31 de mar. de 2008

Site estatal chinês aponta culpados dos protestos de Lhasa

As revoltas de meados de março em Lhasa foram coordenada pelo presidente do Congresso da Juventude Tibetana no exílio, Tsewang Rinzin, encarregado de buscar financiamento para a "ofensiva" planejada este ano, aproveitando os Jogos Olímpicos de Beijing, afirmou o site oficial do Governo chinês. Um comunicado colocado no site, assinado pela agência oficial chinesa "Xinhua", afirmou que os distúrbios ocorridos em 14 de março em Lhasa foram preparados meses antes por um escritório provisório criado por cinco organizações tibetanas, que teria nomeado Tsewang como principal responsável. A Associação Mulheres Tibetanas, os Estudantes por um Tibet Livre, o Partido Democrático Nacional do Tibet e o Movimento Gu Chu Sum foram, junto com o Congresso da Juventude Tibetana, as organizações envolvidas na preparação dos distúrbios, segundo o comunicado. "No dia 13 de março, o Congresso da Juventude Tibetana, uma organização que defende abertamente a violência, decidiu criar guerrilhas para se infiltrar no Tibet e começar lutas armadas" em reunião em Dharamsala, residência no exílio do Dalai Lama, indicou o documento. O artigo não culpa diretamente o Dalai Lama, líder espiritual e político dos tibetanos, pelos distúrbios, só afirma que este "mudou sua estratégia". Segundo o comunicado, dois dias depois dos distúrbios de Lhasa, o Dalai Lama qualificou estes de "manifestações pacíficas", mas, dois dias depois, pediu os manifestantes para parar a violência. O documento é uma contra-ofensiva do Governo chinês ao que considera uma "distorção" dos fatos ocorridos em 14 de março em Lhasa por parte da imprensa ocidental, que a nota acusa de não ter sido exata em suas informações. Vale apenas lembrar que estas informações partiram de um site controlado pelo regime comunista chinês que manipula a imprensa e os veículos de comunicação. O presidente do Congresso da Juventude Tibetana no exílio, Tsewang Rinzin, qualificou de "completamente infundadas e falsas" as acusações das autoridades chinesas que o apontam como um dos responsáveis pelos distúrbios de 14 de março em Lhasa. Em declarações por telefone à Agência Efe, Rinzin disse que os protestos foram uma "iniciativa dos tibetanos do Tibete", e negou que tenham sido coordenados pelas organizações de tibetanos no exílio. Rinzin acrescentou que as manifestações contam com a "solidariedade" do movimento que lidera, mas negou qualquer envolvimento na coordenação ou no financiamento desses protestos. Trata-se, disse, de uma "tentativa" do Governo de Beijing de "culpar os outros" pelo que está acontecendo no Tibet. "Não é novo que tentem responsabilizar os outros"- disse Rinzin, que acrescentou que a China "não quer aceitar a realidade do sentimento tibetano". O líder do Congresso da Juventude Tibetana também disse que os protestos de tibetanos que estão acontecendo em outros pontos da China e em países como Nepal e Índia continuarão, "para expressar a oposição à ocupação do Tibet". Além disso, expressou desejo de que as potências ocidentais se envolvam na questão. "Esperamos que haja reações. A comunidade internacional tem responsabilidade moral com relação ao Tibet", disse. Fato comprovado é que a China investe de forma selvagem na colônia do Tibet. País independente, conquistado e sob o domínio maoista. Ao longo dos anos de ocupação, a China tem destruído impavidamente a identidade, a cultura, a religião do povo tibetano. As centenas de mosteiros existentes antes da ocupação, estão reduzidas a algumas dezenas. Entretanto, o povo tibetano levanta-se, pacificamente, contra o domínio chinês; como resposta a repressão e a violência armada. O chefe do Tibet, no exílio, o Dalai-Lama, é um dos acusados de provocar a revolta como tentativa de boicote dos Jogos Olímpicos! O pacifista, aquele que prega a independência do povo em favor de uma simples autonomia, que deseja ardentemente uma paz honrosa, torna-se o mau da fita. Curiosamente, os ataques da China ao Dalai-Lama coincidiram com a ameaça da Al-Qaeda de atacar o coração da Cristandade – Roma. Será só coincidência?

Redação Sport Marketing