10 de abr. de 2008

Coluna Olímpica 8: Jogos Olímpicos Piratas!

Ditadura é ditadura, não importa o país e o continente! Quando o Comitê Olímpico Internacional (COI) e os membros da entidade votaram a favor da vigésima nova edição dos Jogos Olímpicos acontecer em Beijing, todos ali tinham ciência das transgressões aos direitos humanos,
massacres contra o povo tibetano, que chineses fumam e cospem à torta e à direita nas ruas, que não sabem o que é fila, que comem cachorros, escorpiões, cobras, gatos, que usam vasos sanitários estilo turco (no chão)..enfim...todas as atrocidades e diferenças culturais vindas daquela região do planeta. Sabiam também que a China não mudaria os procedimentos, os costumes, mas, mesmo assim, caíram nas promessas de que a China cumpriria moralmente o acordo jurado durante a candidatura de progredir nas questões sociais, em especial nas questões dos direitos humanos. Pois é, os Jogos Olímpicos nem começaram e a China faz questão em mostrar ao COI e ao mundo que todos caíram no golpe do chinês! O COI hoje vive uma situação parecida com a de vários consumidores que compram eletrônicos na Rua 25 de março, em São Paulo, local de maior aglomeração do comércio chinês do país. O COI vive hoje a mesma angústia que vários consumidores de produtos piratas chineses sentem. Após testar um aparelho na loja da Rua: 25 de março, levar o aparelho para casa e ligar, de repente, o aparelho pára de funcionar, sem explicação, direito a troca, garantia, devolução ou reclamação! É o golpe do produto pirata chinês - um risco que o consumidor corre ao optar por negociar com a pirataria! Nestes casos, nem adianta reclamar! Se você for reclamar, além de não entender nada do que o chinês estará te falando, (na hora da venda os chineses arranham o português e te convencem a realizar a compra, mas na hora da troca, espertamente, falam com você em mandarim ou algum dialeto), o vendedor será rude, vai andar de um lado para o outro, sem ao menos olhar na sua cara, não vai lhe devolver o dinheiro, não vai trocar o aparelho e ainda vai tentar lhe convencer que a culpa foi sua que não soube manipular direito! No final das contas, além de lesado, enganado e mal tratado, você não resgata o dinheiro, nem tão pouco, a moral e o produto que comprou - negócio pirata chinês é aborrecimento na certa! Isso sem contar que direta ou indiretamente o "china" acaba levando alguma vantagem em cima de você! "Assim são os chineses, prometem e, no último minuto, sempre mudam os planos dizendo que nada estava acordado antes" - me alertou há pouco tempo um amigo economista que sabe ler como ninguém as culturas humanas. O mesmo está ocorrendo hoje com relação aos Jogos Olímpicos. Antes de ganhar a candidatura, a China prometeu o mundo ao mundo, agora, nada feito e, pior, o COI e o Movimento Olímpico é que estão pagando a conta da escolha! O cinismo e o desdém do governo chinês é tão grande que, às vésperas da realização dos Jogos Olímpicos, realizou outro massacre no Tibet. O presidente do COI, Jacques Rogge, pediu à China que respeite os compromissos de melhorar a situação dos direitos humanos, mas o governo chinês, agora às portas do evento e dominando o jogo, respondeu de forma dura, que a política deve ficar fora do evento. Em outras palavras, o COI não tem mais como trocar a "promessa, o produto pirata" que comprou e repassou ao mundo quando deu nas mãos da China o direito de sediar os Jogos! Engraçado lembrar os comentários da imprensa com relação aos atrasos das obras dos Jogos de Atenas 2004! Chegou-se a falar que os Jogos seriam verdadeiros presentes de gregos! Nada como um Olimpíada atrás da outra! As instalações ficaram prontas e os atletas de todo o mundo desfrutaram da alegria olímpica. Na China, os Jogos mal começaram e a tristeza e o pesar tomaram proporções mundiais, com a Tocha Olímpica sendo escondida da população, peregrinando dentro de ônibus, sendo apagada, atacada, desvalorizada. Rogge lembrou, em entrevista coletiva em Beijing, que as autoridades chinesas haviam prometido, depois de apresentar a candidatura aos Jogos Olímpicos de 2008, que se vencessem a disputa abririam a guarda das questões políticas e de direitos humanos. "Isto é o que eu qualificaria de compromisso moral, mais que jurídico. Pedimos a China que respeite este compromisso moral", afirmou. No entanto, o governo da China pediu pouco depois do discurso de Rogge que o COI deixe os "fatores políticos irrelevantes" fora dos Jogos Olímpicos. "Acredito que os dirigentes do COI respaldam os Jogos Olímpicos e aceitam a carta olímpica, que estipula que fatores políticos irrelevantes não sejam considerados" - afirmou a porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores, Jiang Yu. "Espero que os dirigentes do COI continuem aderindo aos princípios da carta olímpica" - acrescentou. Esquece-se a China, porém, que quando a situação passa a tomar proporções mundiais, como é o caso dos acidentes no transcorrer do Revezamento da Tocha Olímpica pelo planeta, a questão deixa de ser do COI e passa a ser dos governos dos países envolvidos, o que indiretamente significa questões diplomáticas que estão ligadas sim à política. Mas, como a China não está nem aí para o que acontece fora das muralhas, que se dane o mundo. Resta ao COI pegar os Jogos Olímpicos chineses piratas e ir reclamar com o Papa, porque Jacques Rogge já rogou o suficiente pela paz e parece pregar no deserto da ignorância da ditadura chinesa! Rogge fez um discurso muito combativo aos representantes dos 205 Comitês Olímpicos Nacionais reunidos em Beijing com a comissão executiva do COI, no sentido de motivar os atletas a comparecer aos Jogos. "Digam a eles que, apesar de tudo o que têm ouvido, os Jogos serão muito bem organizados" - destacou Rogge, antes de pedir aos atletas que "não percam a fé". "Nos restam 120 dias e tenho certeza de que será um sucesso" - acrescentou. Rogge afirmou ainda que a viagem da Tocha Olímpica não tem sido o evento feliz que esperava, em conseqüência dos incidentes registrados durante a passagem, especialmente em Paris e Londres. "Felizmente, a situação foi melhor em São Francisco. No entanto, não foi a festa feliz que havíamos desejado. Nos sentimos aliviados e felizes com o que ocorreu em São Francisco, onde não houve violência ou detenções" - completou. Além disso, fez questão de ressaltar que a viagem da Tocha Olímpica não será encurtada, apesar das polêmicas na Europa e Estados Unidos. "Posso confirmar que este cenário não figura no programa", declarou Rogge. Alguns membros do COI haviam mencionado a possibilidade de redução do percurso da Chama Olímpica depois do fiasco registrado em Paris. Os protestos são motivados pela repressão chinesa aos monges no Tibete, mas o Dalai Lama reiterou apoio aos Jogos Olímpicos. "Apóio a organização dos Jogos pelos chineses porque a China é a nação mais povoada e mais antiga" - declarou o líder espiritual do budismo tibetano pouco depois de desembarcar no aeroporto de Narita, Japão. "Realmente merecem"-acrescentou à imprensa. "Apesar dos acontecimentos infelizes no Tibet, minha posição não mudou" - concluiu. O presidente do COI reafirmou ainda na entrevista coletiva os princípios da carta olímpica, ao lembrar que os atletas não serão autorizados a fazer propaganda, mas conservarão a liberdade de expressão nos Jogos. "A liberdade de expressão é algo absoluto, é um direito humano que também pertence aos atletas" - declarou Rogge, em entrevista coletiva, antes de lembrar que esportistas terão que aceitar as "pequenas restrições" citadas na carta olímpica, cujo artigo 51 proíbe qualquer "propaganda política, religiosa ou racial" em uma sede olímpica. Já o Parlamento Europeu (PE) aprovou uma resolução que pede aos líderes da União Européia (UE) estudem um boicote conjunto à Cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos, caso as autoridades chinesas não dêem mostras de interesse em dialogar para solucionar o conflito do Tibet. O texto, que recebeu 580 votos a favor e 24 contra, pede que a Presidência rotativa da UE, exercida pela Eslovênia, estabeleça uma posição comum sobre a participação ou não dos chefes de Estado e Governo e do Alto Representante, Javier Solana, à cerimônia. Além disso, especifica que essa posição comum deverá incluir "a opção de não assistir à cerimônia caso não seja retomado o diálogo entre as autoridades chinesas e o Dalai Lama".O presidente da Câmara, Hans-Gert Pöttering, destacou após a votação a "quase unanimidade" do PE sobre o texto, e confiou em que os governantes europeus percebam a importância da mensagem. A resolução deplora a "brutal repressão" das forças de segurança chinesas contra os manifestantes tibetanos e pede uma investigação das Nações Unidas sobre o ocorrido nos recentes protestos, assim como o acesso de diplomatas e jornalistas estrangeiros à região. Por outro lado, o texto elogia os pedidos de protesto não violento feitos pelo líder religioso tobetano e a aposta por uma solução ao conflito baseada na autonomia. O Parlamento Europeu, lembra o projeto de declaração, espera receber o líder tibetano em uma sessão solene este ano. As emendas aprovadas ao texto pedem a "libertação imediata" de todos os manifestantes pacíficos detidos no Tibet pelas autoridades chinesas. Disso tudo, uma coisa é certa: se o presidente pudesse entrar na máquina do tempo, ele e os demais membros votantes do COI, jamais iriam comprar Jogos Piratas, teriam dado a outro país a felicidade de hospedar os Jogos Olímpicos em paz, harmonia e felicidade com o resto do mundo! Produto chinês pirata dá nisso, na hora "H" nunca funciona direito e ler o manual de instrução é uma missão hercúlea! O melhor a fazer é rezar e se livrar logo do problema.

Deborah Ribeiro - Diretora Sport Marketing