21 de jun de 2008

Dilema de marketing divide opiniões na natação norte-americana

Um dilema está dividindo opiniões nas piscinas norte-americanas. O USOC - United States Olympic Committee - Comitê Olímpico dos Estados Unidos está criando regras para prevenir que os atletas da natação usem logotipos e marcas de patrocinadores pessoais nas toucas, principalmente, em provas seletivas que antecedem mega eventos como, por exemplo, os Jogos Olímpicos e Mundiais. Enquanto não há uma regra clara, é comum, que as toucas sejam adornadas com patrocinadores pessoais dos atletas. Michael Phelps, por exemplo, veste uma touca com a marca Argent e Katie Hoff usa na touca o logotipo da Visa. Mas, tudo indica que, em breve, a USA Swimming, entidade responsável pela modalidade nos Estados Unidos, em acordo com o USOC, irá incluir no programa de venda de patrocínio as toucas dos atletas, como no Mundial de 2007, quando os atletas vestiram o logotipo da Yakult, não recebendo qualquer compensação financeira pelo endosso. Entre todos as modalidades, a natação é a que requer maior habilidade dos atletas em ganhar dinheiro. Mesmo assim, alguns atletas entraram para a história pela criatividade e capacidade de fazer dinheiro. Ninguém, por exemplo, bateu Mark Spitz nas piscinas e no mercado publicitário. Detentor de duas medalhas de ouro nos Jogos do México 1968 (4x100 e 4x200 nado livre), uma de prata (100m borboleta) e uma de bronze (100m livre) e herói dos Jogos de 1972, quando ganhou sete medalhas de ouro (100m livre, 200m livre, 100 m borboleta, 200 m borboleta, 4x100m nado livre, 4x200m nado livre, 4x 100m medley) e bateu sete recordes mundiais, Mark Spitz foi o precursor do gesto mercadológico de subir no pódio acenando para o público com um par de tênis. Era um par do modelo Gazelles da marca adidas. O gesto seria copiado por outros atletas em outras edições dos Jogos. Tom Jager, outro exemplo, é universalmente louvado como um dos atletas sem precedentes, assim como Matt Biondi. "Na minha época nós lutamos com a USA Swimming pelos nossos direitos" - disse Jager. "Nós podíamos ganhar dinheiro desde que conseguíssemos bons resultados. Mas, agora a diferença é grande e os atletas estão sendo explorados." De acordo com o campeão Trent Staley, agora da Comissão de Atletas, um dos fatores é que o USOC está realizando as seletivas independente da USA Swimming e, por causa disto, os atletas não são os únicos que estão perdendo. "O Comitê Olímpico também está dizendo que a USA Swimming não vai mais ganhar dinheiro o modo que costumava" - disse Staley. "Os atletas olímpicos são os mais vulneráveis neste momento, porque não sabem se vão fazer parte da delegação ou não. Eles têm o peso do mundo sobre os ombros e, por isso, são manipuláveis" - disse Jager. Existe o consenso entre os envolvidos com marketing e representação de atletas, que este tipo de exploração continuará até que os atletas se unam e se recusem a competir. " Na minha época, o dinheiro não era suficiente para comprometer meus valores e assim eu podia dizer 'ok', eu não vou competir. Eu deixei de ir a um campeonato mundial, por exemplo, por causa do modo com que estavam organizando o evento e também já escureci, com um marcador, todos os logotipos de patrocinadores da minha touca que não me pagaram. Mas, naquela época, o dinheiro não era muito como hoje em dia em que os atletas têm que ter uma compreensão mais política. Eu tentava lutar, independenre se iria perder dinheiro no final das contas ou não" - relatou Jager. "Nas seletivas que acontecerão no dia 29 de julho, os patrocinadores têm permissão de anunciar"- informou Staley. "Ao atleta não há outra alternativa do que respeitar as regras do USOC" - completou o membro da Comisão de Atletas. Enquanto os atletas de hoje em dia são usados como ferramentas para as grandes companhias lucrarem, os atletas do passado não crêem que isto seja verdadeiramente um passo a trás. "É um bumerangue" - disse Jager. "Agora o USOC, que é o real "fabricante de dinheiro" vê o valor da publicidade das toucas, o que nós, obviamente, já havíamos identificado. A USA Swimming sempre soube que esse valor existia. Se os atletas da natação lutam, os atletas de outros esportes também podem lutar. Os ciclistas, por exemplo, que não conseguem dinheiro, e outros esportes que não são pagos; a natação pode representar todos os atletas que o USOC quer pôr marcas e logotipos sem pagar. Os Jogos Olímpicos são o grande momento do esporte. A cada quatro anos, cerca de 52 atletas dos Estados Unidos conseguem marcas para representar o país. Do ponto de vista financeiro, é uma oportunidade para lucrar com os próprios esforços empregados no trabalho duro. Um direito que está sendo retirado. É um mundo lindo e egoísta, este mundo olímpico" - finalizou Jager.

Sandra White - correspondente Sport Marketing - Estados Unidos