15 de ago de 2008

O fantasma dos espaços vazios

Um fantasma está assombrando os Jogos Olímpicos de Beijing.
O fantasma dos espaços vazios. O BOCOG - Beijing Organizing Committe Olympic Games - Comitê Olímpico Organizador dos Jogos Olímpicos de Beijing, jura, por Confúcio, que todos os ingressos foram vendidos e sugere que as cadeiras vazias pertencem aos patrocinadores. Já o departamento de hospitalidade corporativa dos Jogos, se defende e afirma que a massa de cadeiras vazias não pode ser atribuída à ausência dos convidados dos patrocinadores. "Os patrocinadores sempre fazem bom uso dos ingressos, independente do fato de serem patrocinadores internacionais ou domésticos" - disse Wayne Eldevik, responsável pela Maritz Inc.'s unidade de serviços da SME Olympic, que opera o programa de hospitalidade junto ao Bank of China, um dos maiores patrocinadores locais do BOCOG. "Nos últimos dois anos, foi desenvolvido um sistema chave para ter certeza que os ingressos do Bank of China seriam eficazmente distribuídos" - adicionou disse Eldevik, que há muito tempo é coordenador de hospitalidade olímpica. "Realmente existem muitas cadeiras vazias. Certamente, muito mais do que pode ser explicado. O que pode estar acontecendo é o 'famoso' jeito chinês de divulgar as coisas por aqui. Era evidente que Beijing não assumirá nunca que, em várias datas, a venda de ingressos não foi satisfatória" - desbafou o coordenador. Outra frustração com relação aos ingressos em Beijing é que, apesar das cadeiras vazias, os turistas e os consumidores não conseguem comprar ingressos para as competições por via legal, ou seja, pela organização do evento. A saída é comprar de cambistas, no mercado negro, por serviços on-line ou anúncios secretos nos jornais. Já o BOCOG tem procurado cobrir a vergonha preenchendo os espaços vagos com voluntários que estão formando torcidas organizadas. Levando-se em conta que as informações sobre as vendas de ingressos passavam pelo crivo e aprovação do governo chinês ou partiam de veículos estatais, é bem provável que os números até hoje divulgados não sejam verdadeiros, afinal, a China tem sido mestre em piratarias e em 'produzir' mentirinhas olímpicas (ler matéria arquivo Sport Marketing - Cerimônia de abertura 'pirata' em Beijing).

Redação Sport Marketing - Beijing 2008