26 de mar. de 2008

Nike - o engodo da Gávea

Em 2000, na gestão de Edmundo Santos Silva, a Nike se apresentou como um engodo, uma isca que atraiu o time da Gávea a fechar num contrato de longo prazo que se estende até ano que vem. Hoje, a maior fabricante de materiais esportivos do mundo é uma mazela para o marketing do time. Um casamento que não deu certo. A solução para o impasse é prática, simples e cara, como todo divórcio. O time da Gávea paga a milionária multa rescisória de contrato com a Nike e se livra de vez de todos os problemas que afirma ter com a fabricante americana. Caso contrário, não adianta reclamar. O âmago da questão está além dos atrasos nas entregas de materiais esportivos para o time. A verdade navega por assuntos já desgastados pela mídia: a falta de competência e capacidade de gestão dos clubes do ponto de vista de marketing. As cláusulas do contrato entre a Nike e o Flamengo favorecem muito mais à marca do que o clube. Como se não bastasse, o relacionamento pessoal entre as partes está mais do que desgastado, emperrando ainda mais processos e prejudicando, paralelamente, os atletas. Se o futebol, que é o carro chefe do clube sofre com a péssima qualidade no atendimento da Nike, o departamento de esportes olímpicos, por exemplo, é o que mais padece. Antes dos Jogos Pan-americanos a vice-presidência do departamento contratou costureiras para salvar meias e camisas rotas do futsal, do vôlei e do basquete. O escambo de materiais entre os esportes já faz parte da rotina. Fazer o silk das camisas no clube, então, já virou moda. Como se não bastasse a péssima negociação com a Nike, o mesmo acontece com o contrato rubro-negro com a Petrobras, que impede o time de vender as mangas e as costas das camisas a outras marcas, contrato esse cujo valor está aquém do que vale e alcança a marca Flamengo. O acordo com a Petrobras foi recentemente renovado por mais um ano, com as mesmas cláusulas contratuais que dificultam e muito o trabalho do novo departamento de marketing do clube que tenta fazer milagres em cima das falhas do passado. Sem dinheiro para rescindir com a Nike, o Flamengo tem que "chupar essa manga" até 2009 e, de preferência, aprender com os erros do marketing do passado. A Nike paga R$ 9 milhões anuais ao clube, ofereceu um reajuste e prometeu melhorar a relação. Não adiantou muito. Há propostas de outras empresas que chegam à casa dos R$ 20 milhões. Mas a realidade nua e crua é uma só: o time pode receber proposta da Adidas, Puma, Olympikus, Umbro, mas nenhuma empresa vai topar pagar a milionária quantia que envolve a quebra desse contrato, ainda mais faltando menos de um ano para acabar o pesadelo rubro-negro. Mais vale esperar e não trocar mais os pés pelas mãos nos próximos contratos, acertando de vez o passo.

Redação Sport Marketing