19 de nov de 2008

Record e Globo unidas contra TVs públicas

Inimigas na disputa por direitos esportivos, Rede Globo e Record, se unem quando o assunto é a cessão de direitos de eventos para emissoras de TVs públicas. A oportunidade para a convergência de idéias surgiu na audiência pública realizada na Comissão de Turismo e Desporto da Câmara, que debateu o Projeto de Lei 1878/03. Trata-se do projeto que estabelece a cessão gratuita de eventos envolvendo seleções e atletas que representem o Brasil e que não serão exibidos na TV comercial para emissoras públicas. "Hoje há no país 193 geradoras, sem falar das 597 retransmissoras, que são, em parte, pseudo-educativas, porque não produzem conteúdo educativo, usam estes canais para proselitismo, fazem comercialização publicitária fora da Lei. Será que é exatamente isso que nós queremos? Será que é a essas educativas que queremos dar esse conteúdo? O cenário mudou muito de 10 anos para cá. Naquela época, eu dizia que esporte não vivia sem a TV e vice-versa. Hoje, as TVs são reféns dos grandes eventos esportivos. Os detentores ditam as regras pelas quais as TVs competem na aquisição de direitos" - afirmou Marcelo Campos Pinto, diretor da Globo para a área esportiva. sintetizou o executivo. Ele explicou que as cláusulas exigidas pelos detentores dos eventos invariavelmente colocam a exclusividade, porque isso aumenta o preço. Depois, segundo o executivo, a comercialização é feita para todas as mídias. "E existe uma obrigatoriedade de exibição de todos estes eventos, em todas as mídias. Não existe muita flexibilidade. Nenhuma empresa hoje compra eventos para não exibi-lo, porque o custo é proibitivo", explicou. "São contratos confidenciais que exigem garantias, procedimentos e multas para os casos de desvio. As imagens dos eventos têm, por exemplo, um período de utilização e um vencimento após o evento. Além disso, nós temos que dar garantias contra o vazamento das imagens para fora da área em que somos cessionários" - disse Eduardo Zebini, diretor de esportes da Record que sugere que a TV pública busque eventos alternativos, como Universíadas (Olimpíadas Universitárias), Jogos do Exército, jogos regionais, que hoje não são exibidos. Zebini também sugeriu que a TV Brasil e o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) promovam eventos de formação esportiva e competições de divulgação de modalidades pouco difundidas.

Redação Sport Marketing