23 de fev. de 2008

Especial: Êpa, êpa, êpa - a seleção brasileira é barata demais!

Êpa, êpa, êpa... Justamente a Nike, patrocinadora da seleção brasileira de futebol, pentacampeã do mundo, pagando US$ 12 milhões (R$ 20,4 milhões) anuais, é a mesma empresa que vai pagar pela seleção francesa (apenas uma vez campeã do mundo e atual vice) US$ 63,3 milhões (R$ 107,6 milhões) por ano!? Muita calma nessa hora! O que os "Bleus" têm que os canarinhos não têm? Eu arriscaria dizer, visão de negócios, melhor gestão e claúsulas contratuais. Outros analistas incluiriam questões como políticas anti-pirataria, poder aquisitivo do mercado consumidor etc - coisas que faltam ao Brasil. O fato é que a CBF renovou o contrato com a empresa americana sem abrir concorrência ou consultar suas rivais e até agora não obteve nenhum reajuste no total pago atualmente. A Nike patrocina a CBF desde 1996, com vínculo previsto até o ano de 2018, por um valor 5,3 menor do que o destinado aos franceses. Importante lembrar: a Copa de 2014 será no Brasil, o que elevará ainda mais o valor da marca da seleção brasileira e, consequentemente, da Nike. Até 2002, o contrato Nike/CBF era de US$ 160 milhões por dez anos, mas houve desconto de 25% em revisão que excluiu os amistosos e o compromisso de premiação de US$ 6 milhões (R$ 12,5 milhões) para conquista da Copa de 2006 que não veio. No ano passado, Adidas e Puma começaram um flerte com a CBF que não deu em nada. Já no México, a história foi diferente. Os mexicanos ganhavam algo similar ao Brasil, mas depois da Copa de 2006, trocaram a Nike pela Adidas, que repassa US$ 11 milhões (R$ 18,7 milhões) anuais. O disparate não pára por aí não, piora quando comparamos o nível de patrocínio Nike entre os times do exterior e times brasileiros, que exportam talentos para os clubes do exterior - muitos deles patrocinados pela Nike. O contrato da Nike com o Manchester United, por exemplo, é de US$ 458 milhões por 13 anos. O contrato com o Barcelona é de 150 milhões de euros entre 2009 e 2013 - um contrato que pode ser prorrogado até 2018 e que tem cláusulas de incentivo por resultado e por vendas de camisa, que podem pagar até 15 milhões anuais. Juntos, Manchester United e Barcelona recebem da Nike cerca de US$ 30 milhões ano! O FC Porto e a Nike também tem um contrato de patrocínio. O acordo vai até 2012, no qual a Nike veste todas as equipes do Porto e em troca oferece 11,5 milhões de euros, um valor reajustável para 15 milhões, conforme o sucesso do time. Aqui no Brasil, o Flamengo recebe US$ 4 milhões e o Corinthians US$ 2 milhões e ainda passam o maior aperto, porque nem sempre a Nike consegue entregar os materiais esportivos para os times que, já cansaram de entrar em campo rôtos e rasgados. Ano passado, com os problemas de distribuição Nike, os times passaram momentos difíceis, assunto que foi destaque em toda a imprensa nacional. As categorias olímpicas do Flamengo, por exemplo, que iriam participar dos Jogos Pan-americanos, tiveram que apelar para as costureiras do clube que criaram calos nas mãos costurando meias e camisas. No Corínthians a situação de horror é atual. Faltam camisas com o novo patrocínio (Medial Saúde) para a venda e algumas deficiências no contrato estão irritando a direção. Nos próximos dias, o Corínthians decide se continua com a Nike ou pára com o sofrimento e aceita propostas de outras empresas como a Reebok que anda sondando o time. Caso escolha viver entra tapas e beijos com a Nike, o time do Parque São Jorge vai receber cerca de R$ 12,6 milhões por ano - a Nike pagará R$ 5 milhões à vista. O novo contrato deve ter duração até 2011. Problemas com os times à parte, uma coisa não há como negar: a seleção brasileira é uma de suas mais atraentes vitrines de marketing da Nike e, por isso, não dá para entender o que faz da seleção top do mundo ser uma das mais baratas do planeta! Tá na hora de mudar isso minha gente! A Copa de 2014 vem aí!

Deborah Ribeiro - Diretora Sport Marketing