3 de abr. de 2008

Atletas franceses prometem ação

Atletas franceses pretendem usar durante a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Beijing, em agosto, um símbolo chamativo mostrando a preocupação com os direitos humanos, afirmou o bicampeão olímpico de judô David Douillet. "Temos coisas a dizer e vamos dizê-las" - disse Douillet, co-presidente da comissão de atletas junto ao Comitê Olímpico Francês. As declarações dele foram dadas em uma entrevista coletiva realizada em Paris. A iniciativa será apresentada oficialmente pelos atletas em uma entrevista marcada para sexta-feira, acrescentou Douillet, que está se aposentado das competições e hoje é membro da federação francesa de judô. "Vamos anunciar qual o símbolo chamativo que usaremos na passagem da Tocha Olímpica (em Paris, na segunda-feira) e na cerimônia de abertura dos Jogos" - afirmou. A entrevista foi convocada pelo Comitê Olímpico da França antes da chegada da Tocha ao país. O prefeito de Paris, Bertrand Delanoë, afirmou que uma faixa manifestando o apoio da cidade aos direitos humanos em todo o mundo seria exibida na frente da prefeitura da capital naquele dia. O primeiro a carregar a Tocha em Paris será o ex-campeão mundial dos 400 metros com barreira Stéphane Diagana. "Acho que podemos expor nossas opiniões e, ao mesmo tempo, permitir que a Tocha continue avançando rumo a Beijing. Mas precisamos enviar para a China a mensagem de que esse país não cumpriu suas obrigações" - afirmou Diagana à Reuters. "O que podemos fazer é algo não contra a China, mas a favor dos direitos humanos. Na condição de seres humanos, é nosso dever intervir" - acrescentou. Uma pesquisa da revista Sports revelou que aproximadamente 43% dos atletas franceses que participarão dos Jogos Olímpicos desejam que o presidente do país, Nicolas Sarkozy, boicote a cerimônia de abertura como forma de protesto. Do total de atletas pesquisados, 31,5% seriam contra esse boicote, enquanto 25,5% não tinham uma opinião definida sobre o assunto. A pesquisa, que conta com a opinião de 126 atletas, aponta que a grande maioria (96%) é contra um boicote esportivo aos Jogos. Grande parte dos atletas (86%), no entanto, estaria disposta a manifestar solidariedade ao Tibet, sobretudo como um compromisso geral com os direitos humanos. Como forma de protesto, o método preferido por 73% seria levar um laço, como proposto pelo atleta Romain Mesnil, enquanto 40% afirmou ser capaz de levar uma imagem dos anéis olímpicos transformados em algemas, e 33%, uma bandeira do Tibete.Metade dos entrevistados pela pesquisa manifestou a vontade de não participar da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos, enquanto 47% afirmou que não teria problemas em falar publicamente em Beijing sobre direitos humanos. Fabrice Santoro e Mary Pierce, se revezarão com outras estrelas do país na passagem da Tocha pela França. O percurso será aberto no segundo andar da Torre Eiffel, com o nadador Stéphane Diagana, ex-campeão olímpico dos 400m. Em seguida, ela subirá em direção ao Arco do Triunfo e descerá a Avenida Champs Elysées, passando por outros pontos pontos turísticos da capital como a igreja de Notre Dame, o Museu do Louvre, o Hôtel de Ville, até chegar ao estádio Charléty. O alemão Walther Troger, membro do Comitê Olímpico Internacional (COI), afirmou que os atletas que participarem de manifestações contra a política chinesa em relação ao Tibet podem ser excluídos dos Jogos Olímpicos. "Quem não respeitar a proibição de propaganda não autorizada nas zonas regulamentadas, ou seja, nas arenas, vila olímpica será excluído assim que o caso for avaliado"- alerta Troger. O dirigente acrescentou que cada competidor deve conhecer as regras estabelecidas pelo COI, e pode achar outras formas mais adequadas de protesto. "Eles têm o direito de não participar dos Jogos caso não aceitem as regras" - explica Troger, membro do COI desde 1989. No entanto, Troger diz que se um atleta participar das manifestações após ganhar uma medalha, não terá que devolvê-la. O mesmo acontece caso os atletas se manifestem ainda no país de origem. "Os resultados das competições já disputadas só podem ser anulados se as regras técnicas forem violadas" - diz. Juan Antonio Samaranch Salisachs, membro do Comitê Olímpico Internacional (COI), filho do espanhol Juan Antonio Samaranch, ex-presidente do COI, considera "uma injustiça" que os Jogos sirvam como pretexto para protestos extra-esportivos, pois transformam em "reféns" os que deveriam ser os únicos destaques do evento, os atletas. "É um assunto muito sério. Esta campanha, surgida no mundo ocidental, tenta usar o Movimento Olímpico e a proximidade dos Jogos para obter mudanças na China que não nos cabem fazer nem seríamos capazes de conseguir. Esta pressão transforma em reféns mais de 10 mil atletas que ficaram muitos anos se preparando para os Jogos" - afirma. Várias organizações pró-direitos humanos, entre elas as associações a favor da independência do Tibet, pediram um boicote dos Jogos ou, pelo menos, da cerimônia de abertura, em protesto contra a política de repressão do Governo chinês.


Redação Sport Marketing