7 de abr. de 2008

Beijing ignora o resto do mundo

A China ignora até o momento as manifestações de ativistas contra a passagem da Chama Olímpica pelo Tibet, insistindo que a chama olímpica vai mater o percurso planeado e passará no território, segundo afirmou um representante comunista chinês da região. Zhang Qingli, o líder para o Tibet do Partido Comunista Chinês, afirmou que Beijing não está disposta a ouvir as exigências dos ativistas que pedem uma alteração do percurso dp fogo agrado para que esta não passe no Tibet. A Chama Olímpica passou em Londres, onde foram presas 37 pessoas na sequência de uma série de manifestações contra a repressão chinesa dos protestos tibetanos, depois do Dalai Lama já ter apelado aos tibetanos no exílio para não perturbarem a preparação dos Jogos Olímpicos (JO). Num comunicado divulgado pelo governo do Tibet na página na Internet, Zhang referiu que o Tibet está determinado a contribuir para que os Jogos sejam um sucesso, preparando-se para receber a Chama Olímpica nos dias 19 e 20 de Junho e supervisionando a subida ao Monte Evereste em maio. O representante chinês apelou às pessoas que "reforcem a vontade chinesa em completar a gloriosa, importante e árdua tarefa” de ver o fogo sagrado no Tibet. Zhang acrescentou que a tranquilidade foi reposta em grande parte do Tibet depois das manifestações que abalaram a região no mês passado. O Dalai Lama disse que os protestos no Tibet e nas províncias vizinhas refutaram a “propaganda” chinesa e alertaram para que a situação não continue a ser “ignorada”. "Os recentes protestos por todo o Tibet não só refutaram, mas também destruíram a propaganda levada a cabo pela China segundo a qual, excepto alguns reacionários, a maioria tibetanos, tem uma vida próspera e está feliz” - referiu o Dalai Lama num comunicado divulgado em Dharamshala, na Índia, onde está exilado. "Os recentes protestos mostraram também ao mundo que o problema do Tibet não pode continuar a ser negligenciado” - acrescentou. O líder espiritual no exílio voltou a apelar a uma investigação internacional sobre os tumultos tibetanos e a repressão chinesa para conter as manifestações e, mais uma vez, negou a acusação de Beijing de ser o responsável pela organização dos protestos. A violência no Tibet e de outras regiões chinesas de influência tibetana despoletaram protestos em todo o mundo contra a realização dos Jogos em Beijing, com os ativistas pro-Tibete a insistirem que o percurso da Tocha Olímpica seja alterado para que a Chama não atravesse a região dos Himalaias. Um enviado do Dalai Lama afirmou perante o congresso norte-americano que o transporte da Chama Olímpica pelo Tibet seria um ato “deliberadamente provocador e insultuoso”. A China culpa o líder espiritual tibetano, no exílio, de ter organizado os protestos que despoletaram no dia 10 de março, em Lassa, na capital do Tibet, e que depois provocaram uma onda de violência na cidade quatro dias mais tarde. Beijing acusa o Dalai Lama de ser um separatista que pretende a independência do Tibet e recusa-se a estabelecer diálogo com o líder espiritual enquanto este não renunciar a este alegado. Beijing acusa os manifestantes tibetanos de terem provocado a morte de 20 pessoas durante os tumultos. Mas o governo tibetano exilado afirma que 150 pessoas morreram devido à repressão chinesa das manifestações. A Nova China, agência noticiosa estatal chinesa, afirmou que os protestos continuam, noticiando que a polícia chinesa disparou tiros perante manifestantes em Garze, na província chinesa de Sichuan, no sudoeste do país, depois de os manifestantes terem ferido um oficial chinês. Mas os grupos ativistas pró-Tibet disseram que a polícia disparou diretamente à multidão matando pelo menos oito pessoas. Desde que foi acesa, a Tocha Olímpica tem enfrentado protestos no percurso. Depois das manifestações em Londres, apesar das fortes medidas de segurança, estão programadas mais ações de protesto em Paris e São Francisco, nos Estados Unidos. Um representante olímpico chinês criticou as tentativas dos ativistas pró-Tibete de perturbarem o percurso da chama em Londres, informou a imprensa estatal chinesa. Um porta-voz da Comissão Organizadora dos Jogos (BOCOG) afirmou que a Chama Olímpica representa a paz, amizade e progresso.

Redação Sport Marketing