23 de dez de 2008

As contas do Pan 2007 vão parar na Justiça

A prefeitura reivindica do Comitê Organizador dos Jogos Pan-americanos 2007 - Co-Rio, o pagamento de R$ 8 milhões referente a despesas extras bancadas pelos cofres municipais para garantir a realização do evento. Apenas a prefeitura gastou cerca de R$ 1,4 bilhão. Em nota, o Co-Rio negou responsabilidade em relação à cobrança da prefeitura. A entidade de direito privado, presidida por Carlos Arthur Nuzman, que também comanda o Comitê Olímpico Brasileiro (COB), o Co-Rio informou que, de acordo com apuração dos balanços e demonstrativos de resultados, a entidade é credora do município. O Comitê alega que ainda aguarda o pagamento de convênios firmados com a prefeitura por ocasião dos jogos. Autorizada pelo prefeito Cesar Maia, que deixará o cargo no próximo dia 31, a Controladoria-Geral do Município vai incluir o Co-Rio na dívida ativa. "Há um contrato com obrigações, direitos e deveres. Neste contrato, a prefeitura tem direitos. Chegamos a um saldo de R$ 13 milhões. O Co-Rio recalculou e passou para R$ 8 milhões. Aceitamos, mas não pagaram. A prefeitura tem obrigação de inscrever em dívida ativa" - explicou Maia, que ainda ironizou a nota da entidade. "Para quem aplicou R$ 1,4 bilhão, só rindo"- disse. No total, os governos federal, estadual e municipal repassaram R$ 3,7 bilhões para garantirem a realização do Pan. O estouro foi de 793,72% a mais do que o previsto em 2002, quando a cidade ganhou o direito de sediar a competição, quando os governos registraram que gastariam apenas R$ 414 milhões. O principal pagador dos Jogos foi o governo federal, que gastou R$ 1,8 bilhão. Pelo orçamento inicial, a União não desembolsaria nem sequer 8% disso R$ 140 milhões. A prefeitura é a primeira entre os entes governamentais a cobrar na Justiça uma dívida deixada pelos organizadores dos Jogos cariocas. O Co-Rio não informou o valor do seu crédito junto ao município no comunicado. Cesar Maia admitiu que a bilionária conta do Pan atrapalhou os últimos anos de mandato. Em entrevista à Folha de S.Paulo, no domingo, disse: "Do ponto de vista da ação do governo, foi o elemento de desintegração da imagem". Ele diz ter sido obrigado a deslocar os investimentos para bancar o evento. "Perdemos qualidade, o que permitiu que a crítica ao governo, injusta, fosse absolutamente certa. A imagem ruim estava construída". O presidente do Co-Rio, Carlos Arthur Nuzman, não fez comentários.

Redação Sport Marketing