16 de fev. de 2008

Coluna Olímpica 1: Beijing bate business records

Seis meses antes de começar os Jogos Olímpicos de Beijing, os registros em termos de business já são recordes! Podemos dizer que independente das questões políticas e da algumas iguarias alimentares, que fazem da China uma país um pouco indigesto, não há como negar que na segunda vez, na história do Movimento Olímpico, que os Jogos acontecem em um país de regime comunista, ineditamente vê-se lucro ao fim do túnel. Quem estudou a história do marketing olímpico durante seis anos, como eu, lembra com tristeza que os Jogos de Moscou 1980, levaram o Movimento Olímpico para a banca rota. Só para você ter uma idéia, "Moscou concluiu 103 acordos comerciais com empresas estrangeiras de agosto de 76 a julho de 1980, sendo que 84 empresas foram designadas fornecedoreas oficiais e 19 patrocinadoras oficiais. Se por um lado havia produtos e serviços, por outro não havia dinheiro para arcar com os custos operacionais do evento, construções etc. Em virtude da proibição de comerciais de tv na ex-URSS, o Comitê Organizador não recebeu qualquer patrocínio local." (fonte: Ouro Olímpico - a história do marketing dos aros - autores: Marcus Vinicius Freire, Deborah Ribeiro - selo COB Cultural). Muita coisa mudou após Moscou, não apenas na geografia política do planeta, mas também no mundo do esporte, do sport business e do marketing olímpico. Em 1984, Los Angeles, o IOC - International Olympic Committee - Comitê Olímpico Internacional, criou uma estratégia e o programa de marketing TOP, que foi e continua sendo um sucesso capaz de manter vivo o espírito olímpico e garantir a sobrevivência não apenas dos Jogos de Verão, mas também dos de Inverno e, mais recentemente, dos Jogos Olímpicos da Juventude. Depois de trilhar mais de um século, o Movimento Olímpico chega na nação anfitriã da vigésima nona edição dos Jogos, num momento em que não há como negar a atração comercial, por parte das empresas mundiais em entrarem no mercado chinês e participarem dessa economia, até então impenetrável. Concordo com Pierre Justo, diretor de esportes da TNS Sports na Ásia, quando afirma em entrevista a agências internacionais que: "a escala de comparação é totalmente diferente das anteriores edições dos Jogos Olímpicos" . "Todo mundo está à espera que a audiência de tv, especialmente na China, quebre recordes. Os chineses vão ter a oportunidade de atletas, pessoas que nunca viram antes" - acrescenta Pierre. Ele tem razão. Em termos de business, a China foi além de todas as expectativas. Criou e desenvolveu um programa de marketing vencedor. Além dos principais parceiros do IOC, os TOP Sponsors, o BOGOC - Beijing Olympic Organizing Committee - Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Beijing conta com mais de 50 empresas chinesas e estrangeiras que fecharam ao menos um dos muitos tipos de promoções comerciais, quer como parceiros, patrocinadores ou fornecedores. O governo chinês e o BOGOC se movimentaram eficientemente para tirar proveito das novas oportunidades comerciais. De acordo com Nathalie Bastianelli, chefe da Havas Sport China, que faz parte do grupo francês Havas os "chineses foram rápidos ao negociar as ofertas e deixaram de aceitar novos parceiros meses atrás, porque já tinham completado as metas", disse ela. O que é uma verdade. Existem empresas que estão pagando até 200 milhões de dólares para estar entre as marcas parceiras, o mais alto nível de patrocínio do BOGOC. Este é o potencial do mercado chinês. Graças ao crescimento econômico da China, as marcas estão muito interessados neste mercado e um mega evento como os Jogos é uma plataforma e tanto para se aproximar ao consumidor chinês. Aos olhos da China, os Jogos Olímpicos estão sendo vistos como uma grande causa nacional concebidos para demonstrar ao mundo a emergência do país como líder mundial de poder. Entre os onze patrocinadores locais do nível parceiros estão empresas gigantes como a petrolífera Sinopec, CNPC, Banco da China, VW e Air China. Pela primeira vez, o sport business permitirá que empresas estrangeiras e, sobretudo, empresas domésticas, aproximem-se dos chineses de uma forma diferente. Para 300, 400 milhões de consumidores urbanos (na China) o esporte é considerada uma forma atraente de incitação de consumo de bens e serviços. A Adidas, por exemplo, é uma das empresas internacionais que desejam ampliar a sua já forte presença na China e pretende chegar a 3.500 lojas em 400 cidades. A CCTV - China Central Television - cuja torre aparece em destaque na foto, já está no pódio olímpico após declaradamente cobrar 80 bilhões de yuan (US$10,7 bilhões), em novembro de licitação para publicidade spots para 2008, até 20% em relação ao ano anterior. Air China, por exemplo, pagou cinco milhões de dólares por uma das primeiras posições nos comerciais da emissora no horário nobre durante o mês de agosto. Os números são recordes, mas, não há como negar que em termos de relações públicas, a China não é lá muito popular e, direta ou indiretamente, isso prejudica não apenas a imagem dos Jogos, como também reflete na imagem dos patrocinadores e nas ações que os mesmos devem estar planejando para realizar no país durante os Jogos. A coluna olímpica estará no ar sempre aos sábados.
Deborah Ribeiro - Diretora Sport Marketing