28 de mar. de 2008

À moda alemã

A chanceler alemã, Angela Merkel e o ministro dos Negócios Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, não vão assistir à cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Beijing em Agosto. Em declarações a emissoras alemãs, o próprio Steinmeier disse que nenhum dos dois tinha previsto viajar para a China e que esta decisão não está relacionada com o conflito no Tibet. "Por esse motivo, não se pode falar de suspensão (de uma viagem). Não posso julgar os planos outros chefes de Estado" - disse o diplomata alemão, que está em Brdo para participar de uma reunião de ministros da União Europeia (UE). O porta-voz governamental alemão, Thomas Steg, disse em Berlim que a chanceler "em nenhum momento teve planos de assistir à cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos". Segundo Steg, não é costume na Alemanha que o chefe de Governo assista aos Jogos, "excepto se forem organizados no país" e que, caso tivesse a presença de um alto líder germânico, este seria o presidente. Steinmeier afirmou também que o ministro do Interior e do esporto alemão, Wolfgang Schäuble, também não deve assistir à inauguração dos Jogos. A Espanha está no mesmo barco não irá boicotar os Jogos, mas exige que o "espírito Olímpico seja recuperado", segundo Miguel Angel Moratinos, ministro das Relações Exteriores espanhol. "Os Jogos Olímpicos são a melhor plataforma para polêmicas, crises e favorecer o diálogo, por isso não deve ser boicotado, mas precisamente devemos recuperar o que tem de mais forte, o espírito olímpico", disse Moratinos aos jornalistas espanhóis. O ministro disse que tentar "recuperar o espírito olímpico" não significa deixar de exigir um diálogo entre as autoridades chinesas e as tibetanas. Condoleezza Rice, secretário de Estado norte-americana, acredita que o boicote aos Jogos Olímpicos de Moscou, em 1980, foi "ineficaz" e não vê benefícios em ofuscar os Jogos de Beijing devido à instabilidade no Tibet. Em entrevista ao jornal The Washington Post, Rice disse que seria um "insulto" ao povo chinês se os Estados Unidos boicotassem tanto a cerimônia de abertura como os Jogos Olímpicos propriamente ditos. "Não vejo benefício em boicotar", disse Rice na entrevista, segundo transcrição divulgada pelo Departamento de Estado. Rice, fanática torcedora de esportes, disse que um eventual boicote também seria desleal com os atletas. "Vejo isso como manter a confiança em atletas que treinaram durante suas vidas inteiras por essa oportunidade e não devem ser negados." Os Estados Unidos lideraram um boicote aos Jogos de 1980 em Moscou para protestar contra a invasão da União Soviética no Afeganistão e recebeu o apoio de 60 países, incluindo a China. Rice criticou a decisão de 1980, que resultou numa resposta da União Soviética e da maior parte dos países do bloco oriental nos Jogos de 1984, em Los Angeles. "Não acho que o boicote à Olimpíada de 80 foi muito efetivo. Na verdade, acho que foi ineficaz", disse ela. Rice também disse que quando os Jogos Olímpicos foram entregues à China, o mundo sabia uma série de questões que deveriam ser encaradas e que os países deveriam alertar o governo chinês sobre suas "políticas problemáticas", em vez de boicotar os Jogos.

Redação Sport Marketing