9 de jul de 2008

Trabalho "quase escravo" produz Nike no Brasil

A empresa Calçados Aniger Ltda, que tem sede em Campo Bom, no Rio Grande do Sul, foi fundada em 1991 e é responsável pela produção de marcas renomadas internacionalmente como a Nike, Miezko e Clarks. Quando veio para o Ceará, a empresa gaúcha recebeu incentivos fiscais públicos estaduais por dez anos e desde o ano passado o município reduziu a cota de Imposto Sobre Serviços (ISS) de 5% para 2% para abrir uma filial em Quixeramobim, a 224 quilômetros da Capital. A gaúcha Aniger, então, contratou a cooperativa Cocalqui para produzir os calçados. Ouvir reclamações de trabalhadores de Quixeramobim com relação à Cooperativa de Calçados de Quixeramobim – Cocalqui – já é rotina. Os operários são forçados a trabalhar muito mais do que a carga horária determinada, atingindo até 15 horas diárias, sem direito à hora extra. “Nossa produção é dimensionada em 44 horas de trabalho, em cima dos dias da semana: 8 horas diárias, mas seria uma mentira se eu falasse que a gente trabalha sempre dentro do limite” - admitiu Alexandre Lima, presidente da cooperativa. “A lei da cooperativa é nua e crua. Cumpriu a meta, recebeu. Quem precisa ficar em casa é artista plástico, à espera de inspiração” - acrescentou.
Quixeramobim depende da Cooperativa – mesmo com toda esta problemática de trabalho semi-escravo, a cidade depende da fábrica. A partir da instalação da mesma, em 1996, o município começou a industrializar-se e receber inúmeras obras de infra-estrutura, assim como melhorias na saúde e educação. Para se ter uma idéia, o número de ligações à rede de energia elétrica saltou de 10.865 em 1996 para 23.574 dez anos depois. Segundo o jornal O Povo, o procurador-chefe da Procuradoria Regional do Trabalho (PRT-7ª Região) no Ceará, Cláudio Alcântara Meireles, confirma que esteve, em 1999, em Quixeramobim, para realizar inspeção judicial. Foi acompanhado dos então procurador José Antônio Parente da Silva e do juiz trabalhista Emanuel Furtado, sendo que o primeiro atualmente é o presidente do TRT do Ceará. Eles reconheceram a ilegalidade, mas por duas vezes, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) julgou improcedente a ação judicial. Atualmente, segundo o procurador Cláudio Alcântara, a ação judicial do Ministério Público está tramitando no Tribunal Superior do Trabalho (TST). Cerca de 3.500 operários vinculados à Cocalqui trabalham na empresa calçadista. No galpão onde é feita a finalização dos produtos da Nike prestam serviços cerca de 1.200 trabalhadores. As mulheres representam 55% do total de operários alocados pela Cooperativa, sendo que a faixa etária varia de 18 a 50 anos.

Redação Sport Marketing