ajude a impulcionar as vendas e divulgar a marca no país. As vendas da Puma dobraram desde que a empresa alemã se instalou no mercado chinês dois anos atrás. Também faz parte da estratégia de marketing da Puma abrir frente de mercado na África e para tal, a empresa está investindo forte em patrocínio, visando a Copa do Mundo de 2010, que será realizada na África do Sul (ler matérias arquivos Sport Marketing - Puma segue marcando território na África; Puma aposta na África; Puma lança tênis temático; A guerra das marcas nos gramados; Relógios Puma vende mais no Brasil).

Deborah Ribeiro - Diretora Redação Sport Marketing - Beijing 2008

A supremacia Phelps - medalhas 6 e 7 - o toque de Midas

Michael Phelps tem toque de Midas. Assim pode ser traduzida em palavras a histórica conquista da sétima medalha de ouro de Phelps nos Jogos Olímpicos de Beijing, vitória que lhe garantiu o 'bônus' de US$ 1 milhão da Speedo, além de um lugar cativo no Olimpo entre os heróis dos Jogos Olímpicos da Era Moderna. Dono de uma envergadura de mais de 2. metros, tornozelos extraordinariamente flexíveis, pernas mais curtas e leves que o normal, trapézio excepcionalmente estruturado e dedos finos e longos o bastante para serem quase que mágicos, capazes de transformar em ouro o que tocam, Phelps tocou no dispositivo Omega um centésimo de segundo (0s01) à frente do sérvio Milorad Cavic e, como um perfeito alquimista, transmutou prata em ouro, o sétimo ouro em Beijing. O feito épico o igualou a outro mito da natação, Mark Spitz, que nos Jogos de 1972, em Munique, ganhou sete medalhas douradas e que também foi um fenômeno de marketing nos anos seguintes. Aos 23 anos, Michael é um jovem milionário, com promessa de tornar-se bilionário em breve. Ao conquistar a sétima medalha de ouro, Phelps garantiu na conta US$ 1,325 milhão (R$ 2,174) entre premiações de patrocinadores, do Comitê Olímpico dos Estados Unidos e da Federação Internacional de Natação (FINA). Uma quantia que ainda pode aumentar, caso o fenômeno da natação do século XXI ganhe o oitavo ouro no revezamento 4x100 medley. Midas, Michael Phelps é realmente o Midas do esporte, o Netuno das piscinas. Em Atenas, sagrou-se príncipe e já transmutava as esperanças olímpicas em títulos de ouro - faturou seis medalhas no berço dos Jogos e recebeu a bênção dos deuses mitólogicos. A partir de então, não parou mais de vencer. Vence tanto, que o lugar mais alto do pódio não o emociona mais. Subiu sete vezes no pódio de Beijing e não deixou cair nenhuma lágrima de emoção. Sempre concentrado no próximo objetivo a ser batido, no próximo ouro a ser conquistado, Phelps guardou displicentemente, no bolso do roupão Speedo, a sexta medalha conquistada nos 200 metros medley, prova na qual quebrou o 31° recorde mundial da carreira em Beijing, pois tinha que se apresentar na piscina para a semifinal dos 100 metros borboleta. Antes de chegar ao outro lado do mundo e marcar presença americana nas águas chinesas, Phelps arrecadava cerca de US$ 5 milhões anuais em patrocínio. Além do patrocínio da Speedo, Visa, AT&T e Hilton, o nadador também ganha US$ 25 mil (R$ 41 mil) do Comitê Olímpico dos Estados Unidos por cada medalha olímpica e outros US$ 25 mil da FINA por cada recorde mundial quebrado. Em Beijing, até aqui, ele já bateu seis recordes. Phelps parte agora para a oitava medalha de ouro em Beijing. O garoto norte-americano soma até aqui 15 medalhas conquistadas - 13 de ouro e duas de bronze (estas últimas em Atenas). Está a apenas três medalhas da líder do ranking em Jogos Olímpicos, a ginasta da URSS, Larissa Latynina que soma 18 medalhas olímpicas e igualou-se ao segundo, o também ginasta soviético Nikolay Adrianov. Em Beijing, Phelps já pulverizou o recorde de medalhas de ouro na totalidade de participações em Jogos Olímpicos. Seria mal do nome? Michael Phelps, Michael Schumacher, Michael Jordan, Michael Johnson... todos obcecados pela vitória, atletas predestinados ao ouro, sedentos pela glória, todos Michaels, Midas do esporte mundial (ler matéria arquivo Sport Marketing - Quanto vale Michael Phelps - o rei das piscinas?).

Deborah Ribeiro - Diretora Sport Marketing - Beijing 2008