19 de out de 2008

Londres faz as contas diante do novo cenário

Conter despesas. Essa é a palavra de ordem que parece nortear o LOCOG - London Organizing Committee Olympic Games - Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Londres. Embora Londres tivesse declarado antes da crise financeira mundial que os Jogos de 2012 não seriam iguais aos de Beijing, do ponto de vista de gastos e de megaestruturas, as quedas das bolsas e os problemas financeiros que assolam os países do planeta, ratificaram a idéia inicial de não gastar muito na elaboração dos Jogos. Assim sendo, é provável que as megaestruturas e alojamentos temporários da proposta original sejam descartados em favor de edifícios já existentes, em um esforço por permanecer dentro da proposta de 9,2 bilhões de libras (US$ 16,310 bilhões). A crise de crédito proporcionou a oportunidade de reduzir ambições sem perder a credibilidade. "Claramente, com o clima econômico atual, é prudente considerar nossos recintos temporários para ver que outras alternativas poderiam existir usando as estruturas existentes. O processo está sendo analisado" - informou um comunicado oficial dos organizadores dos Jogos de 2012.
Londres, que estará sediando os Jogos Olímpicos pela terceira vez na história do mega evento (1928, 1948, 2012) tem muitas opções de locais esportivos. A preocupação está em torno da Vila Olímpica e do Parque Olímpico - projetos do setor público-privado que, segundo estimativas, deverão custar 1 bilhão de libras e, o centro de imprensa, de 400 milhões de libras. Segundo autoridades olímpicas, a incapacidade de assegurar os empréstimos bancários poderá resultar em um possível déficit de 250 milhões de libras. Na Vila Olímpica, que normalmente é vendida após o evento, a desvalorização dos preços dos imóveis, poderá reduzir as possibilidades de recuperar o dinheiro investido. Desta forma, poderá haver uma consequente redução do número de apartamentos olímpicos de 4.200 para 3 mil. Caso o investimento necessário não seja alcançado, a Vila poderá ser estatizada e, para isso, o governo já está considerando lançamento de bônus especiais para ajudar a financiar a Vila e outras instalações. Já a área de 120 mil metros quadrados do centro de imprensa poderá ter que ser reduzida depois dos jogos porque não se conseguiu encontrar um patrocinador. Um dos fatores que implicaram em altos custos em Atenas (2004) e em Beijing (2008) é a segurança. Porém, o LOCOG não pode esquecer que Londres é uma cidade multicultural, na qual transitam vários povos de diversas religiões e, neste quesito, Londres precisará abrir os cofres, caso não queria sofrer com as ameaças de boicotes.

Redação Sport Marketing