21 de abr. de 2008

Tudo mais ou menos em Kuala Lumpur

A Tocha Olímpica de Beijing segue o calvário pelo mundo. A passagem pela capital malaia, Kuala Lumpur, foi concluída sem grandes incidentes e em meio a fortes medidas de segurança. Também não era para menos. A comunidade chinesa representa 25% da população da Malásia e Beijing é um dos principais sócios comerciais de Kuala Lumpur. As exportações da Malásia para a China superaram os 16 bilhões de dólares em 2007. A passagem por Kuala Lumpur foi a quarta etapa do roteiro asiático da Tocha depois de Islamabad, Nova Délhi e Bangcoc. A Chama Olímpica, que chegou no domingo proveniente de Bangcoc, partiu da Praça da Independência, onde cerca de 500 pessoas se reuniram. O percurso de 16,5 km foi concluído em frente às torres gêmeas Petronas. Cerca de 80 atletas revezaram a tocha durante todo o trajeto. No início do Revezamento, no entanto, um incidente foi registrado, quando um casal de japoneses com filho agitaram uma bandeira tibetana e foram atacados por chineses que gritavam: "Taiwan e Tibet pertencem à China". Os manifestantes chineses os agrediram com instrumentos utilizados para aplaudir e fazer barulho nas manifestações esportivas, segundo informaram a Polícia e um jornalista da AFP. Uma cidadã britânica, que também exibia uma bandeira tibetana, foi detida, informou a Polícia. Enquanto isso, a anistia internacional (www.amnesty.sk), produziu cartazes que chocam os olhos do mundo misturando no tema anistia, alguns esportes olímpicos como o tiro como imagens de pessoas sob tortura (foto). Na França, a Prefeitura de Paris tornou o líder espiritual tibetano Dalai Lama cidadão honorário. A decisão de homenagear o Dalai Lama foi apoiada pelo prefeito socialista Bertrand Delanoe e aliados ambientalistas, mas não teve o apoio do partido de direita do presidente Nicolas Sarkozy ou dos comunistas. Essa decisão pode ser considerada uma resposta à tentativa de boicote aos produtos franceses iniciada pela população chinesa após as manifestações pró-Tibet na passagem da Tocha em Paris. Milhares de chineses realizaram manifestações no fim de semana dentro e fora da China em reação aos ataques sofridos pela tocha olímpica no percurso mundial. Na Europa e nos Estados Unidos, o alvo foi a imprensa ocidental, enquanto que na China, o alvo foi a rede francesa de supermercados Carrefour, que catalisou a ira dos jovens contra os atos pró-independência do Tibet. O sentimento de xenofobia chinês fez com que a censura chinesa apagasse dos fóruns de discussão (MSN) freqüentados por jovens a maioria das mensagens que defendiam o boicote ao Carrefour. Órgãos de imprensa estatais ligados ao Partido Comunista passaram a defender que o patriotismo seja expressado de maneira "calma" e "racional". O governo também mobilizou centenas de policiais para defender a integridade das lojas do Carrefour no país. Milhares de pessoas se reuniram em seis cidades chinesas para protestar em frente às lojas do Carrefour, com faixas que traziam dizeres como "Cale a boca, França" e "O Tibete é parte da China". Na cidade de Wuhan, capital da província central de Hubei, alguns manifestantes carregavam imagens de Mao Tsé-tung (1893-1976), o líder que, como nenhum outro, soube despertar a irracionalidade da juventude na Revolução Cultural (1966-1976). Em Los Angeles, 1.500 chineses protestaram em frente à sede da CNN para pedir a demissão do comentarista Jack Cafferty, que no dia 9 de abril afirmou no programa "Situation Room" que os chineses são "imbecis e bandidos" e os produtos que vendem ao exterior, "lixo". Cafferty disse na semana passada que não se referia ao povo, mas sim ao governo da China. A rede britânica BCC também foi alvo de protestos realizados em Londres e Manchester. Também ocorreram demonstrações em Paris e Berlim. Já no outro lado do mundo, a etapa do Japão da Tocha Olímpica, que iria começar em um famoso templo budista, terá início em um estacionamento segundo informaram as autoridades japonesas. O templo de Zenkoji, um famoso santuário budista do século VII situado em Nagano, cidade sede dos Jogos Olímpicos de Inverno de 1998, se negou a ser o ponto de partida da etapa japonesa do Revezamento da Chama Olímpica, no próximo sábado, devido à repressão chinesa no Tibet. Após essa decisão, o santuário foi alvo da ação de vândalos e a Polícia investiga se esses atos estão relacionados aos Jogos Olímpicos de Beijing. A China disse que está disposta a dialogar com os manifestantes que vêm tentando atrapalhar a passagem da Tocha Olímpica, para explicar as posições políticas do país em relação ao Tibet.

Redação Sport Marketing