18 de ago de 2008

Liu Xiang e Fabiana Murer choram no 'Ninho de Pássaro'

Quando o ídolo Liu Xiang, campeão olímpico em Atenas-2004, abandonou, mancando, a pista do 'Ninho de Pássaro' na primeira rodada dos 110 obstáculos de metros com barreiras, um profundo pesar caiu sobre uma nação inteira. Foi o dia em que a China chorou. O tendão de Aquiles foi o responsável por retirar de Liu Xiang um lugar no Olimpo, na mitológica história dos Jogos Olímpicos. Ídolo nacional, o tendão do jovem atleta de 25 anos, não suportou o peso da expectativa chinesa que o atleta carregava sobre os ombros. Depois da conqusita da primeira medalha de ouro chinesa na prova, nos Jogos Olímpicos de Atenas, Liu Xiang tornou-se a esperança asiática de ganhar uma posição de respeito no atletismo. O livro Ouro Olímpico - a história do marketing dos aros (selo COB Cultural) menciona os passos gloriosos do atleta cujo triunfo trouxe fama e uma fortuna estimada na região de US$23 milhões de dólares. A fama deste garoto que nasceu em Xangai, em 1983, é maior até mesmo do que a do gigante jogador de basquete Yao Ming. O ouro olímpico na Grécia e os recordes em mundiais fizeram de Liu Xiang o garoto propaganda de marcas famosas como Nike,VISA, Coca-Cola, Cadillac, como também marcas domésticas como a Yili e, também, uma das maiores fabricantes de cigarro da China, a Baisha (foto 2) a mais famosa, com vendas em torno de 75 bilhões de maços de cigarros ano. Na época, a associação do atleta com uma empresa de cigarros não foi bem aceita nem pelo BOCOG - Beijing Organizing Olympic Committee - Comitê Olímpico Organizador dos Jogos Olímpicos de Beijing e nem pelo governo chinês. Mas, o drama de Liu Xiang não foi o único do dia no 'Ninho de Pássaro'. Nas provas finais do salto com vara, foi a vez do Brasil se emocionar e se entristecer. A vara da esperança de medalha de Fabiana Murer não foi encontrada. Logo a vara da atleta que tem patrocínio de varas desde 2005. "Tenho um jogo completo de 11 varas de fibra de vidro. A vara que meu patrocinador me fornece é feita para mim. Tem flexibilidade adequada a mim, se ajusta a meu peso, minha altura" - disse a atleta. "Tenho muito dinheiro em varas. Cada uma que eu uso custa US$ 500. Eu tenho 11 vindas do meu patrocinador. Mas eu ainda guardo todas as varas da minha evolução, desde quando comecei. Eu tinha que trocar de vara para passar o 4,55m, mas quando fui procurar, não estava lá. A gente traz as varas num tubo, a organização passa o equipamento para um carrinho e leva para a área de competição. Nessa hora esqueçeram a vara para os 4,55m em algum lugar, não sei o que aconteceu - explicou. Patrocinada pelo BM&F BOVESPA, Nike e com apoio da Caixa Econômica, Fabiana desconcentrou-se procurando a vara que a organização não levou para a pista e, sem equilíbrio emocional para seguir adiante na prova, a atleta viu a chance de medalha lhe cair entre os dedos, devido a um erro da organização do evento. A prova terminou com o recorde mundial de Isinbayeva, saltando 5,05 m. A prata, porém, foi para a norte-americana Jennifer Stuczynski, com 4,80 m. Essa marca é justamente a mesma que o recorde pessoal da brasileira. O bronze foi para a russa Svetlana Feofanova. Se em Atenas 2004, Vanderlei Cordeiro de Lima foi vítima do erro da falta de segurança quando um lunático invadiu a prova da maratona e o impediu de ganhar o ouro, em Beijing 2008, a falta de organização da organização fez Fabiana derrubar lágrimas de tristeza por não poder disputar o ouro olímpico. A Fabiana coube o destino de se contentar com a medalha de ouro dos Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro (2007) e a barra de (1,5kg) que ganhou de prêmio da BM&F pelo Pan. A CAIXA, patrocinadora oficial da Confederação Brasileira de Atletismo desde 2001, ainda não se pronunciou com relação à fatalidade. O investimento inicial da CAIXA no atletismo foi de R$ 1,5 milhão, em 2001 e chegou a R$ 12 milhões, em 2008.

Deborah Ribeiro - Diretora Sport Marketing - Beijing 2008