25 de nov de 2008

Americanos contra altos contratos de naming rights

Apesar da forte crise financeira que assola o mundo, a maior parte das empresas americanas ainda mantém gastos de milhões de dólares em ações de marketing esportivo, principalmente, em naming rights, patrocínio, endossos, publicidade e propaganda. De acordo com o Sports Business Journal há, atualmente, cerca de 36 novos projetos de estádios, arenas e centros de treinamento em andamento nos EUA, que estarão prontos entre 2009 e 2010 e consumirão bilhões de dólares em investimento. Apenas considerando os principais projetos de sete novos estádios, serão gastos, aproximadamente, US$ 5,8 bilhões, mais de 2,7 vezes o que foi investido na Copa do Mundo da Alemanha. Apesar do retorno que o maketing esportivo pode vir a proporcionar para o patrocinador e para os times, há vários segmentos da sociedade americana contrários aos gastos, uma vez que boa parte destas instituições financeiras que têm contratos de longo prazo de naming rights ou patrocínio, tiveram, recentemente, uma injeção financeira do governo americano, o que indiretamente, quer dizer que recebeu dinheiro do contribuinte que paga impostos. Um relatório realizado pela rede ABC News, destaca empresas como a AIG, que vai receber 150 mil milhões de dólares do governo americano, embora gaste 125 milhões de dólares para ter o logotipo nos uniformes Manchester United. Um porta-voz da AIG americana disse que a AIG ainda está "revisando todos os patrocínios para identificar qualquer relação que possa ser essencial." Outra instituição financeira que recorreu à ajuda do governo é o Citibank, que aceitou bilhões de dólares advindos dos contribintes americanos, ao anunciar estado de emergência, mas, que, vai pagar US$ 400 milhões em 20 anos pelo naming rights do novo estádio do time de beisebol NY Mets que leva cerca de 4 milhões de torcedores por temporada. O nome do estádio é Citifield (campo do Citi, em português) - é o maior contrato de naming rights do mundo. "Este tipo de gasto é insustentável para o Citigroup e inaceitável para o maior investidor do grupo: o contribuinte americano. O Citigroup precisa encontrar uma maneira de sair deste contrato e gastar 400 milhões de dólares em reter os colaboradores e restabelecer a confiança nas operações" - disse US Representative Elijah Cummings. O mesmo acontece com o Bank of America, que recebeu 25 bilhões de dólares dos fundos americanos, mas que permanece com um contrato de 20 anos, no valor de 140 milhões de dólares pelo naming right do campo de futebol americano do Carolina Panthers. O grupo também, declaradamente, gasta 20 milhões de dólares por ano com o patrocínio do time de beisebol New York Yankees que, na temporada de 2009, já vai mandar os jogos no novo Yankee Stadium, com custo de construção de US$ 1,3 bilhão. De acordo com estimativas do mercado norte-americano, as receitas anuais com o novo estádio devem crescer cerca de 35% superando US$ 255 milhões em receitas anuais já em 2009. Em 2008 o Yankees levou 4,3 milhões de torcedores a seus 81 jogos em casa. O estádio que será compartilhado entre os times da NFL, NY Giants e o NY Jets, teve a construção orçada em US$ 1,7 bilhão. Há a possibilidade que novo contrato de naming rights do estádio atinja o valor recorde de US$ 900 milhões. "Qualquer investimento que fizermos no patrocínio marketing estão diretamente ligadas às condução do crescimento das receitas para o banco" - salientou Joseph Goode, porta-voz do Bank of America. O PNC Bank, recebeu de socorro a quantia de 7,7 bilhões de dólares do governo americano, porém tem um negócio de 20 anos no valor de 30 milhões de dólares em naming rights do campo do Pittsburgh Pirates - time de beisebol. A JP Morgan Chase, que rebeceu 25 bilhões de dólares dos cofres americanos, por 30 anos tem contrato de naming rights no valor de 66 milhões de dólares por batizar o estádio de time de beisebol Arizona Diamondbacks que foi assinado há 11 anos. O grupo Comerica, solicitou 2,3 mil milhões de dólares aos fundos, mas tem um contrato de naming com o estádio do time de beisebol do Detroit Tigers até 2028. Por enquanto, mesmo apesar das reivindicações de alguns grupos defensores do 'tesouro' americano, a perspectiva de receitas para times nos Estados Unidos e Europa ainda está garantida. (ler matérias arquivo Sport Marketing: Especial: "Naming rights" uma tendência que veio ...; Sport Marketing: HSBC fecha naming rights com Arena; Sport Marketing: Especial: Ninho de Pássaro tem projeto de ...).

Sandra White - correspondente Sport Marketing -Estados Unidos