24 de abr. de 2008

Wembley cheio de pompa e dívidas

Um escândalo do tamanho de Wembley fora de hora. O estádio de £800 milhões apenas no primeiro ano de operações teve um gasto equivalente a £22 milhões. Esses números oficiais seriam anunciados apenas no próximo mês, mas o choque financeiro da Arena londrina já está vazando. Os altos custos de manutenção estão entre as causas mais significantes do furo orcamentário. O quesito segurança, devido ao receio de atentados terroristas nos eventos esportivos do ano passado ficaram 50% acima do orçamento. A Associação Inglesa de Futebol (FA) e a Wembley National Stadium Ltd (WNSL), responsável pela administração do Estádio, pretendem assinar um acordo com um grupo de bancos para refinanciar os £433 milhões dos empréstimos realizados em 2002 pagar financiar a construção da Arena. A meta é estender o prazo de pagamento do empréstimo de 16 para 25 anos. Por um lado, existe o temor que o refinanciamento enfraqueça a Associação Inglesa de Futebol, justamente num período delicado como o atual, em que a Inglaterra dá início ao projeto para sediar a Copa do Mundo de 2018 e o foco dos organizadores será o desenvolvimento mundial do futebol. Já a WNSL acredita que o refinanciamento irá tirar o Estádio do buraco financeiro a longo prazo, contando com os novos £550 milhões de contratos de direitos de televisão. O novo estádio tem 90 mil lugares e é o segundo estádio europeu em capacidade, apenas ultrapassado pelo Nou Camp, em Barcelona. A Associação Inglesa de Futebol está preocupada com os reflexos do escândalo financeiro de Wembley justamente agora que aprovou totalmente o projeto da candidatura para a Copa do Mundo após estudar um relatório de 63 páginas que coloca na ponta do lápis o custo estimado e a estrutura a ser utilizada no evento. O relatório foca os benefícios que uma Copa do Mundo na Inglaterra poderia trazer para o desenvolvimento do futebol no mundo. Segundo o relatório, a Inglaterra se compromete a produzir um legado que criará mais oportunidades do esporte crescer em todas as partes do planeta. A comissão também aprovou um processo de seleção para as cidades que sediarão os jogos da Copa do Mundo e o orçamento para a concorrência mundial cujos gastos devem girar em torno de US$ 29,5 milhões. O próximo passo da Federação será encontrar uma companhia subsidiária para administrar o projeto, nos moldes da que venceu a disputa pelos Jogos Olímpicos de Londres 2012. A última vez que a Inglaterra sediou uma Copa do Mundo foi em 1966, quando faturou o único título na história da competição. Também estão concorrendo à candidatura da Copa de 2018: Estados Unidos, México, Canadá, Bélgica, Holanda, Espanha, Rússia, China, Japão e Austrália. A decisão da FIFA será revelada apenas em 2011.

Leandro Rabello - Correspondente Sport Marketing - Londres