16 de ago de 2008

Depois do ouro, Cielo pensa em McDonald´s e em devorar títulos

Eu vou confessar que chorei também. Na minha trajetória como jornalista cobrindo mega eventos esportivos e Jogos Olímpicos desde 1992, Barcelona, esta foi uma das poucas vezes que a conquista de um atleta me emocionou profundamente. Nem as sete históricas medalhas de ouro olímpicas do fenômeno da natação Michael Phelps emocionou tanto quanto a única medalha de ouro de Cielo. Diga-se de passagem, nem o próprio Michael Phelps se emocionou com ele mesmo até agora! Mas, as lágrimas de Cesar Cielo, no lugar mais alto do pódio do Cubo D'água me transbordaram de alegria, de satisfação e de orgulho em ser brasileira, de felicidade e de esperança. O esporte tem essa força, o poder de transportar sentimentos, lembranças, transmutar sentimentos. Paulista, 21 anos, o anúncio do nome do nadador Cesar Cielo, instantes antes dele ocupar o merecido degrau mais alto do pódio, soou como música aos meus ouvidos e, certamente, aos ouvidos dos brasileiros! Um Cielo de ouro! Um céu dourado!Após uma semana de Jogos Olímpicos, finalmente, o Brasil subiu no lugar mais alto do pódio. Ele, que já havia conquistado medalha de bronze nos 100 metros nado livre (ler matéria arquivo Sport Marketing - Cielo agradece medalha aos patrocinadores e ao 'paitrocinador'), se esvaiu em lágrimas ao se tornar o primeiro nadador do país a ganhar o ouro olímpico e de quebra, ainda superou o recorde olímpico que ele mesmo batera na semifinal, ao marcar 21s30 na decisão. Cielo é, agora, o maior nadador olímpico do país, tendo superado os ídolos Gustavo Borges e Fernando Scherer, o Xuxa, que além de amigo, também o está agenciando (ler matéria arquivo Sport Marketing - Xuxa vira gestor de atletas). Cielo, que tornou-se o décimo campeão olímpico brasileiro, quebrou também um jejum da natação brasileira que não conquistava nenhuma medalha olímpica desde Sydney-2000, com o bronze do revezamento masculino 4x100 metros livre. Nem a medalha trocada, por um erro de protocolo entregaram a ele uma medalha correspondente à prova feminina, tirou o brilho e a emoção do momento máximo da vida deste atleta que já recebeu convites para nadar na Itália, Austrália, Miami, mas que ainda não se decidiu. Por hora ele volta para o Brasil e fica até dezembro. Cielo, nadador do Clube Pinheiros de São Paulo nos torneios nacionais, treina atualmente na Universidade Auburn, no Estado norte-americano de Alabama. "Queria agradecer aos meus técnicos, patrocinadores e minha família. Acredite que tudo é possível. Tem que desistir de muita coisa, mas vale a pena" - finalizou. Do 12° lugar, passando pelo quinto e chegando à vice-liderança do ranking de 50m de piscina longa da Federação Internacional de Natação. Essa foi a trajetória de César Cielo em apenas três dias de disputas em Beijing. "Eu quero passar no McDonald's agora" - disse Cielo, no estacionamento do Cubo D'água, ainda rodeado de jornalistas. Cielo, sem sombra de dúvidas, é um ótimo nome para a lista de patrocinados da rede de fast food McDonald´s, a marca que está no boca dos atletas de todo o mundo e a fome de Cielo por medalhas e por devorar títulos e marcas está apenas começando! Com o dinheiro da fabricante de eletroeletrônicos Samsung, mais o incentivo que recebe da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT), por meio da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, e o salário pago pelo Esporte Clube Pinheiros de São Paulo, onde treinou antes de ir para os Estados Unidos, há dois anos, Cielo somava R$ 30 mil mensais em patrocínios até o início dos Jogos Olímpicos.

Deborah Ribeiro - Diretora Sport Marketing - Beijing 2008