1 de mar. de 2008

Especial: Yao Ming e Coca-Cola, entre tapas e beijos

Enquanto o gigante chinês do basquete Yao Ming, 27 anos, se recupera de uma cirurgia, após uma lesão no tornozelo esquerdo, e tem esperanças de participar dos Jogos Olímpicos de Beiing, as empresas que estão diretamente ligadas ao astro se preocupam com o destino de Yao. A Coca-Cola, por exemplo, é uma delas e a empresa tem uma história no mínimo interessante com o atleta chinês, dessas que começam com tapas e acabam em beijos. Tudo começou em 2003, quando Yao colocou um processo contra a Coca-Cola pelo uso indevido da imagem dele. Isso mesmo. O pivô do Houston Rockets, que logo na primeira temporada se transformou numa das maiores estrelas da NBA, decidiu processar a Coca-Cola num tribunal de Shanghai. Yao Ming denunciou a empresa norte-americana pelo uso não-autorizado de sua imagem e nome para promover produtos e bebidas. Na época, Yao tinha um contrato com a Pepsi, tradicional rival da Coca-Cola que estampou a imagem dele e de mais dois jogadores chineses (Menk Bateer e Guo Shiqiang, vestidos com o uniforme da delegação chinesa) em diversos produtos da Coca-Cola Co. chinesa. O tema deu o que falar na época, porque a empresa americana, insistiu que havia firmado, com exclusividade na categoria de refrigerantes, um contrato de compra dos direitos para utilizar a imagem do time chinês de basquete. O acordo havia sido firmado junto à China Sports Management Company, a agência de marketing da seleção chinesa de basquete - Chinese National Basketball. No contrato havia uma cláusula que permitia que Coca-Cola usasse a imagem de qualquer membro da seleção de basquete chinesa, desde que três ou mais jogadores aparecessem juntos, vestindo o uniforme da seleção. O ponto crucial da discórdia foi que a Coca-Cola (China) não buscou o consentimento de Yao Ming com antecedência e, sem consultar o atleta, usou a imagem e o nome de Yao Ming nas embalagens de produtos distribuídos na China. Detalhe: na ação de danos movida por Yan contra a Coca-Cola, o jogador pediu a quantia de 12 centavos de dólar de indenização, uma retratação pública da empresa e a retirada dos produtos do mercado. Isso mesmo - doze centavos de dólar (12 cents). Final da história, três meses depois, Yao retirou o processo. Mesmo assim, os produtos foram retirados do mercado e a Coca-Cola se retratou via mídia chinesa. Anos depois, a Coca-Cola e Yao fecharam contrato. Hoje, segundo dados publicados no The Wall Street Journal (28.02), Coca-Cola, Reebok e VISA pagam juntas ao jogador o total de US$10 milhões/ano. A Coca-Cola é uma das patrocinadoras oficiais dos Jogos Olímpicos desde 1928 como destaca o livro Ouro Olímpico - a história do marketing dos aros - selo COB/Cultural - editora Casa da Palavra. O atual contrato da Coca-Cola com os Jogos tem duração até 2020.

Deborah Ribeiro - Diretora Sport Marketing