23 de mar. de 2008

Ministério do Esporte enfia os pés pelas mãos

Ao traçar metas para o desempenho brasileiro nos Jogos Olímpicos baseadas em conquistas de medalhas, o Ministério dos Esporte, enfia os pés pelas mãos e se mete em um campo que não lhe diz respeito, o qual o Ministério prova não ter nenhum conhecimento sobre. De acordo com o lema do Barão de Coubertin, idealizador dos Jogos Olímpicos da Modernidade, "o importante é participar", portanto, ganhar medalhas não é a principal meta do olimpismo e nem do Movimento Olímpico! A carta Olímpica, que rege o IOC - International Olympic Committee - Comitê Olímpico Internacional e, consequentemente, todos os CONs , Comitês Olímpicos Nacionais espalhados pelo mundo, é absolutamente contra quadros de medalhas e não fomenta a disputa e a competição entre países. Assim sendo, é mais do que normal, que o COB - Comitê Olímpico Brasileiro, órgão máximo representante do olimpismo no país, se esquive de fazer prognósticos nesse sentido e se interesse positivamente no desenvolvimento do esporte como um todo. Desta forma, a notícia de que o Ministério do Esporte, fez uma projeção para as próximas três edições dos Jogos, incluindo a deste ano, em Beijing, divulgada pelo jornal Folha de S. Paulo é no mínimo uma falta de respeito com a Carta Olímpica e com os princípios do Comitê Olímpico Internacional. Uma vergonhosa demonstração de falta de preparo do governo de um país que pleiteia junto ao COI o direito de sediar os Jogos Olímpicos de 2016. Segundo o jornal, por intermédio do inédito Plano Nacional de Desenvolvimento do Esporte, o ministério espera a melhora gradativa no rendimento brasileiro nos Jogos. A projeção para Beijing-2008 é de melhorar a 16 ª colocação no quadro geral de medalhas. Para Londres-2012, a meta é chegar entre o 11º e o 15º lugar. Em 2016, o governo espera que o Brasil termine em 10º. "É nossa expectativa. Mas precisamos ver como a delegação brasileira se comporta em Beijing", declarou o ministro do Esporte, Orlando Silva Jr, à Folha de S. Paulo. Talvez, mais preocupado em mudar o foco da mídia dos escândalos recentes sobre o uso inapropriado dos cartões corporativos e das denúncias envolvendo o Projeto Segundo Tempo e o PC do B, o ministro do esporte Orlando Silva Jr esteja tentando chamar a atenção da mídia de uma forma um pouco mais positiva, mas o tiro sai pela culatra, quando a notícia esbarra em cláusulas e regras olímpicas às quais o Ministro prova desconhecer. Tentativa essa muito infeliz essa do Ministério se envolver em questões de prognósticos de medalhas, em se tratando de um país democrático e não comunista, como a China ou Cuba, por exemplo, cujos governos pressionam seus atletas por bons desempenhos. O esporte não é uma ferramenta para ser usada na aplicação de pressão ou exibição política. O COB, por sua vez, fez o certo e via assessoria de imprensa, disse que "o mais importante é dar suporte à evolução técnica e ao aumento qualitativo da participação brasileira, independente do número de medalhas". Talvez, se o Ministério do Esporte cuidasse melhor do que lhe cabe no latifúndio do esporte brasileiro, evitando o desvio de verbas de projetos sociais, estipulando e criando melhores leis de incentivo ao esporte, criando leis de segurança nos estádios de futebol que coibam a violência entre as torcidas, criando formas de incentivar nossos jogadores e atletas para que não saiam do país ou evitando o uso indevido de cartões corporativos, o esporte nacional consiga mais patrocínios e como consequência mais medalhas. A pergunta que fica no ar é: o que o Ministério e a Secretaria de Alto Rendimento de Djan Madruga têm feito de concreto pelo esporte de base nacional para que o Ministério do Esporte deseje tantas medalhas? O Projeto Segundo Tempo, meu amigo, não segura essa onda e muito menos as leis de incentivo para o esporte. Arrotar prognósticos em cima do esforço dos outros é fácil, agora colocar a mão na massa e fazer a tapioca é que são elas!

Redação Sport Marketing