10 de abr. de 2008

Responsabilidade social corporativa, o outro lado da medalha 2

Li algumas notícias sobre as consequências do vergonhoso Revezamento da Tocha Olímpica de Beijing e, confesso, que fiquei absurdamente assustada com a capacidade que o jornalismo tem em deturpar ou criar fatos. Por isso, convido você leitor a fazer um retorno comigo ao dia 28.03, quando o Sport Marketing publicou a notícia: Responsabilidade social corporativa, o outro lado da medalha, (ver arquivo do blog). Quem ler esta matéria, terá a verdadeira noção e poderá entender que, as manifestações que estão ocorrendo no trajeto do Revezamento da Tocha Olímpica, NÃO tem absolutamente nada a ver com as ações de marketing social que as empresas ligadas ao IOC - International Olympic Committee - Comitê Olímpico Internacional (COI) normalmente, já realizam nos países sedes dos Jogos. Toda e qualquer tentativa de unir esses dois assuntos num só, ou seja, ações de marketing social devido ao fiasco da Tocha é no mínimo, uma falta de conhecimento do marketing esportivo, marketing olímpico, endomarketing e de como funcionam as regras e as plataformas de patrocínio do COI. A Samsung, por exemplo, patrocinadora mundial TOP do COI e, também patrocinadora do Revezamento Mundial da Tocha, é uma das empresas que está em profunda ascenção no mercado chinês. Desde 2005, a companhia da Coréia do Sul contribuiu com 9 milhões de yuan (US$1.23 milhões) para a construção de 45 escolas primárias na China rural. Em 2002, a empresa também estabeleceu bolsas de estudos como prêmio para mais de 2.300 alunos chineses. Já a maior fabricante de refrigerantes do mundo, a Coca-Cola, parceira do Movimento Olímpico desde os Jogos de Amsterdã e, também patrocinadora do Revezamento da Tocha, lançou um projeto em 2004, de treinamento e produção de brinquedos para 1.470 fazendeiros jovens em áreas pobres da China. Em 2006, o Grupo Lenovo, a primeira companhia chinesa entre os patrocinadors principais do COI e patrocinadora do Revezamento, além de idealizadora tecnológica da Tocha Olímpica, começou uma campanha em 854 municípios para promover o movimento Olímpico para mais de 8 milhões de pessoas. A General Electric, patrocinadora TOP, em 2003, doou 240.000 yuans para ajudar a China combater a SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave). Eles também doaram equipamento de iluminação para Sichuan em 2004 e enviaram arroz para a província durante a seca de 2006. Já a BHP Billiton, empresa de minerais e metais financiou projetos de proteção para a Grande Muralha, pandas gigantes e o meio ambiente de Lijiang, província de Yunnan. Em suma, a imprensa pouco informada, se esquece que as ações de marketing referentes aos Jogos Olímpicos acontecem com quatro anos de antecedência, porque os contratos são quadrienais, este inclusive, é um dos pontos fortes da plataforma de marketing do COI. Desta forma, afirmar ou induzir que as empresas corporativas aliadas ao COI estão realizando ações sociais apenas agora e em detrimento das repercussões negativas do Revezamento da Tocha de Beijing é no mínimo um atestado de falta de informação, conhecimento e de deturpação da notícia. Existem também as ações ecológicas desenvolvidas pelas empresas ligadas ao patrocínio olímpico, uma exigência do COI para a realização de Green Games - Jogos Verdes. Mas, este será um assunto que vamos dissecar mais adiante. É verdade que as empresas patrocinadoras do Revezamento não esperavam tal fiasco, mas nada justifica, a imprensa colocar fogo na fogueira e levantar dados que não são correlatos, que não tem ligação um com o outro. Isso é bem diferente e tem outro nome que não é informação.

Deborah Ribeiro - Diretora Sport Marketing