13 de mar de 2008

Cartão Vermelho! O mundo secreto da FIFA

A agência International Sports Media and Marketing/International Sports and Leisure (ISMM/ ISL) prestou serviços de marketing à Fifa durante quase 20 anos. O grupo faliu em 2001 com dívidas de aproximadamente 300 milhões de dólares (306,2 milhões de francos suíços). Em 2006, a FIFA conseguiu na Justiça impedir a venda na Suíça do livro Cartão Vermelho! O mundo secreto da FIFA, do jornalista britânico Andrew Jennings, com denúncias detalhadas de corrupção envolvendo a organização e o colapso da ISL/ISMM. Nas 462 páginas de Cartão Vermelho, o jornalista inglês Andrew Jennings fazia acusações graves, a começar pelo "pagamento no negro", em 1998, de quase 650 mil euros a "um alto responsável do futebol" que havia ajudado a empresa de marketing esportivo ISL - falida em 2001 - a obter os direitos de transmissão de TV das Copas de 2002 e 2006. Essas acusações referem-se aos primeiros meses de gestão do suíço Joseph Blatter, que sucedeu ao brasileiro João Havelange na presidência da entidade no Congresso da Fifa, que ocorreu pouco antes da Copa de 1998, na França. O livro aborda mais a gestão de Sepp Blatter, mas volta até à eleição de João Havelange em 1974, que afirma ter ocorrido "com a ajuda de Horst Dossler, então dono da Adidas. Jennings fala de "voto arrumado do Haiti" na eleição de Blatter, em 1998, de "pagamento da campanha presidencial com dinheiro da Fifa", de "desvio de verbas para fins pessoais" e de "salário presidencial misterioso". O jornalista critica ainda as "indenizações distribuídas ao comitê executivo" e ataca os mais fiés "companheiros" de Blatter como Jack Warner, presidente da Concacaf, acusado de nepotismo por ter "favorecido interesses familiares" na organização do Mundial Sub 17, em 2001. Também são citados outros membros do comitê executivo como o americano Chuck Blazer e o argentino Julio Grondona. Segundo a FIFA, o livro contém informações falsas e difamatórias. Jennings até hoje garante que pode comprovar todas as suas denúncias. Os autores do documentário A FIFA – poder e manobras no futebol mundial, Gerold Hofmann e Dominic Egizzi, da televisão alemã ARD, confrontaram Josef Blatter com várias das acusações levantadas no livro de Jennings. Blatter rebateu todas as denúncias e negou qualquer envolvimento, mas admitiu que a busca feita em seu escritório pela Justiça suíça "doeu muito". Uma crítica feita ao filme é que, de tanto mostrar o lado sombrio da FIFA, os autores esqueceram que a entidade também faz coisas boas, como fomentar o futebol em países em desenvolvimento. O livro aborda ainda a reeleição de Blatter em 2002, "apesar da oposição de vários membros do comitê executivo, baseado em um relatório sobre irregularidades", redigido pelo então secretário-geral da Fifa, Michel Zen-Ruffinen. Zen-Ruffinen já era funcionário da Fifa e fora alçado ao cargo de secretário-geral pelo próprio Blatter. Ambos são de mesma região da Suíça e, depois desse episódio, Zen-Ruffinen deixou a Fifa. A Editora Harper Collins, de Londres, que publicou Cartão Vermelho tentou recorrer da decisão de proibir a distribuição do livro na Suíça, mas perdeu.


Redação Sport Marketing