12 de mar. de 2008

Começa o julgamento do caso FIFA - ISMM/ISL

Seis diretores da falida agência suíça de marketing esportivo ISMM e de sua subsidiária ISL estão no banco dos réus em Zug, acusados de fraude, falência forjada, queima de patrimônio, danificação de credores e obtenção ilícita de documentos. A FIFA acusou a ex-parceira de marketing de ter desviado 60 milhões de dólares, que teriam sido pagos pela Rede Globo. A Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) também é envolvida no caso. A ISMM administrava a venda dos direitos de imagem das competições da FIFA, tinha parceria com o Flamengo no final da década de 90 e faliu em 2001, mesmo ano em que as investigações contra a a empresa começaram, após uma queixa-crime apresentada pela FIFA. As acusações: fraude, desvio de dinheiro e negócios ilícitos. O desvio de dinheiro tratava-se supostamente do pagamento antecipado de 60 milhões de dólares feito pela TV Globo por direitos de transmissão da Copa de 2002, que a ISMM teria desviado para uma conta "secreta" em Liechtenstein, fora do controle da FIFA. O processo acabou sendo ampliado e foi repassado à Promotoria Pública para encaminhamento à Justiça em março de 2005, apesar de a FIFA já ter retirado a queixa em 2004. Na época, isso gerou especulações de que a FIFA pretendia evitar uma discussão pública sobre práticas duvidosas de concessão dos direitos de marketing e de direitos de tv. Segundo matéria da agência de notícias swissinfo o ponto alto das investigações ocorreu no dia 3 de novembro de 2005. Por ordem do juiz Thomas Hildbrand, funcionários da Justiça suíça vasculharam a sede da FIFA – principalmente o escritório do presidente Josef Blatter – para apurar denúncias de propinas supostamente pagas pela ISL a funcionários da entidade. O julgamento do caso representa um grande desafio para o tribunal de Zug, presidido por uma mulher, Carole Ziegler, de 40 anos. Na acusação de 228 páginas, com 80 pastas de documentos, os promotores pedem penas de reclusão entre 3 e 4,5 anos, enquanto todos os acusados juram ser inocentes. A sentença no segundo maior processo penal econômico da história da Suíça, depois do julgamento do caso da Swissair, é prevista para meados do ano (a Swissair quebrou em 2 de outubro de 2001 e a diretoria foi inocentada cinco anos depois pela Justiça). Antes de falir em 2001, o grupo ISMM/ISL havia assegurado por 2,2 bilhões de francos os direitos de transmissão das Copas de 2002 no Japão e na Coréia do Sul e de 2006 na Alemanha fora da Europa (sem contar os EUA). Depois da falência, esses direitos retornaram à FIFA, que também acabou empregando 35 ex-funcionários da ISL na própria empresa de marketing, fundada por ocasião da quebra do grupo ISMM/ISL. Segundo a Procuradoria Pública suíça, há indícios de que por traz da concessão dos direitos de imagem das Copas de 2002 e 2006 havia uma ampla rede de corrupção, que teria favorecido, entre outros, dois representantes da FIFA no Paraguai e na Tanzânia. A revista alemã Der Spiegel afirma que os investigadores descobriram que, entre 1999 e 2001, a ISMM pagou 18,2 milhões de francos suíços em propinas a "pessoas direta ou indiretamente ligadas a contratos fechados pela empresa". Deste total, 211.625 francos teriam sido pagos através de um banco em Liechtenstein a Nicolás Leoz, desde 1986 presidente da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol). A entidade sul-americana nega todas as acusações contra o presidente. O presidente do então conselho de administração da ISMM, Jean-Marie Weber, teria sido o mentor da operação. "O reino das sombras do grupo ISMM/ISL tem uma longa história", como lembra o correspondente do jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung em Zurique. Ela foi fundada em 1982 pelo legendário dono da Adidas, Horst Dassler, que tinha entre seus "homens de confiança" Jean-Marie Weber (então diretor da filial da Adidas na Alsácia) e Sepp Blatter, na época secretário geral da FIFA, quando João Havelange era presidente. Por esse motivo, alguns observadores questionam se o atual processo e as revelações sobre possíveis subornos, não poderão criar uma situação incômoda para Blatter, embora ele tenha apresentado a queixa-crime que desencadeou as investigações. Weber dirigiu a holding Sporis, que nos anos 90 até planejou lançar ações na Bolsa de Valores, porém, mais tarde se transformou no grupo ISMM/ISL e, segundo o jornal Sonntags-Zeitung de Zurique, "criou uma complicada rede de firmas de fachada". Segundo o diário, ela teria criado várias fundações em Liechtenstein, com nomes como Nunca/Sunbow, Sicuretta e Taora, e mantido "caixas postais" nas Ilhas Virgens Britânicas e em Hong Kong para camuflar fluxos de dinheiro. O grupo de marketing sediado em Zug quebrou em 2001, após um dispendioso contrato com a Associação de Tenistas Profissionais (ATP) em 1999 e depois do fracasso de seu engajamento no futebol brasileiro. No atual julgamento, os diretores da ex-parceira da FIFA são acusados de decretar falência forjada com um prejuízo de 4 bilhões de francos, mas a atenção da mídia concentra-se no sistema de venda dos direitos da FIFA. A ISMM também trabalhou para a União Européia de Futebol e para a Federação Internacional de Atletismo.

Redação Sport Marketing