10 de fev de 2008

Associação Olímpica Britânica inclui cláusula nada boa para atletas que vão a Beijing

A história nos mostra que o espírito olímpico tem muito mais do que sete vidas. Na Antiguidade Grega, o espírito olímpico foi capaz de instaurar a trégua olímpica, que impedia as guerras entre as cidades estado gregas dias antes e durante os festivais olímpicos. Na Era Moderna, o mesmo espírito sobreviveu a duas guerras mundiais, se manteve incólume diante à manipulação política de Hitler, não se maculou com atentados terroristas como o de Munique 1972, permaneceu ileso frente aos boicotes e, mesmo após os casos de doping que estouraram em Montreal 1976 e seguem até a atualidade, o espírito olímpico segue na luta com valores intactos. Mas, em Beijing 2008, a questão do direitos humanos e a linha dura do governo chinês será um novo desafio a ser vencido. Nesta última semana, a BOA - British Olympic Association - Associação Olímpica Britânica, acrescentou no contrato dos atletas que vão competir em Beijing uma nova cláusula, na qual os mesmos se comprometem em não comentar questões "delicadas sobre política" durante os Jogos. Os atletas que quebrarem o contrato poderão voltar mais cedo prá casa. Segundo a BOA, os atletas estão livres para responder quaisquer perguntas, mas não devem usar os Jogos como uma forma de manifestar pontos de vistas e preocupações políticas. A decisão da BOA, não está sendo levada tão na boa assim pelos atletas, esportistas e pela mídia. "A verdade é que, dado o nível de controle político do mundo da mídia sobre estes Jogos e a forma com que a China irá lidar com isso, a BOA sentiu que era razoável e adequado sinalizar regras para os nossos atletas" - declarou o diretor de comunicações da British Olympic Association, Graham Mewson. A Cláusula 4 do contrato criado para os atletas do Reino Unido vinculados à BOA classifica como punitivas quaisquer tentativas feitas por atletas ao se pronunciaram contra Beijing ou até mesmo declarações sobre algum tipo de abuso que tenham testemunhado pessoalmente, como sendo uma violação da seção 51 do Carta Olímpica, que proíbe que os Jogos sejam usados como uma plataforma para manifestações ou disseminação de propaganda "política, religiosa ou racial". Aqui vale uma ressalva: esta cláusula da Carta Olímpica foi essencialmente criada pós a Segunda Guerra Mundial, destinada a evitar que países tentem promover ideologias ou grupos ideológicos usando os Jogos como ferramenta de propaganda, como fez Hittler em 1936. Ou seja, não tem nada a ver com repressão aos direitos de expressão do atleta. Em janeiro, os atletas da Bélgica e da Nova Zelândia também foram "informados" sobre a proibição de falar sobre direitos humanos ou de outras questões políticas nos eventos olímpicos. Entretanto, fora dos locais de competição e da Vila Olímpica, eles serão livres para declarar o que quiserem. Por outro lado, países como Estados Unidos, Canadá, Finlândia e Austrália, já se comprometeram em permitir que os atletas atuem dentro dos fundamentos da própria consciência ao pronunciarem-se. Graham Mewson ressaltou que a BOA está tomando essa atitude por causa do governo da China que é considerado muito sensível a críticas sobre questões como direitos humanos e sobre o Tibete. O contrato assinado pelos atletas do Reino Unido contém 32 páginas e em 20 anos de existência da BOA, esta é a primeira vez esse tipo de cláusula é adicionada. "Um atleta que decide levantar a camisa da equipe e mostrar uma "Free Tibet " que estiver abaixo do uniforme é uma questão diferente", disse Mewson. Várias entidades políticas, órgãos de defesa dos direitos civis, órgãos de imprensa já estão se movimentando contra a lei da "mordaça" e, como consequência, o secretário-geral e diretor-executivo da BOA, Simon Clegg disse que aceita estudar a alteração da cláusula e acrescentou que "limitar a liberdade de palavra dos atletas não era a intenção". Aqui, entretanto, vale lembrar um episódio histórico que não sai da memória de toda a população do Reino Unido. Há 70 anos, no dia 14 de maio de 1938, no Estádio Olímpico de Berlim, a equipe de futebol inglês foi "orientada" pelo Foreign Office e pela Associação Inglesa de Futebol a fazer a saudação nazista "Heil Hitler" antes do amistoso com a Alemanha. A foto dos jogadores obedecendo às ordens como carneirinhos espalhou-se pelo mundo e tornou-se uma fonte duradoura de vergonha para o Reino Unido. A pergunta que não quer calar é: o que será que os patrocinadores dos atletas e da Associação Olímpica Britânica pensam a respeito de uma cláusula como esta? A sensação que fica é que os "velhos tempos", muitas vezes não parecem tão velhos assim! Acho que nós brasileiros já vimos este filme antes. Já pensou se a moda pega?

Tiger Woods - o Barak Obama do esporte

Tiger Woods é por essência auto-comerciante, um excelente homem de relações públicas, um empresário por excelência. Em 2007, a Revista Forbes, anunciou Tiger como o primeiro na lista dos dez esportistas mais bem pagos do mundo. Em dez anos de profissionalismo Tiger já recebeu US$ 67 milhões em prêmios e outros US$ 482 milhões em patrocínios. Se Tiger continuar nesse ritmo, até 2010 será o primeiro atleta do mundo a ganhar mais de um bilhão de dólares apenas em prêmios e patrocínios. Depois da Nike, a Buick (General Mortors) é o maior patrocinador de Tiger Woods. O primeiro contrato com o golfista foi de cinco anos fechado em 1999. Em 2002, Woods esteve pessoalmente envolvido no lançamento do Rendezvous SUV, da Buick, que vendeu mais de 130 mil desses veículos entre 2002 e 2003. Em 2005, a Buick renovou o contrato com Tiger por mais cinco anos, por um total de US$ 40 milhões, para o golfista apenas continuar endossando a marca. Além da Buick, Tiger também representa marcas como: American Express; Accenture; TAG Heuer; Electronic Arts, Gillette e Gatorade. A grande expectativa do mercado é o lançamento prometido para março do "Gatorade Tiger", o primeiro produto licenciado do jogador que lhe renderá a bagatela de US$100 milhões em cinco anos. O que Tiger Woods e o candidato à Casa Branca Barak Obama tem em comum? No meu ponto de vista, ambos têm uma capacidade singular de multiplicar dinheiro! Obama arrecadou desde julho mais 19 milhões de dólares na corrida pela presidência dos Estados Unidos. Mas, existem aqueles que afirmam que ambos têm muito mais que isso em comum.