23 de mar. de 2008

Manifestações a favor de boicote aos Jogos ecôam por todo o mundo

O presidente do Parlamento Europeu (PE), Hans Gert Pöttering, defende que as autoridades chinesas devem manter conversações com o Dalai Lama e por fim à repressão no Tibet, sob pena de enfrentarem eventuais “medidas de boicote” aos Jogos Olímpicos. Em entrevista ao jornal alemão “Bild am Sonntag”, o líder do PE afirma que “Beijing tem de decidir”. “É preciso entrar em conversações imediatamente com o Dalai Lama, mas se não houver qualquer sinal de comunicação, considero que as medidas de boicote aos Jogos Olímpicos serão justificadas” - disse. Pöttering salienta que quer que os Jogos se realizem, tal como está programado, entre 8 e 24 de Agosto, “mas nunca ao preço do genocídio cultural dos tibetanos”. O responsável europeu defende ainda que os países da União Européia devem falar “a uma só voz” em matéria de defesa dos Direitos Humanos no Tibet. “A China é um parceiro importante da Europa, por exemplo na proteção do clima. O diálogo e a cooperação devem ser recíprocos. No entanto, o povo tibetano não deve ser sacrificado”, sublinha Hans Gert Pöttering. Centenas de pessoas manifestaram-se no centro de Londres (foto) para protestar contra a repressão chinesa no Tibete e saudando a decisão do primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, que em Maio vai receber o Dalai Lama. O mesmo ocorreu em Genebra e em Marselha. O Comitê Olímpico da Suíça manifestou estranheza e indignação pelo silêncio do Comitê Olímpico Internacional face à repressão de que tem sido alvo a população do Tibet por parte das autoridades chinesas nas últimas semanas de manifestações. "O COI assumiu uma enorme responsabilidade quando atribuiu a organização dos Jogos Olímpicos de 2008 à China, um tipo de opção que afeta a reputação e credibilidade dos Jogos e do próprio movimento olímpico", disse a porta-voz do COS, Claudia Imhasly, acrescentando: "Não podemos assistir aos acontecimentos sem assumir qualquer posição". Já em Cuba o discurso é diferente. De acordo com Havana, os distúrbios na China, que envolvem separatistas do Tibet, fazem parte de uma orquestração organizada "desde o exterior". Esta posição por parte do país comunista foi assumida num comunicado, citado pela agência Lusa, em que são condenadas as "ações destinadas a minar a confiança internacional na capacidade do governo chinês para cumprir os seus compromissos". Os ataques de que foram alvo 16 representações diplomáticas de Beijing também são alvo das críticas de Havana, que os descreve como uma "gravíssima violação da Convenção de Viena sobre a proteção das embaixadas e consulados". A proposta de boicotar a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos em protesto contra a repressão chinesa foi considerada "interessante" pela França, mas o chanceler do país, Bernard Kouchner, voltou atrás. "Quando se lida com relações internacionais com países importantes como a China, obviamente são tomadas decisões econômicas à custa dos direitos humanos", disse Kouchner. A França pediu à China que reabra as fronteiras do Tibet à presença de estrangeiros e, em particular, de jornalistas, para obter todos os elementos de informação sobre os recentes acontecimentos. "Pedimos à China que reabra sem demora o Tibet à presença estrangeira e que permita aos jornalistas trabalhar ali de novo", disse o porta-voz adjunto do Ministério de Exteriores francês, Frédéric Desagneaux, em entrevista coletiva. O porta-voz não declarou a opinião da França sobre uma possível investigação internacional sobre os atos de violência, mas afirmou que irá debater o assunto com parceiros europeus. "Nossa preocupação é saber o que ocorre no Tibet e dispor de todos os elementos de informação sobre os recentes eventos", disse Desagneaux. Fontes do Palácio do Eliseu citadas hoje pelo jornal "Le Monde" afirmaram que o presidente francês, Nicolas Sarkozy, ainda decidirá se vai realizar uma reunião com o líder tibetano Dalai-Lama. Na Alemanha, um homem de 26 anos ficou levemente ferido ao atear fogo no próprio corpo em um ato de protesto contra a repressão no Tibet, nas imediações da Embaixada da China em Berlim, de acordo com fontes policiais. O manifestante participava de uma concentração integrada por cerca de 100 pessoas, quando se banhou em um líquido inflamável e logo depois ateou fogo no próprio corpo. As chamas foram imediatamente sufocadas por outras pessoas que participavam da manifestação. A vítima sofreu apenas ferimentos leves e foi detida temporariamente por ter vulnerado a chamada "lei de manifestação", que proíbe o porte de substâncias inflamáveis em concentrações do tipo. Foram comuns em Berlim diferentes atos de protesto em solidariedade com o Tibet, tanto nas imediações da sede diplomática chinesa como nas proximidades do Portão de Brandeburgo. A presidente da Câmara de Representantes - Câmara de Deputados - dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, criticou a China pela repressão aos protestos no Tibet. Ela destacou a importância de uma investigação independente na região e exigiu a participação internacional no caso. Pelosi encontrou Dalai-Lama no complexo de templos em Dharamshala, lar de um grande número de tibetanos no exílio no norte da Índia. A cidade também é sede do governo tibetano exilado. "Se o povo que ama a liberdade no mundo todo não protestar contra a opressão da China no Tibet, perdemos toda nossa autoridade moral para falar de direitos humanos em qualquer outro lugar do mundo", afirmou Pelosi. A China viu com receio o encontro entre a norte-americana e o líder religioso, que se mostrou disposto a iniciar um diálogo com Beijing quando os distúrbios em Lhasa, a capital do Tibet, cessarem. Os tibetanos exilados na Índia afirmam que ao menos 80 pessoas foram mortas pelar forças chinesas, mas os chineses insistem que apenas 10 foram mortos. Os protestos em Lhasa (capital do Tibete) foram considerados os piores em quase 20 anos, começaram com as manifestações pacíficas que os monges budistas promoveram no último dia 10 de março por ocasião do 49ª aniversário da fracassada rebelião tibetana contra o domínio chinês. Eles se intensificaram como uma reação à notícia de que monges budistas teriam sido presos depois da passeata de 10 de março. Centenas de monges tomaram então as ruas, e os protestos ganharam força com a adesão dos tibetanos. O Governo chinês parece decidido não só a ignorar os pedidos internacionais para que dialogue com o Dalai Lama, como a usar a força para acabar com o apoio que o líder espiritual dos budistas tem no Tibet.

Redação Sport Marketing