16 de ago de 2008

A supremacia Phelps - medalhas 6 e 7 - o toque de Midas

Michael Phelps tem toque de Midas. Assim pode ser traduzida em palavras a histórica conquista da sétima medalha de ouro de Phelps nos Jogos Olímpicos de Beijing, vitória que lhe garantiu o 'bônus' de US$ 1 milhão da Speedo, além de um lugar cativo no Olimpo entre os heróis dos Jogos Olímpicos da Era Moderna. Dono de uma envergadura de mais de 2. metros, tornozelos extraordinariamente flexíveis, pernas mais curtas e leves que o normal, trapézio excepcionalmente estruturado e dedos finos e longos o bastante para serem quase que mágicos, capazes de transformar em ouro o que tocam, Phelps tocou no dispositivo Omega um centésimo de segundo (0s01) à frente do sérvio Milorad Cavic e, como um perfeito alquimista, transmutou prata em ouro, o sétimo ouro em Beijing. O feito épico o igualou a outro mito da natação, Mark Spitz, que nos Jogos de 1972, em Munique, ganhou sete medalhas douradas e que também foi um fenômeno de marketing nos anos seguintes. Aos 23 anos, Michael é um jovem milionário, com promessa de tornar-se bilionário em breve. Ao conquistar a sétima medalha de ouro, Phelps garantiu na conta US$ 1,325 milhão (R$ 2,174) entre premiações de patrocinadores, do Comitê Olímpico dos Estados Unidos e da Federação Internacional de Natação (FINA). Uma quantia que ainda pode aumentar, caso o fenômeno da natação do século XXI ganhe o oitavo ouro no revezamento 4x100 medley. Midas, Michael Phelps é realmente o Midas do esporte, o Netuno das piscinas. Em Atenas, sagrou-se príncipe e já transmutava as esperanças olímpicas em títulos de ouro - faturou seis medalhas no berço dos Jogos e recebeu a bênção dos deuses mitólogicos. A partir de então, não parou mais de vencer. Vence tanto, que o lugar mais alto do pódio não o emociona mais. Subiu sete vezes no pódio de Beijing e não deixou cair nenhuma lágrima de emoção. Sempre concentrado no próximo objetivo a ser batido, no próximo ouro a ser conquistado, Phelps guardou displicentemente, no bolso do roupão Speedo, a sexta medalha conquistada nos 200 metros medley, prova na qual quebrou o 31° recorde mundial da carreira em Beijing, pois tinha que se apresentar na piscina para a semifinal dos 100 metros borboleta. Antes de chegar ao outro lado do mundo e marcar presença americana nas águas chinesas, Phelps arrecadava cerca de US$ 5 milhões anuais em patrocínio. Além do patrocínio da Speedo, Visa, AT&T e Hilton, o nadador também ganha US$ 25 mil (R$ 41 mil) do Comitê Olímpico dos Estados Unidos por cada medalha olímpica e outros US$ 25 mil da FINA por cada recorde mundial quebrado. Em Beijing, até aqui, ele já bateu seis recordes. Phelps parte agora para a oitava medalha de ouro em Beijing. O garoto norte-americano soma até aqui 15 medalhas conquistadas - 13 de ouro e duas de bronze (estas últimas em Atenas). Está a apenas três medalhas da líder do ranking em Jogos Olímpicos, a ginasta da URSS, Larissa Latynina que soma 18 medalhas olímpicas e igualou-se ao segundo, o também ginasta soviético Nikolay Adrianov. Em Beijing, Phelps já pulverizou o recorde de medalhas de ouro na totalidade de participações em Jogos Olímpicos. Seria mal do nome? Michael Phelps, Michael Schumacher, Michael Jordan, Michael Johnson... todos obcecados pela vitória, atletas predestinados ao ouro, sedentos pela glória, todos Michaels, Midas do esporte mundial (ler matéria arquivo Sport Marketing - Quanto vale Michael Phelps - o rei das piscinas?).

Deborah Ribeiro - Diretora Sport Marketing - Beijing 2008