15 de ago de 2008

Mizuno amarga em Beijing erros estratégicos de marketing

Kosube Kitajima confirmou-se como a grande figura asiática na natação, ao ganhar duas medalhas de ouro em Beijing, repetindo a façanha de Atenas, quando conquistou dois ouros. O nadador de 25 anos, campeão do Mundo, faturou o ouro nos 200 metros peito em Beijing e o bicampeonato olímpico nos 100m batendo o recorde mundial, com o tempo de 58s91. Enquanto o Japão regozija com o sucesso de Kitajima, executivos na Mizuno, fábrica de materiais esportivos japonesa, sentem emoções misturadas. Ao passo que comemoram o sucesso do país nos Jogos, lamentam estratégias de marketing mal articuladas e planejadas, cujo reflexo negativo vem à tona com os Jogos Olímpicos de Beijing. Afinal, em junho, Kitajima solicitou à Federação Japonesa de Natação, para deixar que os nadadores usassem o maiô LZR Racer da inglesa Speedo. O pedido de Kitajima foi prontamente atendido. O grande campeão japonês da natação ganhou as duas medalhas de ouro em Beijing vestindo Speedo. Justamente a Speedo, empresa com a qual a Mizuno rescindiu um contrato de licenciamento, anos antes do lançamento do LZR (ler matérias arquivo Sport Marketing -Speedo lança novos modelos olímpicos; FINA cede à pressão das marcas; FINA libera novos modelos de maiôs). A fabricante japonesa até que tentou correr atrás do prejuízo e criou novos trajes de natação, mais rápidos, porém, em Beijing, a marca japonesa não obteve sucesso diante do produto desenvolvido pela Nasa para a Speedo (ler matéria arquivo Sport Marketing - Maiôs de gel Mizuno). Agora, a Mizuno se prepara para novidades nos Jogos Olímpicos de Londres 2012. "Nós teremos muitas oportunidades de testar os novos produtos de natação e impulsionar a imagem da marca, como campeonato mundial no próximo ano em Roma" - disse o presidente da Mizuno, Akito Mizuno, à imprensa internacional. Se romper um acordo com a Speedo foi uma manobra ruim para a Mizuno, a empresa japonesa também articulou mal, em termos de divulgação internacional, ao patrocinar o beisebol. O IOC - International Olympic Committee - Comitê Olímpico Internacional (COI) vetou o esporte nos Jogos Olímpicos de Londres, o que significa que a Mizuno terá que rever a estratégia olímpica para a próxima edição do mega evento. Em Beijing, a empresa sediada em Osaka, que sofreu uma queda de 20% nos lucros, fez os uniformes do time japonês de beisebol, esporte mais popular no Japão, mas sem expressão nos demais países do mundo. A expectativa é que uma forte apresentação do time da terra do sol nascente possa compor os prejuízos da natação. "Se o Japão ganhae nos Jogos Olímpicos de Beijing, a maioria dos times de beisebol amadores provavelmente copiarão os uniformes" - disse esperançoso o presidente da Mizuno. A seleção japonesa de beisebol tem grande chance de ganhar ouro em Beijing, apesar da desapontadora derrota por 4-2 no jogo de abertura dia 13 contra Cuba. Mas, o retrospecto histórico do beisebol japonês em Jogos Olímpicos sugere que a Mizuno siga confiante. Em Atenas 2004, o Japão ganhou bronze, enquanto Cuba ganhou o ouro. A seleção japonesa inclui cinco jogadores do time que ganhou o Mundial de Beisebol em 2006. O lançador Yu Darvish é a grande estrela do time, desejado por equipes de outras ligas como Daisuke Matsuzaka do Boston Red Sox e Seattle Mariners' Ichiro Suzuki. Uma medalha de ouro no beisebol para o time japonês iria catapultar Yu Darvish para condição de lenda do esporte no Japão e dar a publicidade que a Mizuno espera, ao menos, dentro do país origem. Para a próxima edição dos Jogos Olímpicos de Verão, a Mizuno, certamente, terá que rever a estratégia de marketing olímpica.

Redação Sport Marketing - Beijing 2008