18 de fev. de 2008

Danica Patrick uma jogada de marketing

Noticiar que Danica Patrick foi fotografada de biquini não é novidade, afinal de contas, em 2003, a atual piloto da Indy Series já pousou para fotos bem mais picantes do que as clicadas recentemente pela revista americana Sports Illustrated. Na verdade, noticiar Danica Patrick de biquini não significa absolutamente nada, nem do ponto de vista jornalístico, nem do ponto de vista de marketing esportivo. Por que? Porque o que interessa é o que está por trás não do macacão da piloto ou do biquini dela, mas sim da presença dela nas pistas. O que significa a existência de Danica no mundo do marketing da Indy Series? Uma das funções da existência de Danica Patrick é dar suporte à célebre frase: "Ladies and gentlemen start your engineers " - proferida todos os anos pela mãe de Tony George, dono do Indianápolis Motor Speedway, antes da largada das 500 Milhas de Indianápolis. Um grid sem uma piloto sria um hiato na frase que já é uma tradição da família de Tony George. Quando realizei durante várias temporadas a cobertura da Indy500 pelo Sportv, fiz uma longa pesquisa no Museu do Indianápolis Motor Speedway e entre carros, fotos e livros antigos, descobri que a presença de ao menos uma mulher no cockpit de um dos carros da Indy é, acima de tudo, uma necessidade de marketing, uma questão de business. Em 1977, Janet Guthrie foi a primeira mulher a se qualificar para as 500 Milhas de Indianápolis - seis anos depois, o Speedway passou a permitir mulheres no pits e garagens. Desde Guthrie, Desire Wilson, Lyn St. James, Sarah Fisher e agora Danica Patrick já participaram da corrida. A presença de uma mulher na pista se tornou indispensável na medida em que criou-se a estratégia de tentar trazer para as pistas marcas de produtos femininos como sabão em pó, por exemplo. Danica Patrick fez e faz história na Indy Series, mas não apenas por se tornar a primeira mulher a liderar uma volta na pista de Indianápolis, nem tão pouco por ter sido a primeira mulher ao chegar ao pódio na F-Indy em 2007 e, muito menos, pelas fotos de biquini que costuma tirar. Danica, entrou para a história por ser a primeira piloto a conseguir um número significativo de patrocinadores pessoais: Peak (marca de óleo), Bell Helmets (capacetes), Samsonite, Tissot (relógios), Alpinestars (roupas e materiais de corrida), Marquis Jet, Keanon. Danica ainda só não venceu Sarah Fisher no quesito patrocínio e popularidade. A mesma Sarah Fisher que também entrou para a história das pistas junto com outras mulheres dos cockpits como: Erin Crocker, Kelly Sutton, Deborah Renshaw, Shawna Robinson, Patty Moise, Robin McCall, Lella Lombardi, Christine Beckers, Goldie Parsons, Fifi Scott, Marian Pagan, Sandy Lynch, Ann Chester, Ann Bunselmeyer, Ethel Mobley, Louise Smith, Sara Christian.