10 de abr. de 2008

"Escolha da China foi sem muita reflexão"

"Possivelmente a escolha da China para sediar os Jogos Olímpicos tenha sido sem muita reflexão, pois se subestimou os protestos dos tibetanos, as atividades dos monges tibetanos e também a força do controle, a intensidade da opressão que não atinge só os tibetanos, mas também o acesso dos chineses à mídia, à liberdade de opinião" - opinou Michael Lackner, professor de Sinologia na Alemanha (ciência que trata da história, da língua, da escrita, das instituições e dos costumes chineses). Após os vários acontecimentos que antecedem os Jogos Olímpicos de Beijing 2008, a máscara chinesa caiu aos olhos do mundo. A partir da candidatura aos Jogos, a China apresentou-se como nação autoconfiante. Os planos eram que os Jogos fossem uma espécie de encenação perfeita: a entrada definitiva de um país bem-sucedido na comunidade internacional. Porém, o Revezamento da Tocha Olímpica planejado por Beijing para ser a "corrida da harmonia", foi marcada por tumultos e protestos, levando por terra todo um marketing político chinês na proporção que o governo chinês reagiu indignado à perturbação da encenação. A partir dos últimos acontecimentos uma pergunta não quer calar: entregar o evento à China foi um erro? Na opinião de Michael Lackner, a China quer brilhar com o evento, por outro, pretende atingir certa homogeneização e certo progresso. Com relação aos quesitos referentes aos direitos humanos e liberdade de imprensa, Michael Lackner acredita que ao menos parte das promessas serão cumpridas! "Segundo as últimas informações, durante as três semanas dos Jogos todos os hotéis internacionais e alguns cybercafés terão acesso irrestrito à internet. Por um lado, para que os jornalistas possam trabalhar e, por outro, talvez também para que informem que não tiveram problemas no acesso à internet. Este tipo de promessa o governo naturalmente pode cumprir a qualquer tempo. Só que isso não acontecerá amplamente! O único aspecto relevante é que Beijing não se deixa intimidar pelos Jogos Olímpicos e mantém a política de linha dura." Com respeito à compreensão dos direitos humanos e ao significado da liberdade de opinião, parece que a China e o Ocidente têm sistemas de comunicação completamente diferentes. O que a China interpreta como uma conspiração antichinesa é visto pelo Ocidente como revolta legítima de uma minoria reprimida. De acordo com Michael Lackner, no momento parece difícil manter um diálogo com o governo chinês sobre estas questões, especialmente sobre a questão do Tibet. "Parece-me importante que prossiga o diálogo em áreas da cultura e das ciências. Pois me parece que o diálogo na economia, de qualquer maneira, continua. O acesso dos chineses não é restrito apenas em relação à imprensa. Também a chamada "educação patriótica", que há pelo menos duas décadas, atinge todos os chineses. Veja como é apresentada a história chinesa nos livros escolares! A questão da integridade territorial é bem central" - finalizou o estudioso alemão de Sinologia.

Redação Sport Marketing