6 de abr. de 2008

Chama olímpica paga os pecados da China

Nunca, em toda a história do Movimento Olímpico, o Revezamento da Tocha Olímpica passou por tamanho embaraço e vergonha. O fogo sagrado de Olympia nesta 29 edição dos Jogos Olímpicos está pagando os pecados do mundo, ou melhor, os pecados da China. A passagem da Chama Olímpica pelo centro de Londres aconteceu sob vaias. Centenas de pessoas,entre tibetanos, ingleses e outras nacionalidades, se juntaram para protestar contra a ocupação chinesa e o desrespeito dos direitos humanos no Tibet. Apesar de o percurso estar fortemente policiado e a Chama protegida por diversas frentes de polícias e seguranças, várias pessoas tentaram agarrar o facho olímpico e pelo menos 18 foram detidas, anunciaram as autoridades. Uma das tentativas de marcar o protesto aconteceu junto ao Museu Britânico por um tibetano de cerca de 40 anos, rapidamente imobilizado no chão por policiais. Entre gritos de "Libertem o Tibet" e "Direitos Humanos no Tibet", o homem que tentou interromper o desfile da Tocha foi ferido e impedido pela polícia que se identificasse ou prestasse mais declarações. Mais uma vez, devido ao grande número de policiais, manifestantes, público e turistas na área foi difícil avistar a Tocha e quem a transportava. O Museu Britânico foi um dos três pontos de encontro de ativistas da organização Free Tibet para mostrar apoio à causa tibetana, e onde se reuniram centenas de pessoas com bandeiras, cartazes artesanais, gritanto palavras de ordem. Mas, no local também eram visíveis várias dezenas de chineses a favor dos Jogos Olímpicos com gongos e tambores. "Apesar de pensar que a China precisa de melhorar os direitos humanos, quis vir apoiar os Jogos Olímpicos porque sou chinês e porque é uma oportunidade para o país", justificou Zhenjun Li, residente em Londres há sete anos. Os incidentes continuaram pouco tempo mais tarde, junto à residência oficial do primeiro-ministro, em Downing Street, onde Gordon Brown saudou a Chama perante centenas de manifestantes e críticas por participar na iniciativa. Brown já afastou a hipótese do Reino Unido boicotar os Jogos Olímpicos, sustentando que nem o líder espiritual do Tibet e principal porta-voz, Dalai Lama, pediu tal ato. O cortejo teve início às 10:30 horas no estádio nacional de Wimbledon, no norte de Londres. A tocha foi transportada simbolicamente por diversos atletas e personalidades britânicas, entre os quais o ex-remador e campeão olímpico Steve Redgrave, o tenista Tim Henman e a apresentadora de televisão Konnie Huq. Aproximadamente dois mil policiais foram alocados para proteger a Chama Olímpica e os condutores pelo 48 quilômetros do percurso, numa operação com um custo estimado em um milhão de libras (1,27 milhões de euros). A passagem da Chama Olímpica por Londres terminou na O2 Arena, antes conhecida pela Millennium Dome, em Greenwich, na zona sudeste da cidade, antes de seguir para Paris na segunda-feira.

Redação Sport Marketing