24 de mar. de 2008

Coluna Olímpica 4 - Revezamento da Tocha Olímpica

O livro Ouro Olímpico - a história do marketing dos aros relata em detalhes o surgimento e a importância da Chama Olímpica na disseminação do ideal olímpico e a influência do Revezamanto da Tocha Olímpica mundialmente, inclusive do ponto de vista de marketing do evento e de marketing para os patrocinadores do evento. Eu e Marcus Vinícius Freire, ambos membros da Academia Olímpica Brasileira e estudiosos sobre os Jogos Olímpicos, descobrimos durante os seis anos de pesquisa pré-edição do livro, que a Grécia antiga já cultuava o poder do fogo. Na mitologia grega, Prometeu roubou o fogo de Zeus e deu aos humanos. Quando estive em Olympia, na Biblioteca da Academia Olímpica Internacional, descobri que para celebrar a passagem do fogo de Prometeu ao homem, os gregos da antiguidade já faziam corridas de Revezamento. Os atletas passavam uma tocha entre si até que o vencedor cruzasse a linha de chegada. Uma chama queimando era constantemente mantida durante os festivais esportivos. A chama adornava os altares dos deuses. Em Olympia havia um altar dedicado a Hera, deusa da vida, esposa de Zeus, o deus maior da mitologia grega. Nos festivais olímpicos da Antiguidade, os gregos acendiam a pira de fogo no altar de Hera. Acendiam a chama utilizando um disco ou espelho côncavo chamado skaphia que, como um moderno espelho parabólico, direcionava os raios do sol que ateavam fogo à grama seca. O uso de um espelho parabólico é diretamente inspirado por esta formalidade antiga. A chama queimava durante os jogos como um sinal de pureza, razão e paz. Os gregos pararam de organizar os jogos por cerca de mil anos, assim o revezamento de tochas e o acender da chama também acabaram. Os Jogos Olímpicos não voltaram até 1896, quando renasceram das cinzas graças ao Barão de Coubertin, idealizador dos Jogos da Era Moderna. O Revezamento de Tochas só voltaria anos depois, porém seria um casamento eterno. A primeira vez que a Chama Olímpica fez parte dos Jogos Olímpicos foi em 1928, quando o fogo sagrado ficou aceso na torre projetada por Jan Wils no Estádio Olímpico de Amsterdam. Nestes Jogos, porém, o Revezamento da Tocha ainda não foi praticado. Oito anos depois, em Berlim, pela primeira vez, o fogo olímpico iniciado pelos raios do sol de verão de Olympia, na Grécia, foi levado até a cidade sede dos Jogos.

1936 - Berlim - A sugestão do Revezamento da Tocha foi do presidente do Comitê Organizador alemão, Carl Diem. Foi instituído então o Revezamento de Tocha. Três mil e setenta e cinco condutores levaram a “chama sagrada” de Olympia até a capital alemã, atravessando a Grécia, Bulgária, Iugoslávia, Hungria, Áustria, Checoslováquia e a própria Alemanha. Em Berlim 1936, a Tocha percorreu sete países durante doze dias e mais de 3.422 kms. Rudolph Ismayr entrou com a Tocha no Estádio Olímpico de Berlim e foi recebida com aplausos de mais e 110 mil espectadores que lotavam as arquibancadas. Fritz Schilgen foi o último condutor e acendeu a pira.

1948 - Londres - Os primeiros Jogos Olímpicos pós-guerras aconteceram doze anos depois em Londres, 1948. O COI - Comitê Olímpico Internacional - manteve a tradição de acender e trazer a Tocha da Grécia até o país sede dos Jogos, mas decidiu refazer o roteiro. No caminho de Olympia a Londres, os atletas passaram pelo cemitério onde estava enterrado o Barão de Coubertin, falecido vítima de ataque cardíaco, em Lausanne e evitaram correr em terras alemãs. A Chama sagrada viajou 3.365 kms na passagem por oito países europeus. Foi carregada por 1.416 condutores antes de alcançar o Estádio de Wembley, em julho, pelas mãos do 29° e último condutor do Revezamento, John Mark (atletismo).

1952 - Helsinque - A Chama Olímpica dos Jogos de 1952 viajou de avião pela primeira vez, de Atenas até Helsinque via Copenhague. Alcançou o Estádio na capital finlandesa no dia 19 de julho. O último corredor do Revezamento foi o corredor finlandês Paavo Nurmi, então com 55 anos, que entregou o fogo para o também corredor finlandês e campeão olímpico Hans Kohlemainen, 62 anos.

1956 - Melbourne - Em 1956, o fogo olímpico, pela primeira vez, fez duas jornadas. Os australianos recusaram aceitar os cavalos para os eventos eqüestres devido preocupações com transmissão de doenças e com a quarentena. O COI mudou os eventos eqüestres para Estocolmo. A chama então viajou não apenas para a Austrália como também para a Suécia. Alcançou Melbourne depois de percorrer 20.470 km e ser carregada por 3.118 condutores, sendo o último o corredor Ron Clark. Para alcançar Estocolmo, a Chama pegou um avião de Atenas até Malmö e seguiu sob a escolta de 150 cavaleiros para o Estádio em Estocolmo.

1960 - Roma - Os monumentos antigos da Grécia e da Itália foram a coluna vertebral para a rota de Chama Olímpica dos Jogos de 1960. Em Roma, a jornada começou no porto de Piraeus, no barco de Américo Vespucci, que a levou para Syracuse. Passou por várias cidades italianas até chegar na capital -mil quinhentos e vinte e nove atletas tomaram parte no Revezamento de Tocha e cobriram os 2.750 kms do trajeto. O último condutor foi Giancarlo Peri, que levou a Chama até o altar do Estádio Olímpico.

1964 - Japão - Para o Revezamento de 1964, a longa jornada do fogo sagrado começou em Olympia no dia 21 de agosto. Foi levado de Atenas até Constantinopla pelo ar. De lá passou por Beirut, Teerã, Lahore, Nova Delhi, Bangkok, Kuala Lumpur, Manila, Hong Kong, Taipei e, finalmente, Okinawa, a primeira cidade no Japão. A Chama entrou no Estádio de Tóquio em 10 de outubro carregada por um jovem aluno, Yosinori Sakai, foram percorridos 26.065 kms viajando por vias aéreas, terrestres e marítimas. A Chama foi carregada por 100.603 condutores e assistentes, um recorde olímpico até então!

1968 - México - A Chama Olímpica dos Jogos de 1968 percorreu os caminhos do grande descobridor Cristóvão Colombo. De Olympia, a Chama foi levada para Genova, local de nascimento de Colombo, antes de alcançar Barcelona, a cidade que lhe recebeu como herói quando o navegador retornou após descobrir a América. A Chama então navegou para o México na fragata Princesa Sofia, que seguiu o mesmo curso do navio - Santa Maria - de Colombo. A viagem da Chama durou 21 dias. No dia 12 de outubro, enquanto o céu se coloria de balões, a Tocha Olímpica entrava pela porta principal do Estádio Olímpico carregada pela mexicana Norma Enriqueta Basilio Sotela, a primeira mulher a ter a honra de acender a pira olímpica.

1972 - Munique - Seis países deram boas-vindas à Chama Olímpica dos Jogos de Munique. De Olympia o fogo foi para o Peru, Bulgária, Romênia, Iugoslávia, Hungria e a Áustria. A viagem durou 29 dias. A Tocha percorreu 5.532 kms e foi carregada por 6.000 condutores, inclusive motociclistas. A pira no Estádio Olímpico de Munique foi acesa pelo atleta Gunther Zahn.

1976 - Montreal - A jornada da Chama Olímpica dos Jogos de 1976 foi marcada por uma inovação importante: foi conectada por um laser via satélite, de Atenas até Ottawa. Durante o Revezamento no Canadá a Tocha foi conduzida por 1.214 corredores. Pela primeira vez, a pira foi acesa por um casal de jovens atletas: Stéphane Préfontaine, 16 anos e Sandra Henderson, 15 anos.

1980 - Moscou - Em 1980, a Chama percorreu 4.915 km, pela Grécia, Bulgária, Romênia e pela então União Soviética. A Tocha, cujo designer foi Alejandr Sergeyev, percorreu o trajeto a pé, de bicicleta, a cavalo e trem até Moscou. Tomaram parte do Revezamento 5.000 condutores. O último foi o lendário jogador de basquete Sergei Belov.

1984 - Los Angeles - O Comitê Organizador dos Jogos de Los Angeles tentou inovar ao criar um Revezamento, no qual o trajeto da Tocha Olímpica de 19 mil quilômetros através de cinqüenta estados americanos foi dividido em 10 mil trechos que foram vendidos por US$3.000 dólares. O comprador levava para casa uma réplica da Tocha com o nome gravado na base. A idéia não contou com a aprovação do Comitê Olímpico Grego, que ameaçou não entregar a Chama Olímpica e nenhum Revezamento aconteceu em território grego em virtude disso. O fogo olímpico foi aceso em Olympia, a chama foi conduzida até Atenas onde embarcou em um avião para Nova Iorque. O lucro foi revertido para a Associação Cristã de Moços e entidades juvenis esportivas americanas. Foi a maior contribuição até então na história dos esportes juvenis. No dia 8 de maio teve início a segunda parte terrestre da viagem atravessando 50 estados norte-americanos. Pela primeira vez, o Comitê Organiador estipulou um projeto de marketing especial para o Revezamento da Tocha, responsabilidade essa que posteriormente seria do COI. Nos trajetos mais difíceis, a AT&T, que organizou e patrocinou parte do evento, deslocou uma equipe de 150 experientes corredores entre os empregados. A empressa foi responsável também pela assistência médica e segurança dos condutores da Tocha. Depois de 84 dias 10 mil cidadãos americanos provaram a experiência de conduzir a Chama Olímpica chegou em Los Angeles para o início dos Jogos. Os americanos ganharam US$ 11 milhões de dólares como resultado deste patrocínio. A presença de dois personagens especiais conduzindo a tocha olímpica: Gina Hemphill, neta de Jesse Owens e Bil Thorpe Jr, neto do lendário Jim Thorpe, também foi uma ótima jogada de marketing. Quando Gina entrou no Ginásio foi rodeada por atletas. Sumiu na multidão, mas de repente, ela surgiu, entregou a Tocha para Rafer Johnson, ouro no decatlo em 1960. Enquanto a Chama Olímpica ardia na pira do Coliseum, uma orquestra tocava “Ode to Joy” de Beethoven, levando os atletas ao delírio. Os coreanos trabalharam mais de dois anos no planejamento do Revezamento da Tocha com um total de 156 pessoas envolvidas. A Chama saiu de Atenas de avião até a Ilha de Cheju, percorreu 15.250 kms em 26 dias. Além de trechos a pé, os condutores também percorreram trajetos de barco, cavalo, moto, veículos a motor e bicicletas. Mais de 20.899 condutores tomaram parte do evento.

1992 - Barcelona - Na Espanha, a Chama Olímpica foi levada a bordo da fragata espanhola Catalunia para o porto de Empuries, uma antiga colônia grega. Alcançou Barcelona depois de viajar por 51 dias acima de uma distância de 6.307 kms, carregada por 10.448 condutores. Antonio Rebollo, um arqueiro para-olímpico atirou a Chama em uma seta inflamada e acendeu a pira no Estádio Olímpico de Montjuic. Os Jogos Olímpicos de Barcelona marcaram o primeiro envolvimento da Coca-Cola com o programa de Revezamento da Tocha, por meio de um programa internacional de condutores patrocinado pela empresa. Em dias determinados do Revezamento de 92, os condutores internacionais da Tocha convidados pela Coca-Cola uniram-se aos condutores da Tocha na Espanha carregando cada um cerca de 400 metros. Esta distância passou a ser padrão para cada participante do Revezamento. Na Espanha, a Coca-Cola selecionou cerca de 155 condutores em mais de 50 países e mais 100 condutores espanhóis que participaram do programa internacional da empresa de bebidas. A escolha foi feita por meio de vários programas nacionais de seleção como eventos atléticos comunitários, indicações de pessoas merecedoras de honra e promoção local.

1996 - Atlanta - Em 1996, com o apoio da Coca-Cola, o Revezamento da Tocha Olímpica iniciou a jornada de quase 15 mil milhas, com mais de 12.467 condutores carregando a Chama por 42 estados norte-americanos durante 84 dias. A Coca-Cola criou o programa “herói da comunidade”, desenvolvido em conjunto com o Comitê Organizador dos Jogos Centenários humanizando ainda mais a condução da Tocha na proporção em que as histórias produzidas foram emocionantes e inesquecíveis. A cerimônia da Tocha Olímpica dos Jogos de 1996 foi presenciada pela primeira dama dos Estados Unidos, Hillary Clinton e pelo presidente dos Estados Unidos Bill Clinton. O Revezamento da Tocha durou 170 dias. O último condutor foi a lenda do boxe, Muhammad Ali.

2000 - Sidney - O Revezamento da Tocha Olímpica de Sidney foi organizado pelo SOCOG - Sydney Organising Committee for the Olympic Games - Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Sidney 2000 e patrocinado pela AMPERE Companhia de Seguros - um dos principais patrocinadores locais dos Jogos. O Revezamento começou na Grécia em 12 de maio 2000 e viajou por 12 países da Oceania antes de chegar na Austrália em Uluru no dia 8 de junho 2000. A Tocha passou pelas mãos de 85% da população australiana, viajou mais de 27.000 kms e foi carregada por 10.000 condutores inclusive sob a Grande Barreiras de Corais, na primeira expedição aquática da Tocha. A Chama Olímpica viajou por várias cidades gregas durante dez dias. O percurso de 27.000 kms durou um total de 127 dias. O último condutor que acendeu a pira foi Cathy Freeman, a aborígine Cathy, que ganharia a medalha de ouro nos 400 metros dias depois.

2004 - Atenas - A tocha dos Jogos de 2004 em Atenas teve o desenho inspirado em uma folha de oliva, pesava 700 gramas e tinha 68 centímetros de altura. Caracterizada por curvas sutis em madeira e metal, traduzia “a imagem do livre movimento da chama a que dá origem”, assim explicou o criador da peça, o designer industrial grego Andréas Vorotsos. Em 2004, pela primeira vez na história dos Jogos, a Tocha Olímpica percorreu todos os continentes, inclusive a América do Sul. A cidade do Rio de Janeiro, palco dos Jogos Pan-Americanos de 2007, foi escolhida pelo ATHOC - Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Atenas - para representar o continente sul-americano no maior evento que antecede a disputa dos Jogos Olímpicos. A Tocha, pela primeira vez, visitou todas as cidades que já foram sede dos Jogos Olímpicos, passou pela primeira vez na África (Cairo, Egito, Cidade do Cabo, África do Sul), na América do Sul (Brasil – Rio de Janeiro) e em Beijing, então, futura sede dos Jogos de 2008. Viajou mais de 1.500 quilômetros nas mãos de 12.000 condutores e mais de 78 mil quilômetros de avião. Foi em média cerca de 48 quilômetros por dia de trem, navio, bicicleta, camelo, cadeira de rodas e outros meios de transporte. Esta foi a maior operação de logística mundial em ações de paz. Samsung e Coca-Cola foram os patrocinadores do Revezamento.

2008 - Beijing - A China começou a se preparar para o Revezamento da Tocha em 2005, quando o BOCOG solicitou propostas de projetos para a Tocha - uma de várias campanhas com intenção de excitar a participação pública no evento. Uma rota ambiciosa para o Revezamento foi esboçada pelo BOCOG, passando pela região do Himalaia, no Tibet e Taiwan. O prêmio ao melhor desing foi de US$6.000 e as sugestões de projetos foram aceitas até 2 de fevereiro de 2006. Começando em Olympia, 605 condutores gregos percorreram a distância de 1.528km na Grécia por sete dias. O Revezamento passou por 16 regiões e 43 cidades, além de quatro comunidades, com 29 eventos comemorativos ao longo a rota. Ao meio dia de 30 de março, a Chama Olímpica foi finalmente entregue a Liu Qi, membro do BOCOG - Comitê Organizador dos Jogos de Beijing, durante cerimônia realizada no Estádio Panatinakos de Atenas, onde os primeiros Jogos Olímpicos modernos aconteceram em 1896. A Tocha Olímpica viajará por 20 países ao redor do mundo, incluindo Reino Unido, França, Estados Unidos, Austrália, Índia e Japão antes de retornar à China para a cerimônia do acendimento da Pira. No país dos Jogos de 2008, a Tocha Olímpica visitará 113 cidades e regiões. O jogador da NBA Yao Ming será o primeiro chinês a carregar a Tocha olímpica no trecho do revezamento em solo chinês. O piloto chinês da A1GP Congfu "Franky" Cheng também foi um dos escolhidos para carregar a tocha dos Jogos Olímpicos de Beijing. A Tocha passará pelo Monte Everest e chegará em Beijing em 8 de agosto de 2008, para a cerimônia inaugural dos Jogos. O logo do Revezamento da Tocha Olímpica de 2008 é basicamente inspirado no tradicional conceito da “fênix” e apresenta a imagem de dois corredores segurando e mantendo a Chama Olímpica acesa. Segundo uma antiga lenda chinesa, a fênix é a rainha de todos os pássaros e simboliza fortuna, eternidade, nobreza e felicidade. O uso da imagem da fênix no logo do Revezamento da Tocha expressa a idéia de que o Revezamento da Tocha envia os melhores desejos dos Jogos Olímpicos de Beijing para todas as pessoas da China e do mundo inteiro. A Tocha foi idealizada pela Lenovo patrocinadora TOP do programa de marketing do COI. Em 26 de abril de 2007, o Comitê Organizador dos XXIX Jogos Olímpicos na presença do Comitê Olímpico Internacional, revelou a Tocha Olímpica projetada pela Lenovo e anunciou a participação da empresa como Parceira Mundial do Revezamento da Tocha Olímpica. Os demais Parceiros Mundiais do Revezamento da Tocha Olímpica de 2008 são a Coca-Cola e Samsung. Como patrocinadores master estas três empresas possuem uma série de direitos e benefícios de marketing relacionados ao Revezamento da Tocha. A Tocha dos Jogos de Beijing tem 72 centímetros de altura, pesa 985 gramas e é feita de alumínio. A Tocha tem uma superfície curva, com gravuras chinesas que remetem aos antigos papiros chineses. A forma do rolo de papiro e o gráfico de nuvens expressam a idéia de harmonia. Uma Tocha pode normalmente continuar queimando por aproximadamente 15 minutos em condições onde a chama é 25 a 30 centímetros de altura em um ambiente sem vento. A Tocha foi produzida para resistir a ventos de até 65 quilômetros por hora e ficar sob chuva de até 50mm por uma hora. A Chama pode ser identificada e fotografada sob os raios de sol e áreas de brilho extremo. O combustível é propano, conforme diretrizes ambientais, o qual é um combustível comum, composto de carbono e hidrogênio. Nenhum material, exceto gás carbônico e água permanecem depois das chamas, eliminando qualquer risco de poluição. O material da Tocha é reciclável. A Tocha também carrega as mensagens de Jogos Verdes e Jogos de alta tecnologia. Sob o conceito de Jogos Verdes, a proteção ambiental era um elemento chave. A cerimônia de acendimento da Chama Olímpica dos Jogos de Beijing entrou para a história dos Jogos devido a protestos contra a dominação chinesa do Tibet. A cerimônia de acendimento da Chama precisou ser antecipada em um hora, pois a previsão do tempo indicava chuva para o horário previamente agendado. Importante ressaltar que na cerimônia em Olympia todos são voluntários, inclusive a grande sacerdotisa do templo de Hera, os músicos, a coreógrafa Artemis Ignatiou. A primeira vez que Ignatiou participou da cerimônia da Chama Olímpica foi em 1988 para os Jogos de Seul, quando era uma das Sacerdotisas da cerimônia. Desde então, Artemis Ignatiou participou de todas as cerimônias da Tocha e se tornou a assistente da coreógrafa Maria Horss que durante 50 anos realizou o evento. Nos Jogos de Inverno de 2006 (Turim) Ignatiou assumiu o comando da coreografia do evento. Os ensaios para a cerimônia começam três meses antes. Um total de 22 atrizes participaram da cerimônia dos Jogos de Beijing, metade são alunas do Ignatiou em uma escola de arte. As atrizes têm quatro ensaios toda semana. Atriz Maria Nafpliotou, foi a Grande Sacerdotisa. Minutos antes da atriz grega Maria Nafpliotou acender a simbólica Chama que percorrerá o mundo até Beijing, dois ativistas pró-Tibet interromperam brevemente o discurso do representante chinês Liu Qi, presidente do Comitê Organizador dos Jogos. O ativista conseguiu romper as medidas de segurança de Olympia e levantar brevemente uma bandeira que convocava ao boicote dos Jogos devido a repressão policial chinesa no Tibet. A bandeira trazia desenhados os aros olímpicos interligados como algemas. Os manifestantes foram retirados do sítio arqueológico de Olympia por policiais gregos sem maiores incidentes. O grupo "Repórteres sem Fronteiras" assumiu a autoria do protesto. Repórteres sem Fronteiras (RSF) é uma Organização não-governamental internacional que visa a defender a liberdade de imprensa no mundo. RSF é membro e fundadora da organização Intercâmbio Internacional pela Liberdade de Expressão (IFEX), uma rede mundial de mais de 70 organizações não-governamentais de defesa da liberdade de expressão, que monitora violações à liberdade de imprensa e de expressão, movendo campanhas de defesa de jornalistas, escritores, usuários de internet e outros que possam ser vítimas de perseguição pelo exercício do direito à expressão. Criada há 15 anos, a organização está na rede desde 1994 e, a partir de então, informa profissionais do mundo todo sobre atrocidades contra jornalistas e mutilações à liberdade de imprensa, mais numerosas do que se pode imaginar. “Se a Chama Olímpica é sagrada, os direitos humanos são ainda mais. Não podemos deixar o governo chinês acender um símbolo de paz sem denunciar a dramática situação no país” - declarou o grupo através de um comunicado, em referência à repressão dos protestos pró independência do Tibet, região comandada pela China desde 1950. No momento da invasão, as câmeras de televisão da CCTV cortaram as imagens e os comentaristas chineses nem sequer mencionaram o incidente. Para a segurança da cerimônia, mais de mil policiais foram destacados como responsáveis por coibir ainda outros protestos do lado de fora do evento. Especula-se que, entre esses manifestantes, mais de 20 tenham sido presos. Em meio às manifestações, a Chama Olímpica foi acesa por volta das 6h50 (horário de Brasília) e iniciou a trajetória até Atenas. O grego Alexandros Nikolaidis, medalha de prata no taekwondo nos Jogos de Atenas-2004, foi o primeiro atleta a carregar a chama. Alexander começou no taekwondo quando tinha 3 anos. O primeiro grande sucesso dele foi em 1996 quando ganhou a medalha de ouro em Campeonato do Mundo Júnior em Barcelona. Em 2000, nos Jogos Olímpicos do Sidney, ele fez o primeiro aparecimento nos Jogos Olímpicos, mas azarado, quebrou a perna durante as quartas-de-final e teve que abandonar. O momento principal da carreira dele foi a medalha de prata em Atenas 2004, na categoria acima de 80 quilos. Minutos depois que o atleta iniciou o trajeto do Revezamento, uma mulher tibetana com o corpo pintado de vermelho deitou na frente de Nikolaidis no início do revezamento da tocha. Enquanto isso, pessoas gritaram "Free Tibet" ("Tibete livre") e "Shame on China" ("Vergonha")."É sempre triste ver esse tipo de protestos. Mas eles não foram violentos e eu penso que isso é importante", disse Rogge. O Revezamento de Tocha dos Jogos Olímpicos possui uma imagem poderosa e é um do mais emocionantes programas olímpicos. Tanto, que o Revezamento da Tocha tem um programa específico de marketing do qual fazem parte, nesta edição dos Jogos, a Coca-Cola, Samsung e Lenovo. No livro Ouro Olímpico, o leitor pode constatar em detalhes a importância do Revezamento da Tocha para os parceiros olímpicos que têm oportunidade de associar as marcas à forte imagem da Tocha e mostrar o compromisso das empresas junto às comunidades locais ao longo a rota de Revezamento, além das chances de mostrar produtos, serviços e tecnologia no mundo todo. No dia 29, a Tocha dos Jogos Olímpicos de 2008 chegou à Acrópole, em Atenas após percorrer 1.528 quilômetros desde a Antiga Olympia (sudoeste da Grécia). O Comitê Olímpico Helênico (COH) proibiu que meios de comunicação acompanhassem a chegada do fogo olímpico à Acrópole. A medida foi uma espécie de segurança antiprotesto pois, acreditavam os gregos, sem imagens ao vivo da cerimônia, a invasão de manifestantes seria inócua. Aproximadamente, 2.000 policiais foram destacados para blindar o entorno do sítio histórico de Atenas. O COH disse que imagens "oficiais" da festa seriam distribuídas posteriormente. A decisão provocou protestos da Associação de Imprensa Estrangeira na Grécia e também da União Grega de Fotógrafos, que prometeram uma manifestação conjunta contra o que consideraram "censura prévia" do governo grego. Na sexta-feira, durante o Revezamento da Tocha em Larissa, 300 km de Atenas, outra ONG denunciou que dez integrantes foram interceptados e mantidos a 70 km de distância. A Chama Olímpica passou a noite na Acrópole vigiada pela polícia. No dia 30, a Tocha Olímpica foi finalmente entregue a Liu Qi, membro do BOCOG - Comitê Organizador dos Jogos de Beijing, durante cerimônia realizada no Estádio Panatinakos de Atenas. Pouco antes, cerca de dez pessoas tentaram exibir uma bandeira na entrada do Estádio, sem sucesso. O grupo de manifestantes foi imediatamente detido pela polícia enquanto gritavam "Libertem o Tibet". Mais de dois mil policiais participaram da operação na capital grega, em um esquema de segurança comparável ao utilizado durante os Jogos de Atenas, em 2004. Milhares de pessoas foram assistir ao ato de entrega da Tocha no local no Estádio Panathinaiko (Panatenáico), também chamado Kallimarmaron (em grego: beleza em mármore). É um estádio de atletismo situado em Atenas, construído inteiramente em mármore branco do Monte Pentélico. Foi construído em 1885 para a realização dos primeiros Jogos Olímpicos da era moderna em Atenas 1896, sobre os planos dos arquitetos Anastasios Metaxas e Ernst Ziller e financiado por George Averoff. Na época da construção, as medidas dos estádios de atletismo ainda não eram definidas e o Panathinaiko tem um modelo diferente dos estádios atuais, com a pista em forma de U, aos moldes do estádio olímpico de Olympia e com capacidade para 80.000 espectadores. O estádio está localizado no centro de Atenas, a leste dos Jardins Nacionais e da Mansão Zappeion, a oeste do distrito residencial Pankrati e junto à colina de Ardettos. Situa-se no local exato onde se encontrava o estádio da Atenas antiga, onde celebraram-se as competições atléticas dos antigos Jogos Panatenáicos. Em 2004, os Jogos Olímpicos voltaram a ser sediados na cidade de Atenas e o Estádio Panathinaiko hospedou as competições de tiro com arco e a chegada da maratona masculina e feminina. A chama olímpica chegou no dia 31 de março a Beijing para depois passar por 19 cidades do mundo e retornando em 8 de agosto ao Estádio Nacional para a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos. Na capital grega, o Revezamento teve o reforço de 2000 policiais para a garantir a segurança, enquanto manifestantes de um grupo dinamarquês protestavam em frente ao Comitê Olímpico Grego. Os policiais apenas fizeram a vigilância e o protesto foi pacífico. Depois de Beijing a Tocha seguiu de avião para Almaty (Cazaquistão), no dia 2 de abril, dando sequência ao Revezamento pelo mundo.

Deborah Ribeiro - diretora Sport Marketing