17 de abr. de 2008

Chineses vermelhos de raiva e de rancor

Rancorosos com França, Estados Unidos e Londres, países por onde o Revezamento da Tocha Olímpica foi cometido por várias manifestações pró-Tibet e contra o regime ditatorial da China, os chineses estão prá lá de vermelhos de raiva. A primeira retaliação veio contra a rede de hipermercados Carrefour (ver matéria no arquivo Sport Marketing). Desde blogs na Internet a mensagens curtas por telefone, de correios eletrônicos a mensagens instantâneas nos serviços de conversas na rede, os consumidores chineses estão recebendo mensagens para se recusarem a comprar marcas e produtos franceses, numa campanha que visa sobretudo os hipermercados Carrefour, líder no mercado a varejo na China. "Se ama o teu país, não vá ao Carrefour entre 08 e 24 de maio, três meses antes dos Jogos Olímpicos, porque os seus acionistas apoiam o Dalai Lama. O presidente francês diz que vai boicotar os Jogos, mas nós vamos boicotar os produtos franceses" - refere uma mensagem curta em chinês que circulava em Beijing. O Carrefour divulgou um comunicado negando qualquer envolvimento em questões políticas da China. "As informações que circulam na internet sugerindo que o Grupo Carrefour envolveu-se de alguma forma nas questões de política interna da China ou em suas relações internacionais são falsas e infundadas", disse a empresa. Não satisfeitos com a falta de audiência referente ao Carrefour, alguns chineses pretendem colocar no roteiro de protestos e boicotes as redes McDonald's e KFC. Com relação ao McDonald´s o protesto poderá ser um tiro no pé, já que a rede de comida fast food, é patrocinadora TOP do programa de marketing do COI e será a comida oficial dos Jogos no Midia Center, International Olympic Broadcasting Center e na Vila Olímpica. Ou seja, o COI acabará se envolvendo direta ou indiretamente no movimento e vai pedir ajuda ao Bocog - Comitê Organizador dos Jodos de Beijing, que vai acionar a tradicional força militar chinesa. Segundo os manifestantes chineses, a retaliação é contra a "mídia ocidental" que, segundo eles, distorce tudo sobre a China. Uma mensagem eletrônica que circula na rede aqui na China marca as datas em que serão realizadas as manifestações. O supermercado fica sem clientes, caso se confirme o boicote, em maio. O fast-food fica às moscas em junho. Hoje, alguns jovens fizeram uma breve passeata em frente a uma padaria perto da estação de Wudaokou. A loja se chama "Tous les Jours" (Todos os dias, em francês - mas a rede de lojas é coreana).

Jing Wang - Correspondente Sport Marketing - China