15 de mar. de 2008

Especial: Situação pegando fogo no Tibet

Restando apenas cinco meses para os Jogos Olímpicos de Beijing, grupos pró-tibetanos já anunciaram intenção de perturbar o Revezamento da Tocha antes que chegue à China, entre os dias 2 e 29 de abril. O Nepal anunciou que, a pedido da China, fechará o acesso ao cume do Everest quando a tocha chegar a essa região, com o objetivo de impedir as manifestações de protesto. Existem duas rotas para o pico mais alto do mundo e ambas estarão bloqueadas para expedições de montanhismo nesta primavera (no hemisfério norte). O BOCOG - Beijing Olympic Games Organizing Committee - Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Beijing assegurou que os distúrbios no Tibet não impedirão que a tocha olímpica passe em maio pelo cume do Everest, a montanha mais alta do mundo (8.848 metros)."A passagem da tocha olímpica pelo Tibet e pelo cume do Everest não será afetada pelos distúrbios", declarou Sun Weide, porta-voz do Comitê. "A etapa do Everest não será afetada", acrescentou. Desde os Jogos de 1936 em Berlim, a tocha olímpica é acesa em Olímpia (Grécia) e percorre o caminho traçado até a cidade anfitriã do evento. Este ano, será acesa no dia 24 de março. O clima está quente no Tibet. De acordo com a agência oficial Nova China, as manifestações contra a ocupação chinesa do Tibet deixaram dez mortos e um grande número de feridos em Lhasa, capital regional. Os mortos chegariam a cem, de acordo com "informações não confirmadas"governo tibetano exilado em Dharamshala (norte da Índia). Lojas e carros foram incendiados em meio à violência em Lhasa. Trata-se dos maiores distúrbios na Região Autônoma do Tibet desde 1989. A China domina o Tibet desde 1950. Uma rebelião contra a China, reprimida pelo Exército do país comunista, forçou em 1959 a partida do Dalai Lama, líder espiritual dos budistas tibetanos, que formou um governo no exílio na cidade indiana de Dharamshala. As autoridades chinesas acusaram o líder espiritual do Tibet, o Dalai Lama, de organizar os protestos. "Houve suficientes sinais que provam que a recente sabotagem em Lhasa foi organizada, premeditada e planejada pelo bando do Dalai", diz uma mensagem do governo regional do Tibete divulgada pela agência de notícias estatal chinesa Xinhua. Um porta-voz do líder espiritual tibetano rebateu a declaração e disse que as acusações são "totalmente infundadas". Mais cedo, o Dalai Lama divulgou uma mensagem em que manifestou preocupação com os recentes episódios de violência no território. O líder espiritual, que na Índia lidera o governo tibetano no exílio, pediu que o governo chinês "pare de usar a força e inicie um diálogo com o povo tibetano para minimizar o ressentimento há muito crescente". "Eu também peço a meus colegas tibetanos que não façam uso da violência", completou o Dalai Lama. Os protestos começaram como uma reação à notícia de que monges budistas teriam sido presos depois de realizar uma passeata para marcar os 49 anos de um levante tibetano contra o domínio chinês. Centenas de monges tomaram então as ruas, e os protestos ganharam força nos últimos dias, com a adesão de pessoas comuns. Outros protestos foram registrados inclusive fora do Tibet – há informações de que centenas de monges realizaram uma marcha na província chinesa de Gansu, e, na Índia, a polícia prendeu cerca de 25 pessoas que tentaram invadir a embaixada chinesa em Déli. Autoridades de países europeus e em Washington pediram que a China seja tolerante com os manifestantes. Em um comunicado, Louise Arbour, a alta comissária da ONU para direitos humanos, também pediu a Beijing que "permita que os manifestantes exercitem seu direito de liberdade de expressão e reunião, sem fazer qualquer uso excessivo da força na manutenção da ordem". O ator de cinema norte-americano e militante da causa tibetana Richard Gere pediu um boicote aos Jogos Olímpicos de Beijing. Richard Gere, um budista, ativo defensor do Tibet e seguidor do Dalai Lama, disse que "sem sombra de dúvida" deve haver um boicote mundial dos Jogos Olímpicos se as autoridades chinesas não reagirem adequadamente ante as manifestações. "A situação no Tibet se deteriorou durante muitos anos e (...), à medida que sua segurança, seu êxito e seu poderio aumentaram, a China deveria mudar a forma como trata seu próprio povo e o povo que colonizou", declarou à rádio BBC. Gere disse que antes não havia apoiado um boicote, pois acreditava que os Jogos Olímpicos facilitassem "o livre intercâmbio de comunicações, esportes, entretenimentos". As autoridades de Taiwan condenaram a "ofensiva" da China durante os protestos registrados no Tibet. O Ministério das Relações Exteriores de Taiwan manifestou em um comunicado " preocupação com as violentas manifestações provocadas pela ofensiva militar chinesa e condena com veemência a ação sem piedade da China, que viola os direitos humanos". "A China quer que acreditem na existência de um crescente clima de paz, porque recebe os Jogos Olímpicos, mas na realidade aponta para Taiwan com mísseis e reprime as aspirações de liberdade e democracia do povo tibetano", acrescentou o texto. Taiwan e China se separaram em 1949 ao término de uma guerra civil, mas Beijing continua considerando a ilha parte de seu território e ameaçou em reiteradas ocasiões invadi-la se o governo de Taipei declarar formalmente a independência. No início do mês, o governo chinês decidiu impor regras mais rígidas às estrelas internacionais do rock e do pop que se apresentarem no país. A decisão foi anunciada depois que a cantora Björk defendeu a independência do Tibet durante um show em Xangai. A cantora gritou “Tibet, Tibet” depois de cantar a música Declare Independence. Irritado com o incidente, o ministro da Cultura da China disse que Björk não apenas “violou as leis como feriu os sentimentos do povo chinês”. Falar sobre a independência do Tibet é tabu na China. “Vamos aumentar o controle nos shows de artistas estrangeiros na China para impedir que casos semelhantes ocorram no futuro”, declarou o ministro à agência de notícia chinesa. Ele afirmou ainda, que o governo não admite qualquer tentativa de separar o Tibet da China e que não vai acolher nenhum artista que defenda isso deliberadamente. “Não sou político, sou apenas uma artista que sente a responsabilidade de tentar expressar todos os tipos de emoções humanas”, disse Björk. Ativistas dos direitos humanos e muitos políticos no mundo inteiro criticam a política chinesa no Tibet. Muitos tibetanos são leais ao líder espiritual exilado, o Dalai Lama, considerado separatista pelo governo chinês. No mês passado, num show no Japão, Björk dedicou a música Declare Independence ao Kosovo. Ele costuma cantá-la em campanha a favor da Groenlândia e das ilhas Faroe - territórios controlados pela Dinamarca. O comportamento da cantora em Xangai não foi noticiado pela imprensa local, controlada pelo Estado. No primeiro comparecimento público após os distúrbios em Lhasa (capital tibetana), o Dalai Lama voltou a expressar seu apoio à realização dos Jogos Olímpicos em Beijing. Porém, o líder espiritual tibetano pediu uma investigação internacional sobre a ação do governo chinês contra as manifestações ocorridas. Para ele, a região está sofrendo "um tipo de genocídio cultural e que as autoridades chinesas pretendem alcançar a paz através do uso da força. A polícia e o Exército chineses ocuparam as ruas da cidade. O comércio da cidade permanece fechado, a comunicação telefônica está interrompida, jornalistas e turistas estão impedidos de entrar na cidade. Em um comunicado neste sábado, representantes do Poder Judiciário do Tibet disseram que eximirão de punições aqueles que se arrependerem. 'Os criminosos que não se renderem após a data-limite serão severamente punidos de acordo com a lei', informou o governo do Tibet acrescentando que dará recompensas e proteção às pessoas que derem informações sobre os manifestantes. O presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional), Jacques Rogge, disse que se opõe a um boicote aos Jogos Olímpicos devido ao problema. "Nós acreditamos que um boicote não resolve nada", disse Rogge. "Pelo contrário, penaliza atletas inocentes e impediria a organização de alto que definitivamente vale a pena ocorrer."

Redação Sport Marketing