12 de ago de 2008

Cerimônia de abertura 'pirata' em Beijing

A verdade tarda, mais não falha! O provérbio não é do mestre chinês Confúcio, mas se levarmos em consideração que muitos momentos da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Beijing também não foram verdadeiros, a frase ilustra com propriedade a 'pirataria' e a enganação do espetáculo que deixou o mundo extasiado. As verdades começaram a vir à tona, quando o coreógrafo chinês Shen Wei, que ficou no lugar de Spilberg na missão de idealizar a cerimônia de abertura, foi acusado de plágio ao preparar uma das coreografias apresentadas, que teria sido copiada de uma criação do escultor, coreógrafo e pintor italiano Enzo Carnebianca. De acordo com o artista italiano, a coreografia apresentada na abertura dos Jogos (foto 1) "é uma perfeita imitação de figuras da minha coreografia 'O tempo sem tempo' de 1994 e de minha obra pictórica 'A família cósmica', de 2003". Enzo enviou uma carta ao presidente do IOC - International Olympic Committee - Comitê Olímpico Internacional, Jascques Rogge, ao presidente do Comitê Olímpico da China, Liu Qi, e ao presidente do Comitê da Itália, Giorgio Napolitano reclamando os direitos e alertando que pretende ir aos tribunais. Como se não bastasse, o diretor musical da cerimônia admitiu que a menina que supostamente entoou a "Ode à Pátria" (foto 2), cantava em 'playback', porque a verdadeira intérprete, Yang Peiyi (foto 3), é uma criança acima do peso, de 7 anos, com os dentes imperfeitos e não era bonita o bastante para representar a China para o mundo. "Queríamos transmitir uma imagem perfeita e pensamos no que seria melhor para a nação" - declarou Chen Qigang em uma entrevista concedida à televisão chinesa, apresentada também pelo portal Sina.com. Chen afirmou que a decisão final para que Lin cantasse em 'playback' foi tomada após um ensaio assistido por um dos principais dirigentes do Partido Comunista Chinês (PCC). "Nos disseram que havia um problema e que era preciso resolvê-lo. E o resolvemos" - declarou o músico sem dar maiores detalhes sobre essa ordem nem o nome de quem a deu. Também não foram reais, algumas imagens de fogos de artifício durante a transmissão realizada para todo o mundo como se fosse ao vivo. Os organizadores admitiram que as imagens aéreas dos fogos de artifíco supostamente geradas ao vivo de um helicóptero durante a transmissão de TV da cerimônia foram previamente gravadas e editadas. Os fogos de artifício foram disparados, mas não eram visíveis devido à poluição, à fumaça que tomava conta da capital chinesa. "Pode ser que tenham sido usadas imagens gravadas com antecedência devido à má visibilidade" - admitiu o vice-presidente do BOCOG - Beijing Organizing Committee Olympic Games - Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Beijing, Wang Wei. O periódico diário Beijing Times, afirma que as imagens foram editadas graças ao caro trabalho de uma empresa de tecnologia especializada que simulou os movimentos do helicóptero. Segundo os jornais britânicos Telegraph.com e Skynews.com, Xialong contou que a sequência de passos de 55 segundos levou quase um ano para ser produzida e exigiu "esforços meticulosos" da equipe, como na recriação da neblina dos céus de Beijing (que contou com a ajuda do departamento local de meteorologia) e na leve vibração das imagens, introduzida para simular uma filmagem via helicóptero. Para Xialong, a grande dificuldade de uma gravação ao vivo seria posicionar o helicóptero num ângulo que cobrisse todos os "passos" ao mesmo tempo. Também parecem não ser verídicas as informações divulgadas até aqui sobre o sucesso de vendas de ingressos. Os espaços vazios nos estádios estão chamando atenção da imprensa internacional. Para solucionar a questão, bem na forma chinesa, a organização está enchendo as arquibancadas com voluntários. Sorte dos voluntários! Mas, seria interessante que a China aproveitasse o convívio com o resto do planeta, neste período olímpico, para aprender o significado da palavra verdade, já que a China parece tão empenhada em livrar-se do que acha feio! Mentir, plagear, piratear é muito, muito feio, em qualquer cultura e em qualquer tempo!

Redação Sport Marketing - Beijing 2008