18 de mar. de 2008

Especial: Poluição de Beijing preocupa atletas olímpicos

Já foi o tempo em que a bicicleta era o principal meio de transporte adotado na China. O país cresceu tanto que em sete anos o número de carros circulando pelas ruas de Beijing, cidade eleita para sediar os Jogos Olímpicos, triplicou. Em 2001, havia 1.5 milhões de carros na cidade. Hoje, são 4.5 milhões. Além disso, as fábricas não respeitam os níveis de emissão de gases poluentes. A poluição do ar é alarmante e faltam menos de cinco meses para a chegada dos atletas ao país. Para garantir melhor qualidade do ar durante a competição, o governo chinês fechou algumas fábricas de Beijing e das províncias vizinhas à capital, que estavam com os níveis de emissão de gases poluentes, acima do permitido. Está instalando equipamentos para controlar as substâncias contaminadoras do ar, como o dióxido de enxofre e o monóxido de carbono. O tráfico de carros pelas ruas, durante os Jogos, será bastante reduzido e o transporte coletivo será priorizado. Além disso, foi criado recentemente no país o Ministério do Meio Ambiente. Apesar do esforço do governo chinês para contornar a situação, times de mais de 20 países, incluindo Inglaterra, Alemanha, Grécia, França, Estados Unidos e Suécia estão preocupados com as condições ambientais e planejam permanecer no Japão antes do evento. Outros 15 times ficarão sediados na Coréia do Sul. “Estamos introduzindo porções extra de vitamina C e E na dieta dos nossos ciclistas porque são antioxidantes e ajudam a otimizar a respiração”, disse Mikel Zabala, diretor-técnico da Federação de Ciclismo da Espanha. Haile Gebrselassie, etíope recordista mundial da maratona, disse que não vai participar da prova em Beijing com medo de danos à saúde, pois é asmático. Ele pretende competir apenas nos 10.000 metros. Jacques Rogge, presidente do COI - Comitê Olímpico Internacional - declarou que “ficar em Beijing não é perigoso para atletas jovens e saudáveis, a única possibilidade de que ocorra risco para a saúde é a exposição ao ar poluído em provas de longa distância, como maratona e ciclismo resistência”. Para isso, um sistema de monitoramento do ar analisará diariamente se a qualidade do ar permite provas de resistência ou não. A comissão médica do COI está acompanhando atentamente os números da poluição chinesa. Gilbert Felli, diretor-técnico do COI, disse que se houver risco à saúde dos atletas, as datas de algumas provas de resistência poderão ser alteradas. O fisiologista-chefe do USOC, Comitê Olímpico dos Estados Unidos, Randy Wilber, admitiu que a delegação americana deve usar máscaras quando não estiver competindo, inclusive na Vila Olímpica. Dois mil exemplares de máscaras já foram encomendados. A Holanda está fazendo um trabalho de aclimatação dos atletas, baseado nas condições ambientais adversas do local. Charles van Commerce, diretor-técnico do Comitê Olímpico Alemão, está programando a chegada dos atletas cinco dias antes dos Jogos, pois afirma que “o corpo humano se adapta”. Para o maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima, medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Atenas, a poluição pode representar até uma vantagem para quem está acostumado com a poluição das grandes cidades, como São Paulo. “Se as condições do ambiente em Beijing fossem ideais, seria uma Maratona rápida e eu acho que os brasileiros não chegariam nem entre os 10 primeiros. Mas, a maratona vai ser dura, com temperatura alta e poluição. Isso favorece os brasileiros, principalmente, a mim, que estou acostumado a competir em cidades poluídas”, afirma Vanderlei. O COB - Comitê Olímpico Brasileiro - está realizando exames físicos regulares em todos os atletas e, inclusive, avaliações cardiorespiratórias. Com esses exames, as Comissões Técnicas das Confederações Brasileiras dispõem de recursos para enfrentar os possíveis impactos causados pelas condições ambientais adversas nos locais de competição. Segundo Marcus Vinicius Freire, Chefe da Delegação Brasileira em Beijing, a partir do final do mês de julho será feita a aclimatação dos atletas brasileiros no Japão, Coréia, território de Macau e na própria China, com o objetivo de adaptar os competidores à diferença de fuso horário e às condições climáticas locais. Os Jogos Olímpicos prometem ser um espetáculo para os olhos e um sufoco para os pulmões.

Claudia Liechavicius especial para Sport Marketing