21 de ago de 2008

Nike aposta no basquete americano na China

Nenhuma edição olímpica foi tão decepcionante para a estratégia de marketing da Nike quanto os Jogos de Beijing. Todas as grandes apostas da marca americana de materiais esportivos caíram por terra ou foram água abaixo. No Cubo D'água, a supremacia nas provas de natação foi da Speedo com Michael Phelps (ler matéria arquivo Sport Marketing - Speedo, medalha de ouro de marketing em Beijing), que roubou a cena, os refletores e os espocares das câmeras de todo o mundo. No 'Ninho de Pássaro', as provas de velocidade mais tradicionais do atletismo, ninguém bateu a Puma patrocinadora da delegação da Jamaica e do velocista Usain Bolt, grande estrela que sagrou-se o homem mais rápido do mundo (ler matéria arquivo Sport Marketing - Usain Bolt, o puma mais rápido do mundo). Esta foi a primeira vez que os Estados Unidos não conquistaram medalha de ouro nas provas de velocidade do atletismo, seja no masculino ou no feminino, desde os Jogos de Moscou-80, quando boicotaram os Jogos. Nos 110 metros com barreiras, outra prova tradicional do atletismo, a Nike também perdeu fichas com a contusão e desistência do ídolo chinês Liu Xiang (ler matérias arquivo Sport Marketing -Nike fica na pista com Liu Xiang; Liu Xiang e Fabiana Murer choram no 'Ninho de Pássaro'; Nike e Coca-Cola seguem com Liu Xiang; Liu Xiang tem pernas de 14 milhões de dólares). Isso sem contar que o uniforme idealizado pela empresa americana para as competições de atletismo, de tecnologia inovadora e design arrojado, não caiu nas graças dos atletas que abandonaram as luvas desenvolvidas para diminuir a resistência e o atrito do ar (ler matéria arquivo Sport Marketing - Nike lança uniformes olímpicos do atletismo). Nos gramados, a seleção brasileira masculina de futebol não teve o sucesso esperado. Ronaldinho Gaúcho fez sucesso, mas apenas fora dos campos e longe das câmeras da mídia internacional. A medalha de ouro da seleção americana de futebol feminino foi um alento para a marca que agora conta com os jogadores de basquete para garantir mais um momento brilhante e histórico nos Jogos. Kobe Bryant é a chave do marketing da empresa americana em Beijing. Não é à toa que Kobe está presente nas arquibancadas dos palcos de momentos decisivos dos Jogos como na arena de vôlei de praia, no Estádio dos Trabalhadores, na final do futebol feminino, no Cubo D'água durante as provas de natação, no 'Ninho de Pássaro' nas provas de atletismo. Kobe também é presença marcante nas ruas e outdoors de Beijing (ler matéria arquivo Sport Marketing - Kobe Bryant com bola e bolso cheios em Beijing; Kobe Bryant é Einstein). Ao lado de LeBron James, Bryant está entre as super-estrelas mais adoradas na China. O mercado chinês é crucial para a Nike que ultrapassou a marca de US$1 bilhão de vendas anual, fazendo do país o segundo maior mercado para a empresa sediada em Beaverton, que também está desbravando outros mercados como a Europa Oriental. Nas quadras de basquete a Nike pretende defender a posição dominante, principalmente, porque deseja desarticular a Adidas, que é a fornecedora oficial dos uniformes da Liga Americana de Basquete Profissional - NBA (ler matéria arquivo Sport Marketing - Nike x Adidas - histórica disputa olímpica; Nike x Adidas se preparam para números e pódios olímpicos). A Nike investiu alto nos Jogos Olímpicos de Beijing (ler matéria arquivo Sport Marketing - Gastos da Nike em publicidade e marketing preocupam), criou novos produtos para cada modalidade esportiva e equipou 22 das 28 federações americanas (ler matéria arquivo Sport Marketing - Nike estende patrocínio com USOC). A marca ainda espera que o retorno do evento patrocinado pela rival Adidas seja satisfatório.

Jing Wang - Correspondente Sport Marketing - China